Nesta quinta-feira (08), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria para anular os votos realizados no candidato Anthony Garotinho (Republicanos) ao governo do Rio de Janeiro, no 1º turno das eleições 2026, que aconteceu no último domingo (04).
Dessa forma, a decisão abre margem para que a eleição do governo do RJ seja finalizado ainda em primeiro turno, com a eleição de Douglas Ruas (PL). Isso porque com a anulação dos votos em Garotinho, o candidato do PL soma mais de 50% dos votos válidos (regra que é necessária para eleição ainda em 1º turno).
No domingo (4), Ruas somou 4.271.199 votos (49,27% dos votos válidos), enquanto o principal adversário, Eduardo Paes (PSD), teve 3.706.984 votos (42,76% dos votos válidos). Assim, com o que estava definido no dia 4 de outubro, ambos disputariam o segundo turno em 25 de outubro.
Embora os cálculos, com a decisão do TSE, apontem que Ruas tem 74 mil votos a mais que o necessário para vencer no 1º turno, a decisão só será formalizada com a recontagem oficial da Justiça Eleitoral. Por enquanto, não há previsão de quando isso será feito.
Um pouco mais tarde nesta quinta-feira, a campanha de Paes avisou que irá recorrer da decisão do TSE ao Supremo Tribunal Federal (STF). "A coligação entrará com pedido de medida cautelar para garantir a realização do segundo turno da eleição para governador do Estado do Rio de Janeiro, conforme a vontade manifestada pela maioria dos eleitores fluminenses nas urnas no último domingo", informou parte da nota.
A mudança para o eleitor
Diante da possível eleição antecipada de Ruas, O Brasilianista conversou com Leandro Frota, Advogado e Analista Político, sócio da Fonseca Mello Frota Advogados e ex-Diretor da FUNASA e do ICMBio, para entender as implicações de um possível governo dele no RJ.
Para Leandro, a proclamação de Ruas como governador eleito pelo TSE no primeiro turno pode gerar questionamentos sobre legitimidade política, mesmo que juridicamente a decisão seja considerada válida.
"Parte do eleitorado pode interpretar a ausência de segundo turno como uma disputa interrompida [...] Mas essa percepção não significa, por si só, falta de legitimidade democrática. A eleição envolve o voto e as regras que determinam quais votos são válidos. Se a decisão definitiva levar Ruas à maioria absoluta dos votos válidos, sua vitória decorrerá da aplicação dessas regras."
Para o advogado, o desafio para o candidato do PL será justamente governar também para quem não votou nele. "A legitimidade de um governo se fortalece diariamente pela capacidade de entregar resultados, dialogar e respeitar as instituições", justifica.
O cenário do RJ
O especialista afirma: "Se confirmada, [a eleição de Ruas] representará a capacidade do campo conservador de produzir uma nova liderança eleitoral no estado. Também reforçará o peso político de São Gonçalo e das bases situadas fora da capital na disputa pelo Palácio Guanabara".
Ele constatou que a decisão representa uma renovação de protagonismo, mas não necessariamente uma ruptura com as estruturas políticas anteriores. Leandro destaca que tudo dependerá da atuação real do candidato quando assumir o posto.
Mas pelo discurso de campanha, o foco será no fortalecimento da centralidade da segurança pública. "A mudança efetiva deverá ser medida pela qualidade da gestão. O cidadão vai avaliar atendimento na saúde, transporte, segurança e oportunidades de trabalho. A principal questão é quanto dessa agenda será executado e com quais recursos", constata.
Ruas é nova liderança do PL?
Leandro alerta que as duas coisas podem acontecer concomitantemente. "Apoio eleitoral e autonomia política são coisas diferentes. O apoio ajuda a vencer a eleição; a autonomia se constrói pela capacidade de governar, formar uma equipe, negociar e apresentar resultados próprios", opina.
Uma eventual vitória permite tanto construir uma liderança estadual mais independente quanto mais alinhada aos Bolsonaro. É uma questão de escolha.
Avanço do PL como um todo nas eleições 2026
Com a possível eleição de Ruas, ele se soma a mais um cadidato filiado ao Partido Liberal eleito.
Leandro observa: "O avanço do PL indica que o campo conservador está convertendo mobilização eleitoral em presença institucional. Ter mais parlamentares e governos amplia a capacidade de influenciar a agenda pública, negociar cargos de direção e participar das decisões sobre orçamento e legislação".
Ele ainda alerta que esse crescimento abre margem para disputas internas e não garante aprovação da agenda do partido, será necessário negociar. "O cenário aponta para um PL com maior poder de negociação e também com maior responsabilidade pelos resultados das decisões que apoiar", finaliza.
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