A inflação do Brasil dos últimos 12 meses está acumulada em 4,44% de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice é o que faz os preços de alimentos e produtos subirem de um mês para o outro, ou mesmo anualmente.
Em geral, é responsabilidade do governo, por meio do Banco Central (BC), controlar esse indicador para que a população consiga manter os hábitos de consumo e o poder de compra.
Nesse sentido, a política monetária, juntamente com a política fiscal, são os principais instrumentos para gestão e estabilização da economia de um país. O objetivo do BC é controlar a disponibilidade de moeda que existe na economia através de uma taxa de juros — no caso do Brasil, a Selic, que pode ou não mudar a cada 45 dias, quando tem uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) — e isso define o preço do acesso à moeda.
O acesso à moeda é nada menos do que a possibilidade de um cidadão pegar dinheiro emprestado e se o banco vai aceitar emprestar esse dinheiro ou não.
A inflação que, muitas vezes, pode parecer “uma alta generalizada dos preços”, é, na verdade, uma desvalorização da moeda, que por sua vez é o bem que mede o valor de todas as outras coisas.
Para controlar a inflação, é necessário fazer uso de uma taxa de juros (Selic) com a qual a instituição responsável estimula ou desestimula o sistema financeiro a colocar ou retirar mais dinheiro.
Os instrumentos do Banco Central
O Banco Central, portanto, controla a demanda, não o preço de cada produto. O principal instrumento é a Selic, usada pela autarquia para esfriar ou estimular a economia. Juros mais altos encarecem crédito, reduzem consumo e investimento e ajudam a conter pressões de demanda, enquanto os juros mais baixos fazem o contrário.
Atualmente, a Selic está mantida em 14% ao ano, um dos patamares mais elevados da taxa na história da economia brasileira. Por isso, a compra é desestimulada e a inflação tende a baixar.
O BC também atua sobre as expectativas de inflação. Se empresas, trabalhadores e investidores acreditam que a inflação ficará alta, isso pode alimentar reajustes de preços, salários e contratos. No entanto, o BC não consegue impedir diretamente uma alta de petróleo, alimentos ou energia causada por um choque externo.
É justamente por isso que a política monetária precisa avaliar se um choque temporário está contaminando outros preços e expectativas.
O regime atual trabalha com uma meta de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Desde 2025, a meta é contínua: o cumprimento é avaliado mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses.
A política fiscal
O Executivo não define a Selic, mas suas decisões econômicas podem aumentar ou diminuir a pressão inflacionária. Entre os principais canais estão: gastos públicos, transferências de renda, investimentos, subsídios, crédito direcionado, políticatributária e preços administrados pelo governo.
Se o governo aumenta a demanda em uma economia já aquecida, pode gerar pressão sobre preços. Por outro lado, uma política fiscal mais equilibrada pode ajudar o BC a combater a inflação com menos juros. Ou seja, política fiscal e a política monetária não são independentes em seus efeitos sobre a economia.
O Congresso Nacional, por sua vez, também tem o poder de ajudar no combate do aumento da inflação a partir de medidas legislativas como aprovação de aumento ou criação de despesas, mudanças em benefícios e programas sociais, alterações tributárias, regras fiscais, marcos regulatórios, mudanças que afetem concorrência e custos empresariais e decisões sobre preços administrados e setores regulados.
Fatores externos
Apesar de todas essas possibilidades, há um fator que ninguém no Brasil controla: os eventos externos. Justamente por esse motivo, é possível afirmar que o governo não é o único responsável por modificar a inflação.
Cenários como o preço internacional do petróleo e outras commodities, guerras e conflitos, clima e produção agrícola — como é o caso do El Niño/La Niña —, crises de oferta, juros dos Estados Unidos, valorização ou desvalorização do dólar, ou mesmo interrupções nas cadeias globais de produção podem influenciar em como o BC pode estruturar a melhor solução para a inflação brasileira.

