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Política

Bancada evangélica tem mais coronéis, sargentos e capitães reeleitos

Número de pastores que fazem parte da bancada é pequeno, e os que disputaram praticamente não se salvaram

Bancada evangélica tem mais coronéis, sargentos e capitães reeleitos
Políticos de outros partidos com "pastor" à frente do nome foram derrotados nas urnas, inclusive Otoni de Paula Bruno Spada / Câmara dos Deputados

A bancada evangélica no Congresso não encolheu e se reconfigurou por motivos que não estão relacionados, na essência, à sua atuação à frente dos projetos de interesse do setor religioso. Afinal, grande parte dos reeleitos que compunham esse grupo não são tradicionalmente religiosos.

O Partido Liberal é vitorioso. Na bancada evangélica também. Os principais candidatos que estiveram atuando nesta frente foram reeleitos. Todos os “coronéis, delegados e sargentos”  também foram reeleitos.

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Outra voz expressiva do meio evangélico, e que continua obtendo votos expressivos, é o deputado federal Nikolas Ferreira. Ele se junta a Lucas Pavanato como os candidatos mais votados desta eleição.

A composição da frente é de 212 parlamentares, sendo liderada principalmente pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante, pelo Pastor Marco Feliciano e pelo Pastor Sargento Isidório, do PL, que foi reeleito para a função.

Do total, aproximadamente 158 integrantes foram reeleitos. Outros 54, de partidos como União, PSD e Republicanos, que disputaram o Senado ou outro cargo político, não foram reeleitos e não voltaram para o Congresso Nacional.

A única exceção para o partido de Valdemar foi o Pastor Gil (PL-MA), que renunciou à sua candidatura após uma condenação do Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva.

Na essência, quem perdeu foram os partidos que foram abocanhados pela maior bancada eleita nas duas Casas, Senado e Câmara dos Deputados.

Outros Pastores

Pastores de outros partidos com mais de um mandato na casa acabaram, por tradição, sendo escanteados.

Entre eles, o Pastor Eurico, do PSDB, que recebeu 36 mil votos. Em seu estado, Pernambuco, ele não conseguiu garantir uma cadeira.

O Pastor Diniz (União) também não foi reeleito. O candidato ficou como suplente, com 14 mil votos. O deputado federal e escritor religioso Marcelo Crivella (Republicanos) também não foi reeleito.

Cabe ressaltar que o Pastor Otoni de Paula, que era próximo do bolsonarismo, mas rompeu, não foi reeleito. Ele disputou desta vez pelo PSD, obtendo 19 mil votos, e segue como suplente. O político comprou briga contra o núcleo bolsonarista durante os últimos dois anos, distanciando-se do voto do eleitorado evangélico.

Gilberto Abramo (Republicanos), que exerceu a função de bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, foi reeleito.

Representação evangélica

O Brasilianista entrevistou o Prof. Hilquias Benício da Silva, mestre em Teologia e especialista em Teologia do Novo Testamento, Liderança, Inovação e Gestão (MBA), para entender o processo de renovação conservadora e a representação evangélica no Congresso Nacional.

Como o senhor vê esse movimento? Existe uma diminuição da representatividade evangélica e de candidatos cristãos dentro desse espectro de direita no Congresso Nacional, ou o senhor acredita que esse movimento perdeu força?

Várias figuras já históricas, com vários mandatos consecutivos, não conseguiram se reeleger ou compor alianças. Alguns outros partidos e algumas lideranças evangélicas não conseguiram se eleger, mas são representatividades que geralmente não estão ligadas diretamente a uma candidatura institucional — acho que você deve ter percebido isso também. Há uma boa representatividade de candidatos que se identificam como evangélicos. Ao mesmo tempo, candidatos evangélicos institucionais e tradicionais não conseguiram emplacar, embora isso também tenha acontecido dentro de outros espectros, como com figuras e candidatos expressivos de notoriedade nacional dentro da esquerda, de mandatos consecutivos, que também não conseguiram obter votos suficientes para a eleição deste ano.

Como o professor avalia essa progressão da representatividade evangélica dentro do Congresso Nacional? Essas figuras centrais de que estamos falando, tanto do espectro de direita quanto de esquerda, realmente se conectam com as necessidades do setor na produção legislativa e no bloco parlamentar?

Esses candidatos, como por exemplo o Nikolas, com uma votação tão expressiva como essa, a gente sabe que não foram eleitos simplesmente pelos evangélicos. Há um percentual de pessoas de outras expressões religiosas que também se identifica com essa pauta mais conservadora. Essa representatividade gera isso, não dá para a gente homogeneizar o próprio corpo evangélico no Brasil, que é muito heterogêneo. Então, dentro dele mesmo, sobre ações políticas, votos e propostas dos candidatos, vão acontecer divergências. Isso é algo que a gente encontra no dia a dia. Não necessariamente reflete [todas as vertentes], mas existe um corpo, um núcleo comum de pautas mais conservadoras em favor da vida e da família, onde há uma convergência de campos mais conservadores que não são simplesmente evangélicos, mas também católicos.

Como o senhor avalia essa nova legislatura? O senhor vê que ampliou a quantidade da representatividade cristã?

Ficou evidente e bem surpreendente também nesse cenário da eleição para a Câmara Federal. A gente percebe que os votos na campanha eleitoral não necessariamente vão refletir as escolhas dos eleitores quando se inicia a legislatura. Muitas vezes, a bancada acaba se distanciando um pouco dos eleitores. Tem aqueles deputados mais ideológicos que permanecem firmes naquilo que defendem, e tem aqueles que aproveitam o momento de uma onda de pauta mais conservadora para conseguir angariar votos. 

É isso: tanto os candidatos evangélicos independentes quanto os candidatos evangélicos mais institucionais às vezes se distanciam dessa representatividade. Parecem estar mais próximos do eleitor ou dos anseios do eleitor na campanha, mas, na prática da legislatura, acabam se distanciando por conta do compromisso político mesmo, partidário, de grupo e das negociações que a própria demanda política muitas vezes pressiona e exige.

Qual é a verdadeira motivação do eleitor evangélico ao escolher um candidato? Existe um preconceito ou estereótipo de que essa bancada vota apenas em causa própria ou defende pautas radicais? 

Quando falo do eleitor evangélico, me refiro à regra, não às exceções. O evangélico não vota pensando apenas na sua igreja local ou no seu ministério, mas sim em como aquele parlamentar pode representar os valores e a visão social cristã para o bem comum de toda a sociedade — e não de apenas uma parcela dela.

Por isso, quem se diz evangélico e adota uma postura de não dialogar ou não respeitar o outro fere os próprios valores da fé, que ensina a lidar com a divergência. Há firmeza em combater certas ideias, mas com respeito às pessoas. Criou-se um estereótipo de que o evangélico é intolerante ou adepto da "teologia do domínio", como no bordão "bandido bom é bandido morto". Isso não reflete a visão evangélica; apenas um grupo muito pequeno pensa assim.

Em pautas como a segurança pública, por exemplo, o eleitor evangélico entende que não basta uma discussão simplória entre endurecimento de penas ou medidas socioeducativas. É preciso punir quem comete crimes, mas também trabalhar a ressocialização. O meio evangélico é plural e traz essa complexidade para o debate público.

Bancada no Senado

Outro fato peculiar é que a taxa de renovação no Senado, com a eleição de deputados que fazem parte da sigla, foi alta para o PL.

Os eleitos que deixaram de ser deputados para ocupar uma cadeira no Senado são: o deputado federal Sanderson (PL-RS), o deputado federal José Medeiros (PL-MT), Gustavo Gayer (PL-GO), Bia Kicis (PL-DF), Filipe Barros (PL-PR), Gilvan da Federal (PL-ES), Dr. Fernando Máximo (PL-RO), Domingos Sávio (PL-MG), Caroline de Toni (PL-SC), Capitão Alberto Neto (PL-AM), Cabo Gilberto Silva (PL-PB), André Fufuca (PP-MA) e Alexandre Guimarães (MDB-TO).

Confira abaixo a lista de candidatos que já tinham mandato, integravam a frente e foram reeleitos.

Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional
Deputado SignatárioPartido
Adail FilhoMDB
Adriana VenturaNOVO
Afonso HammPP
Afonso MottaPDT
Alencar SantanaPT
Alexandre GuimarãesMDB
Altineu CôrtesPL
Aluisio MendesREPUBLICANOS
Ana Paula LimaPT
André FernandesPL
André FerreiraPL
André FufucaPP
André JanonesREDE
Antonio AndradePSDB
Antonio BritoPSD
Augusto CoutinhoREPUBLICANOS
Aureo RibeiroSOLIDARIEDADE
BebetoPP
Bia KicisPL
Bibo NunesPL
Bohn GassPT
Cabo Gilberto SilvaPL
Capitão Alberto NetoPL
Capitão AldenPL
Capitão AugustoPL
Carlos GomesREPUBLICANOS
Carlos JordyPL
Carlos VerasPT
Carlos ZarattiniPT
Caroline de ToniPL
Celso RussomannoREPUBLICANOS
Coronel AssisPL
Coronel ChrisóstomoPL
Coronel FernandaPL
Coronel UlyssesUNIÃO
Cristiane LopesPODE
Da VitoriaPP
Dani CunhaPL
Daniel AgrobomPSD
Daniela ReinehrPL
David SoaresPODE
Defensor Stélio DenerUNIÃO
Delegada IonePL
Delegado CaveiraPL
Delegado Fabio CostaPP
Delegado Paulo BilynskyjPL
DetinhaPL
Diego AndradePSD
Diego GarciaUNIÃO
Domingos NetoPSD
Domingos SávioPL
Dr. Fernando MáximoPL
Dr. FranciscoPT
Dr. FredericoPL
Dr. Ismael AlexandrinoPSD
Dr. JazielPL
Duda RamosPODE
Eduardo da FontePP
Emidinho MadeiraPL
Eros BiondiniPL
Evair Vieira de MeloREPUBLICANOS
Fabio GarciaUNIÃO
Fausto Jr.UNIÃO
Felipe FrancischiniPODE
Filipe BarrosPL
Filipe MartinsPL
Flávia MoraisMDB
General GirãoPL
General PazuelloPL
Geovania de SáREPUBLICANOS
Gilberto AbramoREPUBLICANOS
Gilvan da FederalPL
Giovani CheriniPL
Glaustin da FokusPODE
Greyce EliasPL
Gustavo GayerPL
Gustinho RibeiroPP
Hugo MottaREPUBLICANOS
Icaro de ValmirREPUBLICANOS
IsmaelPL
Jadyel AlencarREPUBLICANOS
Jefferson CamposPL
João Carlos BacelarPL
João DanielPT
Joaquim PassarinhoPL
José MedeirosPL
Josimar MaranhãozinhoPL
Josivaldo JPUNIÃO
Julia ZanattaPL
Julio Cesar RibeiroREPUBLICANOS
Juninho do PneuPSDB
Junio AmaralPL
Kim KataguiriMISSÃO
Lafayette de AndradaPL
Lincoln PortelaPL
Luiz Carlos MottaPL
Luiz LimaNOVO
Luiz Philippe de Orleans e BragançaPL
Magda MofattoPL
Marcel van HattemNOVO
Marcelo Álvaro AntônioPL
Marcelo MoraesPL
Marcio AlvinoPL
Márcio MarinhoREPUBLICANOS
Marcos PereiraREPUBLICANOS
Marcos PollonPL
Maria do RosárioPT
Maria RosasREPUBLICANOS
Mario FriasPL
Matheus NoronhaPL
Miguel LombardiPL
Milton VieiraREPUBLICANOS
Moses RodriguesUNIÃO
Murilo GaldinoREPUBLICANOS
Nely AquinoPODE
Newton Cardoso JrMDB
Nikolas FerreiraPL
Nilto TattoPT
Osmar TerraPL
Pastor Sargento IsidórioAVANTE
Paulo Freire CostaPL
Paulo GuedesPT
Pedro LupionREPUBLICANOS
Pompeo de MattosPDT
Pr. Marco FelicianoPL
Rafael PrudenteMDB
Raimundo SantosPSD
Reginaldo LopesPT
Renilce NicodemosMDB
Ricardo AyresREPUBLICANOS
Ricardo GuidiPL
Roberto DuarteREPUBLICANOS
Roberto Monteiro PaiPL
Robinson FariaPP
Rodolfo NogueiraPL
Rosana VallePL
Rosangela MoroPL
Rosângela ReisPL
Rubens OtoniPT
Rubens Pereira JúniorPT
Ruy CarneiroPODE
Samuel VianaUNIÃO
SandersonPL
Sargento FahurPL
Sargento GonçalvesPL
Sidney LeitePSD
Silvio Costa FilhoREPUBLICANOS
Silvye AlvesUNIÃO
Soraya SantosPL
Sóstenes CavalcantePL
Stefano AguiarPSD
Thiago FloresUNIÃO
VermelhoPL
Wilson SantiagoREPUBLICANOS
Yury BrunoMDB
Zé TrovãoPL
Zé VitorPL
ZuccoPL
TOTAL: 158

 

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