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Justiça

Site reúne 66 mil mensagens de Vorcaro e permite buscas por conversas

MasterWhats reproduz visual do WhatsApp e organiza diálogos atribuídos ao ex-dono do Banco Master com Alexandre de Moraes e outros 23 contatos

Masterwhats
Plataforma permite buscar termos, navegar pelas datas das conversas e compartilhar trechos por meio de links Foto: Reprodução/MasterWhats

As milhares de mensagens extraídas dos celulares de Daniel Vorcaro durante as investigações do Banco Master ganharam uma nova forma de consulta.

O MasterWhats reúne 66.387 mensagens atribuídas ao ex-banqueiro em 24 conversas, organizadas em uma interface que reproduz o funcionamento do WhatsApp Web.

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O conteúdo compreende registros entre dezembro de 2023 e novembro de 2025.

A plataforma permite pesquisar palavras e nomes, selecionar datas, consultar perfis dos interlocutores e compartilhar trechos específicos por meio de links.

Também apresenta referências para reportagens e documentos utilizados na organização do material.

Entre as conversas disponibilizadas estão registros envolvendo Alexandre de Moraes, integrantes da estrutura do Banco Master e a influenciadora Martha Graeff.

Duas bases

O próprio MasterWhats explica que o banco de dados foi construído a partir de dois conjuntos diferentes de informações que chegaram ao público.

O primeiro reúne 65.772 mensagens entre Vorcaro e Martha Graeff, divulgadas em março deste ano.

O segundo utiliza informações do relatório produzido pela Polícia Federal a partir do iPhone apreendido do empresário, cuja retirada de sigilo tornou públicos diálogos e registros envolvendo Moraes e outros 22 personagens.

A plataforma não é um sistema oficial da Polícia Federal, do Supremo Tribunal Federal ou de qualquer outro órgão envolvido na investigação.

Trata-se de uma iniciativa privada que reorganiza materiais que seu responsável afirma terem sido obtidos a partir de documentos e conteúdos que se tornaram públicos.

O próprio site lista entre suas fontes reportagens da CNN Brasil, Poder360, ND Mais e Brasil de Fato, além de referências ao relatório policial.

Busca por nomes

A página inicial destaca algumas das mensagens que passaram a ganhar importância com os novos desdobramentos do Caso Master.

Entre elas está a pergunta feita por Vorcaro dois dias antes de sua prisão sobre a necessidade de estar fora do país na segunda-feira seguinte.

O site também permite localizar registros em que aparecem referências ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Outro conjunto reúne mensagens relacionadas ao contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes.

A ferramenta facilita a localização desses registros sem a necessidade de percorrer individualmente centenas de páginas de documentos ou sequências extensas de mensagens.

A presença de uma pessoa em uma conversa ou a menção de seu nome, porém, não significa participação em irregularidade.

O contexto de cada diálogo e sua relevância para as investigações precisam ser analisados separadamente.

Quem criou

O MasterWhats identifica Rafael Bressan como responsável pelo projeto e informa que a ferramenta foi desenvolvida com auxílio do Claude Code.

O código-fonte também foi disponibilizado publicamente no GitHub.

Bressan é designer e profissional da área de produtos financeiros e tecnologia. Seu perfil profissional o apresenta atualmente ligado à Stone, no Rio de Janeiro.

Ele também foi um dos fundadores da fintech Trampolin, posteriormente adquirida pela companhia.

A trajetória profissional inclui trabalhos relacionados a produtos bancários, meios de pagamento e serviços financeiros digitais.

Antes da Stone, também teve passagens por projetos ligados à Investtools e à NG.CASH.

Passagem pela PUC

Bressan estudou Design na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Documentos da própria universidade registram seu nome entre alunos da área, enquanto seu perfil profissional também apresenta a instituição em sua formação acadêmica.

Uma manifestação política pública envolvendo seu nome remonta a 14 de julho de 2014, quando ele apareceu entre os signatários de uma carta aberta dirigida à reitoria da PUC-Rio.

O documento foi elaborado após a prisão de ativistas ligados às manifestações que ocorreram entre 2013 e 2014.

A carta classificava as detenções como ilegais e de caráter político e cobrava um posicionamento da universidade sobre o episódio. Bressan aparece identificado na lista como aluno de Design/Desenho Industrial.

A assinatura ocorreu mais de uma década antes da criação do MasterWhats e, isoladamente, não permite estabelecer orientação partidária atual nem relação política entre aquele posicionamento e a decisão de desenvolver a plataforma.

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