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Política

O que motivou a queda histórica das abstenções no segundo turno?

Foram mais de 2,9 milhões de cidadãos brasileiros que decidiram votar no último domingo (25)

Urna eletrônica
A última vez que a taxa de abstenção atingiu níveis similares foi na eleição de 2006 (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 registrou a menor taxa de abstenção em 20 anos, com 19,22% dos eleitores aptos deixando de comparecer às urnas. Esse feito foi causado por uma série de fatores.

O número caiu de 33.469.244 no cidadãos que não votaram no primeiro turno, para 30.509.005 de eleitores no segundo, diferença de mais de 2,9 milhões de pessoas.

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A última vez que a taxa de abstenção atingiu níveis similares foi na eleição de 2006, quando o percentual de ausências no segundo turno chegou a 18,99%.

De acordo com a Justiça Eleitoral, o maior percentual de abstenções ontem foi registrado entre os eleitores no exterior, representando mais da metade (58,37%) do total de eleitores aptos a votar em outros países. Já nos estados brasileiros, o Acre registrou a maior abstenção (26,08%).

O segundo turno das eleições de 2026 também registrou diminuição no número de votos brancos e nulos.

Ao todo, 1.430.496 eleitores votaram em branco, o equivalente a 1,12%, frente a 2.300.798 (1,84%) de votos brancos no primeiro turno. Já os nulos neste segundo turno somaram 2.723.305 votos, equivalente a 2,12% do total, enquanto no primeiro foram 3.674.249 votos nulos (2,93%).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 51,76% dos votos válidos, o equivalente a 64.113.797 votos no total e uma diferença de 4.359.003 votos para seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PT).

Para Rodrigo Prando, cientista político e docente da Universidade Prebisteriana Mackenzie, boa parte da redução das abstenções no segundo turno foram ocasionadas pelo medo do bolsonarismo ou do poder na figura de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.

O que causou a redução das abstenções?

Além da alta polarização, o cientista político avalia que alguns fatores somados contribuíram para a diminuição das abstenções neste domingo.

Segundo ele, houve um convencimento por parte do presidente Lula entre o eleitorado que deixou de votar no primeiro turno, o que teria sido fundamental para sua campanha.

"Então, os mais velhos foram convencidos pelos filhos, pelos netos, pelas gerações mais jovens de que o retorno do clã Bolsonaro no poder traria prejuízos à democracia, às instituições e ao próprio Brasil", diz Prando. 

Ele ainda analisa que o medo foi um elemento importante para fazer com que as pessoas mais idosas, com limitações físicas e até mesmo sem dinheiro escolhessem sair de suas casas para votar no presidente Lula.

A relevância da campanha digital

No primeiro turno, que aconteceu em 4 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou 45,14% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,04%. A vitória de Lula no segundo turno marcou a primeira virada na preferência de voto dos eleitores desde a redemocratização do Brasil.

Para Prando, a mobilização de apoio ao presidente nas redes sociais — e eventualmente nas ruas — foi essencial nas três semanas entre primeiro e segundo turno para alcançar o resultado deste domingo.

O Brasilianista mostrou como Lula precisou comprimir e divulgar 4 anos de mandato em três semanas de "intensivão" nas redes sociais com ajuda de quem nunca teve espaço na cabeça de campanha: os jovens.

O novo formato de engajamento, que o bolsonarismo já dominava, foi encabeçado pelo deputado André Janones (Rede). Um canal do WhatsApp chamado "EXÉRCITO DO LULA", liderado por Janones, saiu de 600 mil seguidores para mais de 1 milhão em menos de 24 horas. Até dois dias antes do segundo turno, o grupo já marcava 10 milhões de seguidores.

Estratégia de redes sociais, transmissões ao vivo e apoiadores tiveram um papel que não se restringiu às plataformas digitais. As manifestações em apoio à Lula também marcaram a presença de milhões de brasileiros que reforçaram os esforços das redes sociais.

A hipótese do cientista político é de que as redes permitiram uma coesão simbólica tão grande que reverberou nas manifestações de rua.

"As movimentações de Janones primeiro retomaram as redes sociais que estava nas mãos, não apenas da direita, mas da extrema-direita, e fez com que as pessoas voltassem a usar a camisa da seleção, que era um símbolo capturado pelo bolsonarismo. E, em terceiro lugar, a ocupação de espaços públicos, como a Avenida Paulista", avalia Prando. 

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