A investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, aponta que o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece em diálogos como possível destinatário de pagamentos e benefícios custeados por um empresário interessado em contratos com órgãos públicos.
O empresário Cléber Ribas de Oliveira teria contratado a lobista Roberta Luchsinger para intermediar interesses de suas empresas de tecnologia, enquanto mensagens analisadas pela PF indicariam pagamentos destinados a despesas de Lulinha.
O caso ganhou novos desdobramentos porque a investigação que envolve Lulinha nasceu de elementos encontrados em apurações relacionadas a possíveis irregularidades no governo federal.
O Brasilianista, ao tratar da origem das diligências, informou que a PF passou a investigar possíveis conexões entre Lulinha, Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
A apuração, portanto, estabeleceu uma conexão investigativa entre pessoas que aparecem em diferentes frentes do caso, mas isso não significa que Lulinha seja acusado de participar diretamente dos descontos ilegais aplicados sobre aposentadorias e pensões.
Como o caso do INSS chegou a outras pessoas
A investigação das fraudes previdenciárias ganhou dimensão nacional a partir da suspeita de descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas.
A CPMI criada para apurar o caso recebeu a missão de investigar descontos indevidos praticados por associações desde 2019, com estimativa de que a fraude pudesse alcançar R$ 6,4 bilhões em seis anos.
No núcleo apontado como central na investigação aparece Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
A PF apontou Antunes como intermediário do esquema e identificou 22 empresas ligadas a ele, algumas delas utilizadas, segundo os investigadores, para receber recursos provenientes das entidades associativas.
O relatório registra R$ 53,58 milhões recebidos por pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao empresário.
A situação de Antunes também avançou para o Judiciário. Conforme O Brasilianista, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, manteve a prisão do empresário ao considerar que a estrutura investigada poderia permitir a reorganização patrimonial e a continuidade das práticas sob apuração.
A decisão também manteve bloqueios de valores e bens, enquanto a investigação procura dimensionar os recursos envolvidos e esclarecer a origem das movimentações financeiras.
Quem são os principais personagens investigados
Outro personagem central é Roberta Luchsinger, apontada nos documentos policiais como lobista que mantinha contatos com integrantes do governo e atuava na tentativa de abrir caminhos para negócios privados.
A PF descreveu uma possível “comunhão de interesses econômicos” entre Lulinha, Roberta Luchsinger e Fernando Bittar em negócios relacionados à cannabis medicinal.
Os investigadores suspeitam da existência de uma estrutura informal voltada à captação e execução de demandas privadas perante agentes públicos.
A PF também apontou que Roberta teria atuado junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete presidencial em tratativas relacionadas à venda de produtos de cannabis medicinal.
A defesa de Lulinha contestou a investigação e afirmou haver interesse político na abertura dos inquéritos.
A investigação também alcançou Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que foi chefe de gabinete de Lula.
A PF identificou pagamentos de R$ 217 mil feitos por Roberta para despesas pessoais de Marcola em 2024, incluindo faturas de cartão, financiamento de veículo, consórcio, Pix e joias.
Os pagamentos ocorreram no mesmo período em que a lobista mantinha tratativas relacionadas a negócios no Ministério da Saúde.
Pagamentos, contratos e reuniões
No caso relacionado à Dataprev, Cléber Ribas pagou pelo menos R$ 2,5 milhões a Roberta Luchsinger entre março de 2024 e dezembro de 2025.
A PF identificou reuniões com integrantes da empresa pública e outros agentes governamentais, enquanto mensagens atribuídas à lobista registravam cobranças de pagamentos que, segundo ela, seriam destinados a despesas de Lulinha.
Entre as mensagens analisadas pelos investigadores estão conversas nas quais Roberta mencionava pagamentos e notas fiscais relacionados a Lulinha.
Em uma delas, ela perguntou sobre um pagamento porque Fábio teria questionado a respeito.
Em outra conversa, o próprio Lulinha teria pedido à lobista que emitisse uma nota fiscal para Cléber Ribas.
A investigação também encontrou registros de despesas pessoais associadas a Lulinha.
Em uma conversa sobre uma viagem internacional, ele teria perguntado a Roberta se havia dinheiro para bancar os custos e afirmou que ela cuidava de suas finanças.
Em outro diálogo, relacionado a uma possível viagem a Genebra, Lulinha demonstrou preocupação com os valores e com a possibilidade de não conseguir explicar a origem dos recursos.
A casa em Brasília e outras conexões
Uma casa no Lago Sul, em Brasília, utilizada por Roberta e Lulinha teria sido alugada formalmente em nome de Rafael Nicolau Arbex, dentista que havia sido testemunha de Fernando Bittar em processo relacionado ao sítio de Atibaia.
A imobiliária responsável pela primeira locação informou que Roberta participou das tratativas, mas que o contrato foi assinado por Arbex.
Funcionários relataram que Roberta realizava reuniões discretas no imóvel e que Lulinha frequentava a residência.
A defesa do filho do presidente negou que ele tivesse morado na mansão e também afirmou que ele não participou de reuniões com empresários ligados à lobista.
As conversas também mencionariam um advogado apresentado como amigo do ministro Kassio Nunes Marques, embora o ministro tenha negado ser sócio do profissional citado.
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