A mensagem “Fabio ta la em Portugal e acordou lá hoje me pedindo pra falar com vc pra vc fazer uma pressão no Berger dos pedidos” revela uma cobrança atribuída a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para que Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, pressionasse um integrante do Ministério da Saúde.
O diálogo foi encontrado pela Polícia Federal no celular da lobista Roberta Luchsinger e integra a investigação sobre negócios de interesse de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
A conversa, revelada nesta quarta-feira (26), ocorreu em novembro de 2024, quando Lulinha estava em Portugal.
Segundo a PF, Roberta relatou a Marcola que o filho do presidente havia pedido a pressão sobre Swedenberger do Nascimento Barbosa, o Berger, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.
As tratativas envolviam negócios relacionados a kits para testes de dengue e outros produtos. Nenhum dos contratos foi fechado.
Mensagens citam pressão sobre Berger
Roberta já havia mencionado a necessidade de Lulinha atuar nas negociações. Em maio de 2024, ela escreveu a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola: “Temos q colocar Fábio em cima do berge rsrs”. Ele respondeu: “blz”.
A sequência ajuda a contextualizar a mensagem de novembro daquele ano, quando Roberta afirmou que Lulinha estava em Portugal e teria pedido que Marcola pressionasse Berger.
A PF também encontrou diálogos nos quais a lobista demonstrava preocupação com o prazo para concluir as negociações antes da saída de Lulinha do país.
O Brasilianista mostrou que Roberta mantinha conversas com Lulinha sobre negócios e contatos dentro do governo, além de mencionar reuniões com Marcola e Berger.
O histórico
O Brasilianista destacou que a PF passou a analisar possíveis relações entre Lulinha, Roberta e empresários interessados em contratos públicos.
A reportagem explicou que a investigação surgiu a partir de elementos encontrados na apuração das fraudes envolvendo o INSS.
Cléber Ribas de Oliveira teria contratado Roberta para defender interesses de empresas de tecnologia.
Segundo os dados citados na reportagem, ele pagou pelo menos R$ 2,5 milhões à lobista entre março de 2024 e dezembro de 2025.
Roberta e Marcola aparecem novamente
A relação entre Roberta e Marcola também já havia sido detalhada pelo O Brasilianista. A reportagem retomou pagamentos feitos pela lobista ao ex-chefe de gabinete de Lula e as movimentações financeiras que passaram a ser analisadas pela PF.
Em 2024, Roberta teria pago R$ 217 mil em despesas de Marcola, incluindo cartão de crédito, financiamento de veículo e outras obrigações.
A defesa de Marcola nega que ele tenha intermediado negociações ou encaminhado documentos referentes a compras e licitações.
Os advogados afirmam ainda que não tiveram acesso integral aos autos e classificam a divulgação de trechos da investigação como seletiva.
A articulação com o governo
Outro episódio citado pelo O Brasilianista ocorreu em maio de 2024. Na reportagem Roberta atribuiu a Lulinha a articulação de uma reunião entre o governador Carlos Brandão e Marcola no Palácio do Planalto.
A agenda oficial confirmou que Brandão esteve no Planalto naquele dia. A reportagem ressaltou, porém, que a investigação não comprovou que Lulinha tenha marcado o encontro nem que a reunião tenha provocado o posterior anúncio de R$ 59 bilhões em investimentos para o Maranhão.
A existência das mensagens é um elemento da investigação, mas elas ainda precisam ser analisadas em conjunto com os demais dados para determinar se houve efetivamente intervenção de Lulinha nas negociações.
Lulinha também aparece em outras frentes
O Brasilianista explicou que Roberta chegou a escrever “Eu sou o Fabio” em uma conversa analisada pela PF.
Os investigadores passaram a verificar se a frase indicava autorização para que ela atuasse em nome de Lulinha.
A defesa do empresário contesta essa interpretação e afirma que ele não pode ser responsabilizado por declarações feitas por Roberta. Os advogados também questionam o contexto das mensagens.
O Brasilianista mostrou que Roberta também aparece em conversas sobre uma tentativa de venda de cannabis medicinal ao governo federal.
Segundo a matéria, a lobista pretendia obter 20% de lucro sobre o negócio e mencionava um advogado amigo do ministro Kassio Nunes Marques.
O magistrado negou ser sócio do profissional, embora tenha confirmado a amizade.
Investigação aumenta pressão sobre o governo
O Brasilianista destacou a reação do governo e do PT diante do avanço das apurações.
Lula declarou que Lulinha deverá responder caso tenha cometido alguma irregularidade e disse não pretender interferir na investigação.
Fernando Haddad também defendeu a continuidade da apuração e afirmou ser favorável a “passar a régua em quem quer que seja”.
Ao mesmo tempo, integrantes do PT criticaram a divulgação de informações que estão sob sigilo.
A defesa de Lulinha também questiona os vazamentos e nega que ele tenha feito intervenções para favorecer negócios privados.
O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todas os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.
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