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Geopolítica

O apoio definitivo que a Paramount precisava para comprar a Warner

Um acordo com os estados americanos que alegavam práticas antitruste permitiu o aval definitivo para a megafusão

Paramount e Warner
A união das gigantes do entretenimento avaliada em US$ 81 bilhões está prevista para a próxima terça-feira (06) (Fotos via Wikimedia Creative Commons)

A fusão da Paramount com a Warner Bros. Discovery avançou de vez. Na última quarta-feira (30), uma juíza federal dos Estados Unidos aprovou o acordo da Paramount com 12 estados americanos que processaram a empresa para tentar barrar a compra. 

Agora, a união das gigantes do entretenimento avaliada em US$ 81 bilhões está prevista para a próxima terça-feira (06).

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Reportagem da Associated Press mostrou que a juíza distrital Araceli Martínez-Olguín avaliou a proposta de consentimento como “justa, razoável e de boa-fé” para lidar com danos concorrenciais alegados na ação.

Com a decisão da Justiça americana, a Paramount já anunciou Ynon Kreiz, atual CEO da Mattel, como co-CEO ao lado de David Ellison.

O negócio era visto com maus olhos, especialmente para as companhias que acreditam que a junção de Paramount e Warner irá desestruturar a rede de concorrência. Cerca de 12 Estados americanos e o Sindicato dos Roteiristas alegavam práticas antitruste para impedir a megafusão.

O grupo sustentava que a fusão viola a Lei Antitruste Clayton, legislação que restringe operações capazes de reduzir significativamente a concorrência nos mercados norte-americanos.

Segundo os procuradores, a empresa resultante da união passaria a controlar uma parcela expressiva do mercado de distribuição cinematográfica e da televisão por assinatura.

Porém, na semana passada, os estados concordaram em encerrar o processo em troca de compromissos da Paramount. Com o acordo aprovado pela juíza, a companhia se compromete a: aumentar a produção de filmes nos EUA nos próximos cinco anos; destinar dezenas de milhões de dólares a um fundo para trabalhadores afetados; e criar um mecanismo de monitoramento editorial para CNN e CBS.

A Paramount ainda assumiu metas como elevar gastos com produção de filmes nos EUA em ao menos US$ 1,5 bilhão em cinco anos e cumprir um volume mínimo de lançamentos nos cinemas.

Além disso, a empresa distribuirá 30 filmes por ano nos próximos dois anos e 32 por ano nos três anos seguintes, mas apenas metade poderá ser produzida ou coproduzida pelo grupo.

Em caso de descumprimento das medidas, a Paramount poderá ser obrigada a se desfazer da Miramax e pagar US$ 30 milhões por filme não entregue para fundos de saúde e aposentadoria ligados ao sindicato de roteiristas e outras entidades.

Os efeitos da fusão

O Brasilianista já mostrou como a combinação deve reunir os estúdios Paramount Pictures e Warner Bros., além de marcas como CBS, CNN, TNT, MTV, BET, HBO Max e Paramount+, ampliando significativamente sua participação na indústria audiovisual.

Um dos principais questionamentos envolve o tamanho que o novo conglomerado poderá alcançar. Na avaliação dos estados que moveram a ação, a empresa combinada controlaria quase um terço da distribuição de filmes de grande lançamento e parcela semelhante da programação da televisão por assinatura nos Estados Unidos.

A Paramount contestou essas alegações e afirmou que os argumentos antitruste não refletem a realidade atual do setor de entretenimento.

A companhia sustenta que a concorrência passou a incluir grandes plataformas de streaming e empresas de tecnologia, alterando a dinâmica do mercado em relação ao modelo tradicional de televisão e cinema.

Vale lembrar que, antes da Paramount, outro potencial comprador da Warner foi a Netflix, que viu suas ações se valorizarem com o anúncio de fusão com a Warner.

A gigante do streaming anunciou um acordo para comprar a divisão de estúdios e streaming da Warner Bros. Discovery por cerca de US$ 82,7 bilhões, pagando US$ 27,75 por ação em uma combinação de dinheiro e ações. A estrutura previa que a Warner separaria antes sua divisão de canais lineares (Discovery Global), que passaria a ser uma empresa independente.

Porém, em janeiro e fevereiro deste ano, quando a Paramount Skydance considerou a proposta da Netflix baixa, resolveu apresentar uma oferta superior. O valor inicialmente era acima de US$ 108 bilhões e depois elevada para aproximadamente US$ 111 bilhões, incluindo toda a Warner Bros. Discovery, sem separar os canais de TV.

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