Economia

Light sai da recuperação judicial após acumular R$ 11 bilhões em dívidas

Nelson Tanure, principal acionista da companhia, deixa o setor de energia elétrica após investigações envolvendo a Ligga Telecom

Light conclui obrigações de recuperação judicial após acumular R$ 11 bilhões em dívidas
Investidor perdeu suas participações na Light e na Alliança Saúde após a venda de créditos da empresa de telecomunicações por parte dos bancos Reprodução/Light

A Justiça do Rio de Janeiro encerrou o processo de recuperação judicial da distribuidora de energia Light após três anos. A empresa cumpriu todas as obrigações previstas no plano de recuperação.

A companhia acumulava uma dívida bilionária de cerca de R$ 11 bilhões em debêntures e títulos externos.

Entre os principais motivos da crise estavam o alto índice de furto de energia, predominante em áreas controladas por organizações criminosas, a devolução de créditos tributários e as incertezas sobre a renovação da concessão, que venceria em 2026.

Apenas oito dias após a companhia anunciar o pedido de recuperação judicial, o empresário Nelson Tanure, por meio de fundos da WNT, tornou-se o principal acionista, passando a deter 10% da empresa.

Em 2023, Tanure ampliou sua influência no controle da companhia ao ser eleito pelo conselho de administração com quase 90% dos votos. No mesmo ano, expandiu sua fatia acionária de 10% para 30%.

Junto com os acionistas Ronaldo Cezar Coelho e Carlos Alberto Sicupira, a WNT alcançou 35% do capital da companhia em 2024, consolidando o grupo como principal controlador. Eles atuaram como os centrais articuladores para destravar a recuperação judicial.

O plano de recuperação

Em 2024, 99% do conselho aprovou o plano de recuperação judicial. A proposta previa uma capitalização de até R$ 1,5 bilhão, dos quais cerca de R$ 1 bilhão viria do aporte desses três principais acionistas.

O restante seria destinado à conversão de créditos em ações e ao pagamento integral de credores com saldos de até R$ 30 mil. Com esse acordo, a Justiça homologou o plano.

Em 2025, Nelson Tanure voltou a deter 30% das ações e, meses depois, reduziu sua fatia para 18,9%. Ronaldo Cezar Coelho assumiu a maior participação individual na companhia.

Operação Compliance Zero

Tanure tornou-se alvo da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bancárias. A PF sustentou que o empresário atuava como sócio oculto do Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado à Ligga Telecom.

Instituições financeiras como BTG Pactual e Santander executaram garantias relativas a uma dívida de R$ 1,2 bilhão ligada à empresa de telecomunicações — operação na qual Tanure havia financiado a aquisição da Ligga. Como consequência, o investidor perdeu suas participações acionárias na Light e na Alliança Saúde.

Seus advogados negam qualquer irregularidade e afirmam que ele atuou estritamente como cliente da instituição financeira. Por decisão do STF, Tanure teve seus bens bloqueados.

Saída do Conselho

Em março deste ano, Tanure renunciou ao conselho de administração da empresa de energia. Em sua carta de renúncia, declarou já ter cumprido sua contribuição com o setor e que era o momento de encerrar definitivamente sua participação no investimento.

Após sua saída da companhia, o Tribunal de Contas da União (TCU) homologou o processo de prorrogação da concessão de distribuição por 30 anos. O Ministério de Minas e Energia assinou o novo contrato com a distribuidora, garantindo a prestação do serviço até 2056.

Apesar do encerramento do plano de recuperação, a distribuidora ainda possui obrigações vincendas. A Justiça determinou o cumprimento dos prazos de vencimento futuro e de execução continuada.

Na decisão, o magistrado avaliou que manter a empresa sob o status formal de recuperação judicial traria prejuízos às operações, dificultando o acesso a novos créditos no mercado.

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