As eleições de 2026 podem revelar mais uma camada relevante sobre a política brasileira. Caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vença no segundo turno, essa será a segunda vez consecutiva que um presidente não se reelege desde a redemocratização.
Porém, segundo Rodrigo Prando, cientista político e docente da Universidade Presbiteriana Mackenzie, se Lula não vencer é um sinal de que seu governo foi mal avaliado, não necessariamente que os brasileiros se cansaram da reeleição.
"Geralmente a reeleição é quase que, por muitos, entendida como uma eleição plebiscitária. Hoje a pergunta principal é: o presidente merece continuar? Sim ou não? Até esse momento, é o presidente Lula que teve, ao longo desse terceiro mandato, uma avaliação negativa alta, ou seja, aqueles que avaliaram o governo como ruim e péssimo, foi muito maior do que aqueles que avaliaram o governo como ótimo e bom. Então, o elemento que costuma ser determinante para o sucesso, ou para o insucesso do incumbente, daquele que busca a reeleição, é a avaliação do governo. E nesse quesito, o Lula teve dificuldade", explica o professor.
Além disso, Lula disputa direta, ou indiretamente, a Presidência da República desde 1989, bem como já foi reeleito uma vez.
"O Lula perdeu para o Collor em 89, perdeu para o Fernando Henrique em 94 e 98 no primeiro turno, foi vitorioso duas vezes no segundo turno, fez a sucessora duas vezes no segundo turno, quando foi preso, o Haddad foi derrotado por Bolsonaro no segundo turno, e por fim, ele ganhou do Bolsonaro em 2022 no segundo turno, e agora vai com o filho do Bolsonaro para o segundo turno. Então, não é necessariamente um cansaço da reeleição, mas fatores como o desgaste pelo tempo que o Lula está exposto", afirma o especialista.
Em geral, aquilo que faz um incumbente ser reeleito é uma avaliação positiva do governo.
"Como as pessoas avaliam o governo é um elemento importantíssimo em relação à reeleição do candidato. Claro que essa avaliação ela também leva em conta fatores como a condição de vida economicamente falando, a sensação de segurança, o bem-estar, a qualidade de vida, que são elementos que justamente compõem as variáveis que levam em conta se um governo é bem ou mal avaliado", reitera.
O efeito das abstenções
A abstenção registrada no primeiro turno das eleições de 2026 no Brasil foi de 33,4 milhões de eleitores (21,08%), a maior desde 1998, quando atingiu 21,5%. Já os votos brancos (1,84%) e nulos (2,93%) somaram 4,77% em 2026. Juntos, abstenções, nulos e brancos chegam a quase 40 milhões.
Nos últimos oito anos, o que se observa é um empobrecimento dos debates políticos entre os candidatos à presidência, que pouco apresentaram suas propostas.
Para Prando, o fenômeno da abstenção acontece por vários motivos: pessoas que moram distantes da seção eleitoral e têm custo para votar, pessoas mais velhas com mais algum problema de saúde, pessoas discrentes da política e dos políticos, e aqueles que também não votam porque entendem que nenhum candidato os representa, não consegue mobilizá-los.
"A abstenção é explicada por esses fatores e, claro, tem muitos que vão à urna e acabam anulando sem querer o voto, anulando por querer ou votando em branco. Quem anula por querer e vota em branco também vai à votação para não ter problema depois com a Justiça Eleitoral, ter que justificar ou pagar a multa", comenta.
Ainda assim, ele alerta que o real problema está naqueles brasileiros que não se sentem representados e anulam ou votam em branco para deixar claro que nenhum daqueles que concorrem são capazes de representar aquilo que o eleitor quer, deseja e pensa.
Veja mais notícias de O Brasilianista nas redes sociais

