Na manhã desta quinta-feira (15), a Polícia Federal (PF) prendeu Márcio Canella (União), ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) e o segundo deputado estadual mais votado do estado nestas eleições.
O mandado faz parte da 8ª fase da Operação Unha e Carne, que tem como objetivo desarticular uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção e cartel.
Além dele, também foram presos Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, e os inspetores da PF Giovanni Gaspar Fernandes, Christiano Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira.
Canella era pré-candidato ao Senado Federal, vinculado ao União Brasil, com apoio de Flávio Bolsonaro (PL), então candidato à presidência do país.
Políticos do RJ presos nos últimos anos
Canella se soma a uma lista de políticos do Rio de Janeiro que tiveram a prisão decretada nos últimos 4 anos. Além dele:
- TH Joias (Diego Raimundo dos Santos Silva), ex-deputado estadual: foi preso em setembro de 2025, na Operação Zargun, por suposto envolvimento com o Comando Vermelho;
- Rodrigo Bacellar, ex-deputado e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj): foi preso em março de 2026, na Operação Unha e Carne, por supostamente atrapalhar operações policiais e vazar informações sigilosas;
- Thiago Rangel, ex-deputado estadual: foi preso em maio de 2026, também na Operação Unha e Carne, por supostamente colaborar com o esquema criminoso;
- Marcelo Crivella, ex-prefeito do Rio de Janeiro: foi preso em 2020 durante a Operação Hades, por suposto esquema de corrupção na prefeitura. Em 2023, ele voltou a ser réu por desdobramentos do caso de 2020, que ficou conhecido como "QG da Propina". Ele está inelegível até 2028.
Políticos do RJ investigados nos últimos anos
- Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro: foi alvo da Operação Sem Refino, que investiga possíveis fraudes fiscais pela Refit, e Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias, uso de recursos públicos, lavagem de dinheiro, espionagem ilegal e suspeitas de corrupção ligadas ao Banco Master;
- Marcelo Queiroz, deputado federal: foi alvo da Operação Castratio em maio de 2026, por irregularidades em contratos da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pasta então chefiada pelo parlamentar;
- Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro: neste ano, teve o registro de sua candidatura indeferido pelo TRE-RJ e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa e na suspensão dos direitos políticos;
- Carlos Bolsonaro, ex-vereador do Rio de Janeiro: foi alvo de uma invetigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) em fevereiro de 2026, por desvio de dinheiro público;
- Alexandre Ramagem, ex-deputado federal: é considerado foragido no Brasil, após ser condenado por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito e golpe de Estado, e fugir para os Estados Unidos no fim de 2025.
Flávio Bolsonaro e as rachadinhas
Em 2020, o Ministério Público do Rio denunciou Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e outros 15 investigados por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita, por fatos que, segundo a acusação, ocorreram entre 2007 e 2018.
O filho de Jair negou qualquer irregularidade ou que tenha comandado um esquema de rachadinha no antigo gabinete. E, neste ano, ao ser questionado sobre o caso novamente, enfatizou que “nunca teve início um processo criminal contra mim”.
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