Em quase seis meses de guerra entre Irã e Estados Unidos, a inflação americana é um dos principais indicadores que preocupam os mercados financeiros ao redor do mundo, bem como os residentes americanos, que podem cobrar uma diminuição nesse índice nas eleições de meio mandato.
Porém, o Irã enfrenta uma das maiores crises de preços em meio ao conflito que mira, entre os alvos principais, o controle do Estreito de Ormuz. A guerra começou em fevereiro deste ano e, mesmo com uma breve trégua há alguns meses, os bombardeios voltaram a acontecer.
De março para abril, o Centro Estatístico do Irã (SCI, na sigla em inglês) registrou uma explosão nos preços dos alimentos — e consequentemente no custo de vida dos iranianos.
O arroz iraniano de primeira qualidade chegou a 4,938 milhões de riais iranianos, ou 493,8 mil tomans por kg — vale destacar que R$ 1 é o equivalente a 264.055 riais iranianos. O arroz estrangeiro chegou a cerca de 2,51 milhões de riais, ou 251 mil tomans.
O óleo vegetal líquido, por exemplo, teve alta de 308% em 12 meses, enquanto o ovo saltou 45,2% entre abril e maio. Em julho, o SCI mostra que a inflação dos alimentos chegou a níveis extraordinários. A inflação dos alimentos em 12 meses chegou a aproximadamente 128%, enquanto a inflação geral ficou em 87,9% no mesmo período.
Para a moradia no Irã, os dados mostram que em maio, por exemplo, a inflação mensal foi de de 2,5%, e em 12 meses de 35,6%. Contra o mesmo mês do ano anterior, o aumento foi de 34,7%.
Para junho, o índice chegou a 431,6, com alta mensal de 3,2%, 35,9% contra o mesmo mês de 2025 e 35,5% em 12 meses.
A inflação geral, por sua vez, está atualmente acumulada em 66% nos últimos 12 meses. Veja:
Período Data do comunicado Índice CPI Inflação mensal Inflação em 12 meses Inflação contra mesmo mês do ano anterior 21 mar.–20 abr. 2026 29 abr. 2026 569,35,0%53,7%73,5% 21 abr.–21 mai. 2026 1 jun. 2026 619,68,8%57,7%83,9% 22 mai.–21 jun. 2026 27 jun. 2026 656,45,9%62,0%88,6% 22 jun.–22 jul. 2026 29 jul. 2026 676,93,1%66,0%87,9% 23 jul.–22 ago. 2026 — Ainda não publicado — — —As compras parceladas
Reportagem do Financial Times mostrou que empresas iranianas estão recorrendo cada vez mais a sistemas de “compre agora, pague depois” e outras estratégias para atrair clientes à medida que o custo de vida na região sai do controle.
Companhias já colocam pôsteres e outdoors nas ruas estimulando a possibilidade de adiar pagamentos de produtos e serviços, como comprar uma geladeira, roupas, celulares, viagens de férias, entre outros.
Essa tem sido uma medida do varejo para estimular a economia enquanto a guerra acontece e o número de empregos cai, ao mesmo tempo em que a inflação sobe descontroladamente.
Apesar do parcelamento não ter juros, ele pode trazer multas e taxas por atraso. Com o aumento da inflação e custo de vida, a possibilidade de endividamento com esse tipo de pagamento pode aumentar exponencialmente.

