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Economia

O risco no trabalho e segurança da autorreplicação da IA

A Anthropic já fez dois alertas em um único ano sobre a importância da contenção do desenvolvimento da tecnologia

IA
Anthropic comprovou que modelos avançados de IA conseguem se replicar em dispositivos comerciais (Foto: Magnific)

Modelos de inteligência artificial (IA) já estão com tecnologia suficiente para se replicarem sem ajuda humana. Uma pesquisa da Antrhopic mostrou que esses sistemas podem se "refazer" em dispositivos comerciais, como televisões, fornos e lâmpadas inteligentes.

O experimento da gigante de tecnologia avaliou se a IA conseguiria encontrar dispositivos vulneráveis e copiar a si mesma nesses aparelhos. A resposta positiva revela um cenário preocupante: a segurança da casa das pessoas possivelmente ameaçada.

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Vale destacar que esses modelos replicados não possuem forma simples de serem desativados. Ainda, softwares maliciosos poderiam começar a invadir os dispositivos e chegar a sistemas inteiros de centros de dados.

Em junho deste ano, a Anthropic já tinha começado a pedir para que seus principais laboratórios pausem as produções da tecnologia coordenadamente. Isso porque considera que seus agentes, muito em breve, poderiam se aprimorar sem qualquer intervenção humana e a sociedade não estaria preparada para controlar os efeitos.

Os alertas reacendem uma discussão central sobre o futuro do mercado de trabalho e também da segurança digital.

No cenário do trabalho, a IA não chega apenas para a automação de tarefas repetitivas, mas agora a possibilidade é de que o sistema assuma funções cognitivas, analíticas e até criativas, antes consideradas exclusivamente humanas.

Por sua vez, a segurança digital pode estar cada vez mais em risco, o que pode prejudicar análises governamentais, bem como a privacidade da população. Momentos de instabilidade geopolítica podem intensificar ataques.

Os setores do mercado de trabalho mais afetados pela dominação da IA

O mais provável não é o desaparecimento total do trabalho, mas uma grande reconfiguração das ocupações. Muitas funções administrativas, analíticas, operacionais e de produção de conteúdo tendem a ser reduzidas ou transformadas.

O maior risco, segundo especialistas entrevistados por O Brasilianista nesta reportagem, está na desigualdade: quem tiver acesso à educação, tecnologia e requalificação poderá se reposicionar; quem não tiver, poderá ficar mais vulnerável à exclusão profissional. Nesse cenário, o desemprego tecnológico pode vir acompanhado de ansiedade, perda de identidade profissional e insegurança sobre o futuro.

Nos próximos cinco anos, a tendência é que a IA transforme fortemente áreas como atendimento, marketing, jurídico, financeiro, recursos humanos, tecnologia e serviços administrativos.

Uma substituição ampla da maioria dos trabalhos humanos, porém, depende de fatores além da tecnologia: regulação, custo, cultura organizacional, confiança social e capacidade das empresas de implementar esses sistemas. Por isso, um cenário mais massivo pode levar de dez a vinte anos, mas a preparação precisa começar agora na visão da especialista.

Segundo os especialistas, o ponto central não é tentar impedir a IA, mas construir uma transição responsável. O futuro do trabalho será menos sobre competir com máquinas e mais sobre desenvolver aquilo que a tecnologia não substitui com facilidade: pensamento crítico, ética, empatia, criatividade, liderança e capacidade de cuidar das relações humanas.

Os riscos de invasões de IA

O Brasilianista mostrou como o Brasil foi o terceiro maior alvo de ataques em sistemas de IA entre novembro do ano passado e março de 2026. Conforme o desenvolvimento da tecnologia avança, os riscos de ataques cibernéticos aumentam.

Além disso, quando o cenário geopolítico é sensível, como momentos de guerras e até mesmo eleições, as invasões se tornam mais comuns, segundo levantamento da Trellix.

Os Estados Unidos lideram os casos reportados de ataques cibernéticos por sistemas de IA, representando 6,80% dos registros. A Índia vem logo em seguida, com 5,27% dos casos e, em terceiro lugar, o Brasil, com 3,45% das invasões registradas.

Os agentes de ameaças estão abandonando os ataques tradicionais baseados em push em favor de uma engenharia social complexa baseada em estruturas persistentes profundamente incorporadas.

Cerca de 10,8% dos casos reportados aconteceram a sistemas do governo em todo o mundo. O segundo ambiente mais afetado no planeta são as finanças (8,9%).

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