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Política

Centrão se aproxima de Lula e mantém distância de Flávio Bolsonaro

União Brasil, PP e Republicanos adotam neutralidade

Centrão se aproxima de Lula e mantém distância de Flávio Bolsonaro

A relação entre o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os principais líderes do Congresso ganhou novos sinais de aproximação nas últimas semanas.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ampliaram o diálogo com o Palácio do Planalto, enquanto integrantes do PP e do União Brasil atuaram para manter distância da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

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Nas duas últimas semanas, Lula teve três reuniões com Alcolumbre, recebeu apoio público de Motta e acompanhou movimentos de Ciro Nogueira (PP-PI) e Arthur Lira (PP-AL) para evitar que o PP indicasse um vice para Flávio.

A federação União-PP e o Republicanos também adotaram posição de neutralidade na eleição presidencial, inclusive em estados considerados estratégicos para a candidatura do PL.

O movimento ocorre em um cenário no qual os partidos do Centrão procuram preservar espaço político no Congresso e manter alianças regionais que envolvem diferentes campos políticos.

Centrão evita ser vice de Flávio

O Brasilianista já havia tratado da resistência do Centrão em assumir uma posição formal ao lado de Flávio Bolsonaro.

O portal apontou que integrantes do grupo avaliavam que uma aliança com o candidato do PL poderia prejudicar acordos regionais mantidos com o PT e partidos da base do governo.

A reportagem também registrou a preocupação de integrantes do Centrão com possíveis consequências de uma aproximação com o bolsonarismo em razão da relação conflituosa entre o grupo político e o Supremo Tribunal Federal (STF). Esse cálculo ajudaria a explicar a preferência pela neutralidade durante a disputa eleitoral.

Alcolumbre e o diálogo com Lula

A aproximação entre Lula e Davi Alcolumbre ganhou força depois de um período de conflito envolvendo a indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF.

Alcolumbre e outros senadores defendiam o nome do então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A indicação de Messias acabou rejeitada pelo Senado, em uma derrota histórica para o governo, e a relação entre o Palácio do Planalto e a cúpula da Casa ficou tensionada.

Depois das reuniões entre Lula e Alcolumbre, projetos de interesse do governo que estavam parados no Senado passaram a avançar. Entre eles estão propostas relacionadas à escala de trabalho 6×1, à segurança pública e à exploração de minerais críticos.

O presidente do Senado, porém, não declarou apoio eleitoral direto a Lula. A aproximação ocorre principalmente no campo institucional e também envolve interesses relacionados à sucessão no comando do Senado em 2027.

Alcolumbre ainda mantém uma aliança política com o PT no Amapá. Ele apoia a reeleição do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), enquanto o PT apoia a candidatura à reeleição do governador Clécio Andrade (União Brasil), aliado do presidente do Senado.

Motta declara apoio e mantém Republicanos neutro

Hugo Motta adotou uma posição mais explícita na relação com Lula. O presidente da Câmara declarou apoio ao petista durante um evento na Paraíba e, posteriormente, recebeu uma ligação do presidente para agradecer a manifestação.

Ao mesmo tempo, Motta participou da articulação que levou o Republicanos a adotar neutralidade na eleição presidencial. Flávio Bolsonaro chegou a se reunir com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, mas a maioria dos diretórios estaduais defendia que o partido não escolhesse um candidato nacional.

O movimento também possui uma dimensão regional. Motta pretende disputar a reeleição para a Câmara e trabalha para eleger seu pai, Nabor Wanderley, ao Senado pela Paraíba.

A popularidade de Lula no estado e uma eventual relação institucional com um novo governo petista aparecem nesse cálculo político.

Mercado financeiro busca novo nome

A movimentação atual também retoma um cenário já registrado pelo O Brasilianista, na ocasião, setores do Centrão e do mercado financeiro discutiam alternativas diante do desgaste da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro após a divulgação de mensagens envolvendo o senador e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Lideranças chegaram a discutir uma chapa com Tereza Cristina (PP-MS) na disputa presidencial e Michelle Bolsonaro (PL) como vice. A articulação, porém, não avançou naquele momento.

Arthur Lira também aparece nesse movimento de distanciamento. Embora tenha recebido apoio público de Flávio Bolsonaro para disputar o Senado em Alagoas, o ex-presidente da Câmara não retribuiu o gesto com uma declaração de apoio à candidatura presidencial do PL.

Integrantes do PP atribuem a Lira parte da articulação que levou a federação União-PP à neutralidade. Ele também teria atuado contra a escolha de Tereza Cristina para ocupar a vice de Flávio.

Lira, por outro lado, mantém sua aliança com o PL em Alagoas e preserva canais com o governo Lula. A estratégia permite que o deputado continue negociando em diferentes frentes sem assumir uma posição nacional definitiva na eleição presidencial.

Importância do Centrão

O Brasilianista explicou que a atuação desse grupo está diretamente ligada à necessidade de articulação entre Executivo e Legislativo.

A reportagem apresentou o Centrão como um conjunto de partidos que atua de forma pragmática nas negociações políticas e destacou que a composição do grupo pode mudar conforme as circunstâncias eleitorais e institucionais.

A análise também apontou que distribuição de cargos, emendas parlamentares, prioridades orçamentárias e políticas públicas regionais fazem parte das negociações entre o governo e essas legendas.

Esse histórico ajuda a contextualizar a aproximação atual. A neutralidade eleitoral não significa ausência de negociação entre os partidos e o governo.

Pelo contrário, os movimentos relatados nas últimas semanas mostram que as relações institucionais continuam mesmo quando as legendas evitam declarar apoio presidencial.

Caso Vorcaro aumentou a distância de Flávio

Como mostrou O Brasilianista mensagens divulgadas pelo The Intercept Brasil mostraram uma negociação relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro confirmou que procurou investidores privados para financiar o projeto, mas o episódio passou a produzir efeitos políticos sobre sua campanha.

Ciro Nogueira, que também aparece no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master e a Vorcaro, passou a adotar uma postura mais distante do candidato do PL.

Ciro mantém uma aliança do PP com o PL no Piauí, mas evita fazer campanha para Flávio. O senador também não foi citado pelo candidato do PL ao apresentar nomes apoiados por sua campanha para o Senado.

Prisão de Daniel Vorcaro desencadeia pressão sobre Centrão

O Brasilianista analisou a rede de relacionamentos de Vorcaro e registrou que suas conexões alcançavam diferentes partidos do Centrão, incluindo PP, PL, Republicanos, União Brasil e PSD.

A reportagem, contudo, ressaltou que as relações identificadas não significavam, naquele momento, envolvimento formal de partidos ou parlamentares nas investigações. Esse cuidado é importante porque contatos políticos ou empresariais não equivalem, por si só, a uma imputação de irregularidade.

A disputa pela Presidência da República não é o único elemento que influencia as decisões dos partidos. A composição do Congresso a partir de 2027 também pesa nas negociações.

Alcolumbre busca permanecer à frente do Senado, enquanto Motta trabalha para continuar no comando da Câmara. Para isso, ambos precisam construir alianças que ultrapassam a disputa presidencial e envolvem bancadas de diferentes partidos.

No Senado, o PL espera formar uma das maiores bancadas e já sinalizou a possibilidade de lançar candidatura própria à presidência da Casa.

Entre os nomes que podem receber apoio do bolsonarismo está Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, além de Tereza Cristina.

Alcolumbre, por sua vez, mantém diálogo com ministros do STF e resiste a pautar pedidos de impeachment contra integrantes da Corte apresentados por parlamentares bolsonaristas.

Kassab declara apoio a Lula

O movimento ganhou ainda uma manifestação pública de Gilberto Kassab, presidente do PSD e candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado.

Kassab afirmou a empresários que Flávio Bolsonaro “não tem a menor chance” e declarou que o Centrão está com Lula. Flávio respondeu dizendo que sempre considerou que os candidatos de direita deveriam atuar contra o PT.

O PSD, contudo, mantém candidatura própria ao Planalto, com Caiado na cabeça de chapa. Portanto, a declaração de Kassab não representa uma adesão formal do partido à candidatura petista.

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