As propostas apresentadas por Lula em entrevista ao SBT Brasil, nesta segunda-feira (19), envolvem gastos bilionários sem que o Brasil tenha dinheiro para custeá-las.
Uma das ideias de Lula é comprar as dívidas dos Microempreendedores Individuais (MEI) e leiloa-las aos bancos com descontos generosos ao mesmo tempo em que fornecerá R$ 5 mil para cada MEI endividado recomeçar.
Outra proposta de alto custo apresentada por Lula foi criar um destacamento policial exclusivo para fronteiras brasileiras por ser contrário ao uso das Forças Armadas para fazer a segurança das fronteiras.
O presidente da República, que busca sua segunda reeleição, afirmou que parte do custeio dessas propostas virá das emendas parlamentares. O problema é que esse dinheiro usado pelos congressistas sem qualquer transparência não é infinito.
Neste ano, foram R$ 61 bilhões destinados a emendas parlamentares. O orçamento da PF foi de quase R$ 12 bilhões, sendo a maior parte para custeio de pessoal, e as dívidas dos MEIs são de R$ 12,6 bilhões, divididas entre 3,6 milhões de microempreendedores.
Esse total, se multiplicado pelos R$ 5 mil prometidos por Lula para recomeços, acrescenta mais R$ 18 bilhões a essa conta. Somente a soma das dívidas dos MEIs e do incentivo de R$ 5 mil aos microempreendedores totalizam R$ 30,6 bilhões.
O valor representa pouco mais de 50% das emendas usadas por deputados federais e senadores para garantirem currais eleitorais fiscalizados por prefeitos em todo o país.
Lula disse que haverá uma "briguinha" com o Congresso por esse dinheiro.
Apesar de o petista minimizar esse eventual embate futuro, a realidade mostra que a dificuldade em aprovar projetos com o Congresso atual serão muito maiores a partir de 2027, quando a maioria bolsonarista eleita neste ano tomará posse.
A saída mais óbvia para evitar a resistência do Congresso de 2027 será emitir mais dívida pública, com juros mais altos para atrair investidores e justificar os riscos de um país que registrou uma dívida bruta de quase 83% do PIB (R$ 11,1 trilhões) em agosto de 2026.
Essa prática, se adotada, impactará a inflação, afetando diretamente o já cambaleante poder de compra da população. E é justamente esse um dos calcanhares de Áquiles do petista na disputa contra Flávio Bolsonaro.

