O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu na noite de quarta-feira (19), no Palácio da Alvorada, com Marco Aurélio Carvalho, advogado de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A Polícia Federal investiga o empresário em três inquéritos, que apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção. O encontro começou por volta das 19h15 e também contou com Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo.
Advogado também coordena campanha em São Paulo
Marco Aurélio Carvalho foi escolhido para coordenar, em São Paulo, a campanha de Lula à reeleição em outubro. A participação dele na reunião, portanto, também esteve relacionada à preparação eleitoral do presidente.
O encontro durou aproximadamente três horas e meia. Segundo interlocutores de Lula a conversa havia sido marcada para tratar de assuntos pessoais e da campanha presidencial.
A situação de Lulinha poderia entrar na conversa caso o presidente decidisse abordar as investigações.
Mensagens de Roberta entraram na apuração
Como mostrou O Brasilianista, a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, passou a ser mencionada nas investigações após a Polícia Federal interceptar mensagens relacionadas à atuação dela junto a negócios privados.
A reportagem descreveu conversas sobre relações com integrantes do governo federal e também citou a suspeita de que Roberta utilizava sua proximidade com Lulinha para facilitar contatos em órgãos públicos.
Como informou O Brasilianista, uma das mensagens analisadas pela PF traz a empresária dizendo “Eu sou o Fabio”. Os investigadores avaliaram o conteúdo para verificar se ela tinha autorização para agir em nome de Lulinha.
A defesa do empresário contestou a utilização das mensagens como elemento conclusivo. Os advogados afirmaram que não seria possível responsabilizá-lo por declarações feitas pela empresária e questionaram a autenticidade dos diálogos antes do acesso integral ao material.
Relação com a Suíça aparece em diálogos
Como destacou O Brasilianista, Lulinha e Roberta também conversaram sobre negócios e mencionaram a possibilidade de levar projetos para a Suíça. Os diálogos analisados pela PF são de março de 2024.
Na mesma troca de mensagens, apareceram referências a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, então chefe de gabinete pessoal de Lula, e a Swedenberger Barbosa, que ocupava a secretaria-executiva do Ministério da Saúde.
A reportagem também citou repasses de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, para Roberta. Os valores somam R$ 1,5 milhão, enquanto uma das mensagens analisadas pelos investigadores relacionaria parte do dinheiro ao “filho do rapaz”.
Investigação alcança Saúde e Dataprev
Como mostrou O Brasilianista, Lulinha já era investigado pela Polícia Federal por suspeitas relacionadas a possíveis tentativas de aproximar negócios privados de órgãos públicos. A apuração surgiu a partir de mensagens encontradas durante as investigações da Operação Sem Desconto.
O material citado na reportagem relaciona Lulinha a Antônio Carlos Camilo Antunes e a Roberta Luchsinger. Os investigadores passaram a verificar se o empresário teria utilizado contatos no governo para defender interesses comerciais.
Como informou O Brasilianista, Roberta é diretora da RL Consultoria e Intermediações e já havia sido alvo de medidas judiciais no âmbito da Operação Sem Desconto. A empresária também aparece nas investigações por causa de pagamentos realizados ao ex-chefe de gabinete de Lula.
Roberta já havia declarado interesse em ajudar Lula em 2017. Na ocasião, ela tentou doar dinheiro e objetos de valor ao presidente, mas a Justiça impediu a operação por causa de uma dívida.
Visitas a órgãos federais também foram levantadas
Como destacou O Brasilianista, Roberta realizou 42 visitas a órgãos federais no período analisado pela reportagem, mas apenas uma apareceu nas agendas oficiais. Os registros de acesso incluíram diferentes estruturas da administração pública.
Entre os locais citados estão o Ministério do Desenvolvimento Social, o Ministério da Saúde, o Palácio do Planalto e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A publicação também registrou encontros de Roberta com representantes de empresas que buscavam apresentar projetos nas áreas de saúde, assistência social e infraestrutura. O Ministério do Desenvolvimento Social informou que reuniões com a empresária não resultaram em ato administrativo.
STF autorizou investigação sobre Lulinha
Como informou O Brasilianista, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de investigação para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha.
A decisão ocorreu após a Polícia Federal identificar elementos relacionados ao Palácio do Planalto e ao Ministério da Saúde durante apurações iniciadas com a Operação Sem Desconto.
A reportagem também registrou que a defesa de Lulinha negou recebimento de valores relacionados a negócios com o governo e classificou a investigação como uma possível “pesca probatória”.

