A bancada evangélica no Congresso não encolheu e se reconfigurou por motivos que não estão relacionados, na essência, à sua atuação à frente dos projetos de interesse do setor religioso. Afinal, grande parte dos reeleitos que compunham esse grupo não são tradicionalmente religiosos.
O Partido Liberal é vitorioso. Na bancada evangélica também. Os principais candidatos que estiveram atuando nesta frente foram reeleitos. Todos os “coronéis, delegados e sargentos” também foram reeleitos.
Outra voz expressiva do meio evangélico, e que continua obtendo votos expressivos, é o deputado federal Nikolas Ferreira. Ele se junta a Lucas Pavanato como os candidatos mais votados desta eleição.
A composição da frente é de 212 parlamentares, sendo liderada principalmente pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante, pelo Pastor Marco Feliciano e pelo Pastor Sargento Isidório, do PL, que foi reeleito para a função.
Do total, aproximadamente 158 integrantes foram reeleitos. Outros 54, de partidos como União, PSD e Republicanos, que disputaram o Senado ou outro cargo político, não foram reeleitos e não voltaram para o Congresso Nacional.
A única exceção para o partido de Valdemar foi o Pastor Gil (PL-MA), que renunciou à sua candidatura após uma condenação do Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva.
Na essência, quem perdeu foram os partidos que foram abocanhados pela maior bancada eleita nas duas Casas, Senado e Câmara dos Deputados.
Outros Pastores
Pastores de outros partidos com mais de um mandato na casa acabaram, por tradição, sendo escanteados.
Entre eles, o Pastor Eurico, do PSDB, que recebeu 36 mil votos. Em seu estado, Pernambuco, ele não conseguiu garantir uma cadeira.
O Pastor Diniz (União) também não foi reeleito. O candidato ficou como suplente, com 14 mil votos. O deputado federal e escritor religioso Marcelo Crivella (Republicanos) também não foi reeleito.
Cabe ressaltar que o Pastor Otoni de Paula, que era próximo do bolsonarismo, mas rompeu, não foi reeleito. Ele disputou desta vez pelo PSD, obtendo 19 mil votos, e segue como suplente. O político comprou briga contra o núcleo bolsonarista durante os últimos dois anos, distanciando-se do voto do eleitorado evangélico.
Gilberto Abramo (Republicanos), que exerceu a função de bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, foi reeleito.
Representação evangélica
O Brasilianista entrevistou o Prof. Hilquias Benício da Silva, mestre em Teologia e especialista em Teologia do Novo Testamento, Liderança, Inovação e Gestão (MBA), para entender o processo de renovação conservadora e a representação evangélica no Congresso Nacional.
Como o senhor vê esse movimento? Existe uma diminuição da representatividade evangélica e de candidatos cristãos dentro desse espectro de direita no Congresso Nacional, ou o senhor acredita que esse movimento perdeu força?
Várias figuras já históricas, com vários mandatos consecutivos, não conseguiram se reeleger ou compor alianças. Alguns outros partidos e algumas lideranças evangélicas não conseguiram se eleger, mas são representatividades que geralmente não estão ligadas diretamente a uma candidatura institucional — acho que você deve ter percebido isso também. Há uma boa representatividade de candidatos que se identificam como evangélicos. Ao mesmo tempo, candidatos evangélicos institucionais e tradicionais não conseguiram emplacar, embora isso também tenha acontecido dentro de outros espectros, como com figuras e candidatos expressivos de notoriedade nacional dentro da esquerda, de mandatos consecutivos, que também não conseguiram obter votos suficientes para a eleição deste ano.
Como o professor avalia essa progressão da representatividade evangélica dentro do Congresso Nacional? Essas figuras centrais de que estamos falando, tanto do espectro de direita quanto de esquerda, realmente se conectam com as necessidades do setor na produção legislativa e no bloco parlamentar?
Esses candidatos, como por exemplo o Nikolas, com uma votação tão expressiva como essa, a gente sabe que não foram eleitos simplesmente pelos evangélicos. Há um percentual de pessoas de outras expressões religiosas que também se identifica com essa pauta mais conservadora. Essa representatividade gera isso, não dá para a gente homogeneizar o próprio corpo evangélico no Brasil, que é muito heterogêneo. Então, dentro dele mesmo, sobre ações políticas, votos e propostas dos candidatos, vão acontecer divergências. Isso é algo que a gente encontra no dia a dia. Não necessariamente reflete [todas as vertentes], mas existe um corpo, um núcleo comum de pautas mais conservadoras em favor da vida e da família, onde há uma convergência de campos mais conservadores que não são simplesmente evangélicos, mas também católicos.
Como o senhor avalia essa nova legislatura? O senhor vê que ampliou a quantidade da representatividade cristã?
Ficou evidente e bem surpreendente também nesse cenário da eleição para a Câmara Federal. A gente percebe que os votos na campanha eleitoral não necessariamente vão refletir as escolhas dos eleitores quando se inicia a legislatura. Muitas vezes, a bancada acaba se distanciando um pouco dos eleitores. Tem aqueles deputados mais ideológicos que permanecem firmes naquilo que defendem, e tem aqueles que aproveitam o momento de uma onda de pauta mais conservadora para conseguir angariar votos.
É isso: tanto os candidatos evangélicos independentes quanto os candidatos evangélicos mais institucionais às vezes se distanciam dessa representatividade. Parecem estar mais próximos do eleitor ou dos anseios do eleitor na campanha, mas, na prática da legislatura, acabam se distanciando por conta do compromisso político mesmo, partidário, de grupo e das negociações que a própria demanda política muitas vezes pressiona e exige.
Qual é a verdadeira motivação do eleitor evangélico ao escolher um candidato? Existe um preconceito ou estereótipo de que essa bancada vota apenas em causa própria ou defende pautas radicais?
Quando falo do eleitor evangélico, me refiro à regra, não às exceções. O evangélico não vota pensando apenas na sua igreja local ou no seu ministério, mas sim em como aquele parlamentar pode representar os valores e a visão social cristã para o bem comum de toda a sociedade — e não de apenas uma parcela dela.
Por isso, quem se diz evangélico e adota uma postura de não dialogar ou não respeitar o outro fere os próprios valores da fé, que ensina a lidar com a divergência. Há firmeza em combater certas ideias, mas com respeito às pessoas. Criou-se um estereótipo de que o evangélico é intolerante ou adepto da "teologia do domínio", como no bordão "bandido bom é bandido morto". Isso não reflete a visão evangélica; apenas um grupo muito pequeno pensa assim.
Em pautas como a segurança pública, por exemplo, o eleitor evangélico entende que não basta uma discussão simplória entre endurecimento de penas ou medidas socioeducativas. É preciso punir quem comete crimes, mas também trabalhar a ressocialização. O meio evangélico é plural e traz essa complexidade para o debate público.
Bancada no Senado
Outro fato peculiar é que a taxa de renovação no Senado, com a eleição de deputados que fazem parte da sigla, foi alta para o PL.
Os eleitos que deixaram de ser deputados para ocupar uma cadeira no Senado são: o deputado federal Sanderson (PL-RS), o deputado federal José Medeiros (PL-MT), Gustavo Gayer (PL-GO), Bia Kicis (PL-DF), Filipe Barros (PL-PR), Gilvan da Federal (PL-ES), Dr. Fernando Máximo (PL-RO), Domingos Sávio (PL-MG), Caroline de Toni (PL-SC), Capitão Alberto Neto (PL-AM), Cabo Gilberto Silva (PL-PB), André Fufuca (PP-MA) e Alexandre Guimarães (MDB-TO).
Confira abaixo a lista de candidatos que já tinham mandato, integravam a frente e foram reeleitos.
| Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional | |
| Deputado Signatário | Partido |
| Adail Filho | MDB |
| Adriana Ventura | NOVO |
| Afonso Hamm | PP |
| Afonso Motta | PDT |
| Alencar Santana | PT |
| Alexandre Guimarães | MDB |
| Altineu Côrtes | PL |
| Aluisio Mendes | REPUBLICANOS |
| Ana Paula Lima | PT |
| André Fernandes | PL |
| André Ferreira | PL |
| André Fufuca | PP |
| André Janones | REDE |
| Antonio Andrade | PSDB |
| Antonio Brito | PSD |
| Augusto Coutinho | REPUBLICANOS |
| Aureo Ribeiro | SOLIDARIEDADE |
| Bebeto | PP |
| Bia Kicis | PL |
| Bibo Nunes | PL |
| Bohn Gass | PT |
| Cabo Gilberto Silva | PL |
| Capitão Alberto Neto | PL |
| Capitão Alden | PL |
| Capitão Augusto | PL |
| Carlos Gomes | REPUBLICANOS |
| Carlos Jordy | PL |
| Carlos Veras | PT |
| Carlos Zarattini | PT |
| Caroline de Toni | PL |
| Celso Russomanno | REPUBLICANOS |
| Coronel Assis | PL |
| Coronel Chrisóstomo | PL |
| Coronel Fernanda | PL |
| Coronel Ulysses | UNIÃO |
| Cristiane Lopes | PODE |
| Da Vitoria | PP |
| Dani Cunha | PL |
| Daniel Agrobom | PSD |
| Daniela Reinehr | PL |
| David Soares | PODE |
| Defensor Stélio Dener | UNIÃO |
| Delegada Ione | PL |
| Delegado Caveira | PL |
| Delegado Fabio Costa | PP |
| Delegado Paulo Bilynskyj | PL |
| Detinha | PL |
| Diego Andrade | PSD |
| Diego Garcia | UNIÃO |
| Domingos Neto | PSD |
| Domingos Sávio | PL |
| Dr. Fernando Máximo | PL |
| Dr. Francisco | PT |
| Dr. Frederico | PL |
| Dr. Ismael Alexandrino | PSD |
| Dr. Jaziel | PL |
| Duda Ramos | PODE |
| Eduardo da Fonte | PP |
| Emidinho Madeira | PL |
| Eros Biondini | PL |
| Evair Vieira de Melo | REPUBLICANOS |
| Fabio Garcia | UNIÃO |
| Fausto Jr. | UNIÃO |
| Felipe Francischini | PODE |
| Filipe Barros | PL |
| Filipe Martins | PL |
| Flávia Morais | MDB |
| General Girão | PL |
| General Pazuello | PL |
| Geovania de Sá | REPUBLICANOS |
| Gilberto Abramo | REPUBLICANOS |
| Gilvan da Federal | PL |
| Giovani Cherini | PL |
| Glaustin da Fokus | PODE |
| Greyce Elias | PL |
| Gustavo Gayer | PL |
| Gustinho Ribeiro | PP |
| Hugo Motta | REPUBLICANOS |
| Icaro de Valmir | REPUBLICANOS |
| Ismael | PL |
| Jadyel Alencar | REPUBLICANOS |
| Jefferson Campos | PL |
| João Carlos Bacelar | PL |
| João Daniel | PT |
| Joaquim Passarinho | PL |
| José Medeiros | PL |
| Josimar Maranhãozinho | PL |
| Josivaldo JP | UNIÃO |
| Julia Zanatta | PL |
| Julio Cesar Ribeiro | REPUBLICANOS |
| Juninho do Pneu | PSDB |
| Junio Amaral | PL |
| Kim Kataguiri | MISSÃO |
| Lafayette de Andrada | PL |
| Lincoln Portela | PL |
| Luiz Carlos Motta | PL |
| Luiz Lima | NOVO |
| Luiz Philippe de Orleans e Bragança | PL |
| Magda Mofatto | PL |
| Marcel van Hattem | NOVO |
| Marcelo Álvaro Antônio | PL |
| Marcelo Moraes | PL |
| Marcio Alvino | PL |
| Márcio Marinho | REPUBLICANOS |
| Marcos Pereira | REPUBLICANOS |
| Marcos Pollon | PL |
| Maria do Rosário | PT |
| Maria Rosas | REPUBLICANOS |
| Mario Frias | PL |
| Matheus Noronha | PL |
| Miguel Lombardi | PL |
| Milton Vieira | REPUBLICANOS |
| Moses Rodrigues | UNIÃO |
| Murilo Galdino | REPUBLICANOS |
| Nely Aquino | PODE |
| Newton Cardoso Jr | MDB |
| Nikolas Ferreira | PL |
| Nilto Tatto | PT |
| Osmar Terra | PL |
| Pastor Sargento Isidório | AVANTE |
| Paulo Freire Costa | PL |
| Paulo Guedes | PT |
| Pedro Lupion | REPUBLICANOS |
| Pompeo de Mattos | PDT |
| Pr. Marco Feliciano | PL |
| Rafael Prudente | MDB |
| Raimundo Santos | PSD |
| Reginaldo Lopes | PT |
| Renilce Nicodemos | MDB |
| Ricardo Ayres | REPUBLICANOS |
| Ricardo Guidi | PL |
| Roberto Duarte | REPUBLICANOS |
| Roberto Monteiro Pai | PL |
| Robinson Faria | PP |
| Rodolfo Nogueira | PL |
| Rosana Valle | PL |
| Rosangela Moro | PL |
| Rosângela Reis | PL |
| Rubens Otoni | PT |
| Rubens Pereira Júnior | PT |
| Ruy Carneiro | PODE |
| Samuel Viana | UNIÃO |
| Sanderson | PL |
| Sargento Fahur | PL |
| Sargento Gonçalves | PL |
| Sidney Leite | PSD |
| Silvio Costa Filho | REPUBLICANOS |
| Silvye Alves | UNIÃO |
| Soraya Santos | PL |
| Sóstenes Cavalcante | PL |
| Stefano Aguiar | PSD |
| Thiago Flores | UNIÃO |
| Vermelho | PL |
| Wilson Santiago | REPUBLICANOS |
| Yury Bruno | MDB |
| Zé Trovão | PL |
| Zé Vitor | PL |
| Zucco | PL |
| TOTAL: 158 | |
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