Após perder o primeiro turno da eleição presidencial para Flávio Bolsonaro, Lula passou a ver entrevistas e debates na TV como sua chance de virar o jogo que o PT achou que estava ganho.
Nesta quinta-feira (15), foi a vez de Lula ser entrevistado pela Globo. O petista até fez uma rápida autocrítica ao reconhecer sua culpa na derrota sofrida no primeiro turno, no domingo (4), e na falta de compreensão da população sobre o que seu governo fez nos últimos quatro anos.
Mas parou por aí. Lula colocou sua rejeição na expectativa do eleitorado quanto à sua gestão. O petista afirmou que o brasileiro esperava uma reedição da gestão feita de 2007 a 2010, quando a economia lhe garantiu mais de 80% de aprovação.
Esse é um dos temas que mais preocupam a população, segundo a pesquisa divulgada pela Quaest na quarta-feira (15). O levantamento mostrou que 20% dos brasileiros se preocupam com o tema.
Outro tema que Lula terceirizou a culpa — dessa vez com razão — foi a segurança pública, assunto que também preocupa 20% da população, de acordo com a pesquisa divulgada pelo Datafolha nesta quinta-feira (15). O petista disse que a violência no Brasil deve ser contabilizada junto aos governadores.
O petista aproveitou o tema para antagonizar com a imagem histórica do PT junto à população, que considera o partido leniente com o crime. Lula defendeu a redução da maioridade penal e aumento de penas para crimes hediondos.
O atual presidente da República também chamou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) de terroristas que amendrontam a população brasileira.
Porém, Lula ponderou que essa classificação não é um apoio à vontade de Donald Trump — de incluir essas organizações criminosas na lista de terrorismo para poder enfrentá-las fora das fronteiras dos EUA.
Governabilidade e Master
Lula negou a realidade ao dizer que sua gestão não viveu crise com o Congresso. "Todos os partidos, com exceção do PL, participaram do meu governo", disse o petista, citando que até PP e MDB (partidos que apoiam Flávio nesta eleição) chefiaram seus ministérios.
É bem verdade que o atual presidente da República emplacou duas indicações para o Supremo Tribunal Federal e conseguiu aprovar o fim da Escala 6x1, a tributação dos super-ricos e o reajuste da tabela do Imposto de Renda.
Mas o petista teve que liberar muitas emendas parlamentares para obter os votos em todas as suas vitórias, porque a base do seu governo no Congresso não conseguiu articular apoios, e não conseguiu aprovar a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para uma vaga no STF.
Sobre o STF, Lula evitou atacar Alexandre de Moraes e disse que o ministro está sendo atacado e ligado a ele porque o Bolsonarismo mente para vencê-lo ao mesmo tempo que tenta se vingar do algoz que prendeu Jair Bolsonaro e aliados do ex-presidente que planejaram um golpe de Estado frustrado.
Lula defendeu mandato para ministro do STF e a investigação de todos os integrantes da Corte suspeitos de atuarem em prol de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
Populismo
O petista afirmou que o aumento de 15% no Bolsa Família foi concedido pelo governo às vésperas do primeiro turno das eleições porque foi naquele momento em que ele soube pouco que o reajuste não havia sido concedido.
Lula não soube responder como seu governo controlará o endividamento das famílias de maneira definitiva. A falta de resposta nesse quesito está na base da política econômica do PT: fornecimento de crédito para garantir ascenção social.
O atual presidente também enalteceu sua ordem que garante transporte público gratuito aos fins de semana, além das tarifas sociais para energia elétrica e gás de cozinha.
Vai virar?
As afirmações sobre os problemas na segurança pública e na divulgação das políticas executadas nos últimos anos, principalmente na economia, tentam reverter a rejeição mostrada nas últimas pesquisas.
O Datafolha divulgado hoje mostrou que 41% do eleitorado avaliam mal o atual governo e 50% desaprovam Lula. A Quaest divulgada ontem detalhou que uma eventual reeleição do petista amedronta 43% da população.
Apesar dos números ruins, a rejeição de Flávio Bolsonaro voltou aos 43%, segundo a pesquisa divulgada pela Quaest no dia 14, após ter registrado 40% no levantamento anterior.
Esse aumento da rejeição de Flávio é concomitante ao aumento da presença do PT e dos eleitores de Lula nas redes sociais para defender o petista e atacar o adversário do PL. A mudança também impactou as intenções de voto, fazendo com que a diferença entre Lula e Flávio retornasse à margem de erro.
A pesquisa divulgada hoje pelo Datafolha mostrou o petista com 45% contra 47% do candidato do PL. No levantamento anterior, Flávio havia registrado 49%, enquanto Lula tinha os mesmos 45%.
A pesquisa da Quaest divulgada ontem mostrou Lula com 44% e Flávio com 46%. O resultado mantém os adversários empatados tecnicamente, assim como foi no levantamento anterior, que registrou 42% de votos para o petista contra 44% do candidato do PL.

