O cenário eleitoral de 2026 é um dos mais polarizados dos últimos tempos. Nas eleições de 2022, o Brasil viveu situação semelhante e a perspectiva é de que independentemente de quem vencer a disputa presidencial de 2026, a polarização política deve continuar fazendo parte do cenário brasileiro.
O Brasilianista mostrou que isso deve acontecer por fatores como a crise de representação dos partidos, o papel das redes sociais, a disputa entre projetos políticos antagônicos e os incentivos do próprio sistema eleitoral.
Ainda assim, há beneficiados pela polarização dentro da política. O cientista político e docente da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rodrigo Prando, explica que os principais beneficiados da polarização são os atores políticos que representam os polos.
“Então, ao longo dos anos, Lula é beneficiado pela polarização, Jair Bolsonaro foi beneficiado pela polarização e hoje Flávio Bolsonaro é beneficiado pela polarização e, no segundo plano, os partidos políticos. Agora, não tem política sem polarização. Muitas vezes o que acontece é que no Brasil essa polarização tornou-se uma calcificação e as pessoas levam para, além das eleições e da disputa política eleitoral, essas visões de mundo que tem para a escola, para o trabalho, para a empresa. Então as pessoas vivendo em bolhas comunicacionais, elas acabam tendo essa enorme dificuldade de ultrapassar essa polarização”, informa Prando.
O especialista, no entanto, indica que há uma chance concreta da polarização diminuir, embora ela não desapareça. Isso acontece especialmente pelo fato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provavelmente estar na sua última eleição.
“Eu acredito que o próximo ciclo eleitoral para a Presidência da República não contará com a figura do Lula e a saída de um dos polos tende a despolarizar, porque o outro polo perde força. Então a gente teria um conjunto de novos líderes de atores políticos que se diferenciariam e se afastariam do ‘Lula-petismo’ de um lado e do Bolsonaro do outro”, afirma.
Quais os prejuízos da polarização para a população?
Segundo o cientista político, a polarização barra calcificação, como vem ocorrendo, o que acaba criando espaços de conflitos dentro da família, no ambiente de trabalho, na escola, na universidade, na igreja e até mesmo no grupo de condomínio.
Isso ocorre quando as pessoas passam a se polarizar e a estão dentro de uma bolha com viés de confirmação, ou seja, eu recebem conteúdos que fazem parte de um grupo que concorda com todas as informações ali apresentadas. Nesse contexto, tudo o que o indivíduo concorda, está automaticamente certo.
“Hoje tem essa formação de bolhas, então você acaba tendo um espaço público que não privilegia o diálogo, o debate de ideias e a força desses polos não permite que uma terceira via, que grupos mais moderados surjam, até porque vale ressaltar que numa dinâmica que a gente tem hoje a força das redes sociais, a sociedade acaba valorizando tudo aquilo que as redes tornam muito fortes e evidentes. E elas tornam fortes e evidentes todos os conteúdos produzidos que mexem imediatamente com medo, raiva, ódio, angústia. Então os algoritmos captam sentimentos e esses sentimentos reverberam muito fortemente e a polarização contribui muito fortemente para isso”, conclui Prando.
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