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Justiça

Os advogados no entorno de Flávio Bolsonaro

Chefe jurídico da campanha dividiu causas com irmã e amigo de Nunes Marques

Flávio Bolsonaro
Willer Tomaz tenta recuperar R$ 163 milhões perdidos em apostas Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Dois advogados ligados a Flávio Bolsonaro (PL) aparecem em novas revelações publicadas nesta semana.

As histórias são distintas, mas alcançam personagens que já circulam no entorno político, jurídico e pessoal do candidato à Presidência.

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De um lado está Tracy Joseph Reinaldet dos Santos, responsável pela coordenação jurídica da campanha de Flávio, que atuou em processos ao lado da irmã do ministro Kassio Nunes Marques e de um advogado que o próprio magistrado reconhece como amigo.

Do outro está Willer Tomaz, advogado e amigo de Flávio que já apareceu em viagens, imóveis e negócios relacionados ao senador.

Documentos de uma ação judicial mostram agora que Tomaz movimentou bilhões de reais em jogos on-line e tenta recuperar R$ 163 milhões que afirma ter perdido na Blaze.

Tracy Reinaldet

Tracy ocupa posição estratégica na estrutura jurídica da campanha presidencial de Flávio.

Reportagem da newsletter Noites Húngaras, em parceria com o ICL Notícias, identificou processos em que ele trabalhou ao lado de Karine Nunes Marques, irmã do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, e do advogado Otto Medeiros de Azevedo Júnior.

Registros do Superior Tribunal de Justiça confirmam que Tracy, Karine e Otto aparecem conjuntamente entre os advogados de Walter Faria, empresário ligado à Cervejaria Petrópolis, em diferentes processos.

Em um conflito de competência no STJ, por exemplo, os três constam formalmente na defesa. A atuação conjunta entre advogados não constitui irregularidade por si só.

Processo de Flávio

Tracy também representa diretamente Flávio Bolsonaro em ações no Supremo. Uma delas é a Petição 16.220, protocolada em junho deste ano. O cadastro público do STF registra Flávio como requerente, Tracy como um de seus advogados e Kassio Nunes Marques como relator.

A ação surgiu de uma notícia-crime apresentada por Flávio contra o presidente Lula por declarações feitas durante um evento em Goiás.

Até o momento da apuração, o processo permanecia no gabinete de Nunes Marques.

A existência da parceria profissional anterior entre Tracy, Otto e Karine também não estabelece automaticamente impedimento de Nunes Marques em processos nos quais Tracy atue.

A reportagem que revelou os vínculos questiona, porém, como os critérios de impedimento adotados pelo próprio ministro se aplicam às diferentes relações profissionais existentes entre os advogados de seu entorno.

Willer e apostas

Segundo documentos de uma ação apresentada à 44ª Vara Cível de São Paulo, Tomaz apostou quase R$ 5 bilhões em jogos on-line durante 2025.

Apenas na Blaze, o relatório citado no processo registra R$ 4,8 bilhões em ganhos e R$ 4,963 bilhões em perdas em jogos de cassino, deixando saldo negativo próximo de R$ 163 milhões.

Tomaz agora tenta recuperar judicialmente esse dinheiro. A defesa afirma que ele sofre de ludopatia e sustenta que a plataforma deveria ter adotado medidas para interromper as apostas diante do volume movimentado.

Um laudo médico apresentado ao processo afirma que o advogado iniciou tratamento.

A Blaze contesta as alegações. Segundo as informações divulgadas sobre o processo, a empresa também questiona a forma como os valores são calculados pela defesa.

Bilhões movimentados

A escala das operações chama atenção. Apenas em 2025, os depósitos de Tomaz na Blaze teriam somado aproximadamente R$ 300 milhões, contra R$ 137 milhões em saques.

Em uma das conversas apresentadas no processo, Tomaz reclamou das exigências de reconhecimento facial para realizar saques e pediu que os limites das operações fossem aumentados.

A coluna do Metrópoles relata ainda que ele chegou a receber tratamento VIP e tinha um funcionário da plataforma dedicado a atendê-lo por WhatsApp.

A defesa argumenta que houve falhas nos mecanismos de jogo responsável e afirma que Tomaz tentou bloquear sua conta.

Parte das provas apresentadas inclui capturas de conversas atribuídas ao advogado, embora alguns dos registros não apresentem identificação do remetente ou data.

Voo com Flávio

Um dos dias registrados no histórico de apostas coincide com uma viagem já noticiada pelo O Brasilianista.

Em 19 de janeiro de 2025, Willer voltou dos Estados Unidos ao Brasil em um jatinho acompanhado de Flávio Bolsonaro, da mulher do senador e das duas filhas.

Naquele mesmo dia, segundo o histórico da Blaze, Tomaz depositou R$ 500 mil pela manhã, chegou a sacar R$ 1 milhão e terminou posteriormente com novas perdas.

O avião usado na viagem, um Legacy 650, tinha uma cota pertencente a uma empresa de Tomaz e outra ligada à Prime You, companhia que tinha Daniel Vorcaro entre seus sócios naquele período.

O Brasilianista já mostrou que Willer também aparece relacionado a imóveis utilizados ou frequentados pela família de Flávio.

O senador passou parte da campanha em um apartamento de uma empresa do advogado em São Paulo e comemorou o aniversário de uma das filhas em uma residência de Angra dos Reis da qual Tomaz era cotista.

Tomaz afirmou anteriormente que não conhecia Vorcaro e disse ter custeado integralmente o voo no qual transportou Flávio e sua família.

Outras apurações

O nome de Willer também aparece na investigação da Operação Sem Desconto, relacionada aos desvios de recursos de aposentados e pensionistas do INSS.

Relatório da Polícia Federal descreveu o advogado como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” de investigados.

A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro. Tomaz contesta as acusações e afirma não ter participado dos desvios de benefícios previdenciários.

O Brasilianista está aberto a manifestações dos citados e atualizará a reportagem caso receba posicionamentos.

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