O trabalho do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) foi avaliado como péssimo por 34% dos entrevistados pelo Datafolha.
O resultado desta avaliação passa diretamente pelas decisões fiscais adotadas pelo governo federal ainda no fim de 2024.
Para contextualizar a avaliação, o governo federal era cobrado por mudanças no padrão de gastos e por equilíbrio nas contas públicas. A cobrança se intensificou após a apresentação do pacote fiscal proposto por Haddad e pela então ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.
A mensagem ao mercado financeiro sobre o pacote de cortes não foi bem recebida, sendo considerada insuficiente para alterar a trajetória da dívida pública.
Trajetória Fiscal

Recentemente, a Instituição Fiscal Independente (IFI) publicou um balanço no qual informa que o governo federal ainda terá dificuldades para cumprir a meta de superávit primário de R$ 18,6 bilhões. Esse valor consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027.
No entanto, essa meta não deve ser cumprida, indicando que a gestão caminha na direção oposta: um déficit de R$ 86 bilhões. Para controlar as contas, a IFI projeta que a próxima gestão deverá congelar ao menos R$ 35 bilhões.
Haddad também lidou com outros desgastes, como a "Taxa das Blusinhas".
Conforme explicou O Brasilianista, o programa Remessa Conforme e a aprovação do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 foram uma das principais críticas à gestão — tendo a medida sido revogada depois que o governo federal apresentou uma medida provisória.
Outras tributações geraram rejeição no setor produtivo, como o retorno do Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf) e a recriação do voto de qualidade a favor do governo em disputas entre grandes instituições e a Receita Federal.
Soma-se a isso a tributação de fundos exclusivos e offshores, mencionada principalmente pelo presidente Lula no discurso de "taxar os super-ricos". A medida respingou também no Ministério da Fazenda.
Haddad no Senado
Fernando Haddad estava convencido de que não iria disputar o Executivo. Ao menos essa era a avaliação interna.
Ele deixou o cargo de ministro para focar na campanha de reeleição de Lula.
Para Haddad, as primeiras pesquisas publicadas para o Senado o indicavam na liderança para ocupar uma das vagas, com 40,3% das intenções de voto, segundo o Paraná Pesquisas. Eduardo Bolsonaro aparecia com 30,7%.
Derrota nas Eleições

Após avaliação interna do PT, Lula achou melhor indicar um nome forte para a disputa do governo de São Paulo, garantindo assim um palanque majoritário. São Paulo é o maior colégio eleitoral do país, onde o partido enfrenta historicamente dificuldades e resistência em eleições estaduais.
Vale lembrar que essa não é a primeira vez que o petista disputa um cargo no Executivo. Haddad concorreu à Presidência da República em 2018 contra Jair Messias Bolsonaro — ocasião em que substituiu Lula, que estava inelegível devido às condenações da Lava Jato.
O ex-prefeito de São Paulo também disputou o governo estadual em 2022 contra Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que consolidou a vitória no segundo turno com 55,27% dos votos.
Prestes a pleitear novamente as eleições contra o favorito nas pesquisas, Haddad tem 33,3% das intenções de voto, de acordo com o Paraná Pesquisas. Tarcísio lidera a disputa pela reeleição com 50,7%.
A Prefeitura
Haddad passou pela Prefeitura de São Paulo ao assumir o cargo de prefeito em 2012, quando venceu a disputa contra o ex-prefeito José Serra (PSDB).
Quando disputou a reeleição, em 2016, o contexto político atingiu diretamente o seu partido, no momento em que o Congresso Nacional votou pelo impeachment de Dilma Rousseff.
Haddad perdeu aquela eleição com 16,7% dos votos, enquanto João Doria obteve 53,29% — definindo o resultado para a Prefeitura ainda no primeiro turno.
A Gestão

O principal marco da gestão municipal foi a renegociação da dívida com o Governo Federal, decorrente de investimentos na área de infraestrutura e da emissão de pagamentos de precatórios no início dos anos 2000.
O valor do débito caiu de R$ 79 bilhões para R$ 29 bilhões em fevereiro de 2016. No último ano de gestão, houve uma mudança na forma de aplicar o indexador da dívida, com base em um acordo entre o então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e a presidente Dilma Rousseff.
Entre as principais críticas à gestão municipal está o fato de que Haddad, em quatro anos, cumpriu apenas duas das oito metas na área de educação. Ele justificou o não cumprimento das demais alegando que o resultado “dependia de outras esferas de governo”, incluindo a esfera federal.
Haddad havia prometido 100 mil vagas para o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), além de criar novas matrículas para a Educação de Jovens e Adultos (20 mil vagas).
Ele também estabeleceu como meta a expansão de Centros de Educação Infantil (CEIs) e de Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs) — ao todo, previa-se a construção de 243 CEIs e 65 EMEIs.
A gestão também ficou marcada pela escassez de grandes investimentos na área: o ex-prefeito entregou apenas uma unidade do Centro Educacional Unificado (CEU) e não conseguiu zerar as filas creches.
Saúde
De acordo com levantamento da Folha de S.Paulo, com base em auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP), Haddad descumpriu nove metas na área da saúde.
O ex-prefeito prometeu inaugurar três hospitais, nas regiões de Brasilândia, Parelheiros e Vila Matilde, mas não obteve êxito na entrega.
Haddad também prometeu implementar 20 prontos-socorros, além de outros cinco hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) — contudo, segundo a auditoria, a gestão cumpriu apenas 22,5% da meta.
O único item integralmente cumprido, segundo o TCM, foi a criação de 12 consultórios na rua voltados ao atendimento odontológico e ao tratamento do abuso de drogas.
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