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Política

Quem é Carlos Brandão, governador investigado por suspeita de liderar organização criminosa

Investigação da PF apura possíveis desvios de recursos públicos

Quem é Carlos Brandão, governador investigado por suspeita de liderar organização criminosa

Carlos Orleans Brandão Júnior, conhecido como Carlos Brandão, é médico veterinário, empresário e político maranhense. Nascido em Colinas (MA), em 1958, ele construiu a carreira pública ocupando cargos no governo estadual, dois mandatos como deputado federal e, posteriormente, a vice-governadoria ao lado de Flávio Dino. Desde abril de 2022, com a saída de Dino para disputar o Senado, Brandão ocupa o governo do Maranhão.

A trajetória política, contudo, passou a ser acompanhada por uma investigação da Polícia Federal que apura uma suposta organização criminosa com atuação no alto escalão do estado. Brandão nega qualquer envolvimento e afirma que as acusações têm motivação política.

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O Brasilianista revelou que a Polícia Federal investiga uma estrutura que teria atuado na manipulação de liberações de verbas públicas, pagamento de débitos administrativos, obstrução de investigações e no contexto do assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira, ocorrido em 2022.

Segundo os documentos, os investigadores apontam Carlos Brandão como suposto líder da organização. A apuração, entretanto, ainda está em andamento, e a acusação não representa condenação. O governador nega as suspeitas.

Da veterinária à política

Brandão nasceu em Colinas, no interior do Maranhão, e iniciou a vida profissional como professor de inglês. Depois, formou-se em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual do Maranhão (Uema).

A entrada na administração pública ocorreu ainda nos anos 1990. Brandão ocupou funções na Secretaria de Agricultura, foi secretário-adjunto de Meio Ambiente e exerceu cargos ligados ao governo estadual.

Durante a gestão de José Reinaldo Tavares, tornou-se secretário de Estado de Articulação Política, secretário-chefe da Casa Civil e secretário-chefe do Gabinete do Governo do Maranhão. A passagem por diferentes áreas da administração ampliou sua participação na política estadual.

Em 2006, Brandão disputou sua primeira eleição para deputado federal. Ele assumiu o mandato em fevereiro de 2007 e permaneceu na Câmara dos Deputados até dezembro de 2014.

Durante os dois mandatos, participou de comissões relacionadas a fiscalização financeira, desenvolvimento econômico, infraestrutura, mineração, saúde e transporte. Também atuou em frentes parlamentares voltadas à agropecuária, infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento regional.

Chegada ao governo

Em 2014, Brandão deixou o cargo de deputado federal para assumir a vice-governadoria do Maranhão. Ele integrou a chapa de Flávio Dino e permaneceu como vice-governador durante os dois mandatos do ex-governador.

Nesse período, Brandão participou de projetos especiais do governo e liderou missões internacionais em países como China, Coreia do Sul, Índia, Irã, Singapura e Vietnã. A atuação buscava aproximar o Maranhão de novos investimentos e negócios.

Brandão também presidiu o Conselho de Administração da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap) por dois mandatos.

Em abril de 2022, assumiu definitivamente o governo do Maranhão após a saída de Flávio Dino. No mesmo ano, foi eleito governador no primeiro turno, com 51,14% dos votos válidos.

Investigação envolve o entorno

O Brasilianista mostrou que Daniel Itapary Brandão, sobrinho do governador e então presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), foi afastado do cargo por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A medida ocorreu no âmbito da investigação que apura a existência de uma organização criminosa relacionada a desvios de recursos públicos e fraude em licitações.

Daniel Brandão é investigado por sua relação com Gilbson César Soares Cutrim Júnior, condenado pelo assassinato de João Bosco.

Segundo os elementos apresentados na investigação, Daniel teria participado de uma reunião no estabelecimento onde ocorreu o crime.

A Polícia Federal também apura suspeitas de repasses financeiros e tentativas de interferência nos depoimentos relacionados ao caso.

A apuração ainda cita Raimundo Soares Cutrim, ex-secretário de Estado de Assuntos Legislativos, e o agente da Polícia Federal Edvar Rodrigues dos Santos. O conjunto investigativo inclui suspeitas de obstrução da Justiça, coação de testemunhas e vazamento de informações.

O assassinato de João Bosco

Parte central da investigação envolve o assassinato de João Bosco Sobrinho Pereira, morto a tiros em agosto de 2022, em São Luís.

Gilbson César Soares Cutrim Júnior foi apontado como autor dos disparos e condenado pela Justiça do Maranhão a 13 anos de prisão.

A investigação da Polícia Federal passou a examinar se o homicídio estaria relacionado a uma disputa envolvendo pagamentos de propina e contratos públicos.

De acordo com os elementos apresentados pela PF, Gilbson teria atuado na circulação de valores entre empresários e integrantes do grupo investigado. A apuração também indica que a disputa pelo dinheiro teria provocado tensão entre os envolvidos.

A Polícia Federal sustenta ainda que houve tentativas posteriores de impedir que informações sobre a presença de autoridades no local do crime chegassem à investigação. Esse ponto levou os investigadores a ampliar a apuração para possíveis crimes de obstrução da Justiça.

Parentes afastados por nepotismo

Cinco parentes do governador do Maranhão, Carlos Brandão, foram afastados de cargos públicos após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em outubro de 2024.

A medida ocorreu após uma ação do partido Solidariedade questionar a nomeação e contratação de 14 familiares do governador para funções na administração estadual.

Entre os afastados estavam Mariana Braide Brandão Carvalho, Ítalo Augusto Reis Carvalho, Melissa Correia Lima de Mesquita Buzar, Gilberto Lins Neto e Elias Moura Neto.

Na decisão, Moraes afirmou que a administração pública deve seguir o princípio da impessoalidade e classificou a prática de nepotismo como incompatível com o interesse público.

Críticas ao governo

O PCdoB do Maranhão criticou a gestão de Carlos Brandão e afirmou que o governo rompeu compromissos políticos assumidos em 2022.

Em nota divulgada em novembro de 2025, o partido classificou a administração estadual como um “modelo de gestão marcado por interesses familiares e práticas patrimonialistas” e apontou o avanço de um projeto oligárquico no comando do estado.

A legenda também citou o episódio das escutas clandestinas envolvendo o governador e seu irmão, Marcus Brandão. Para o PCdoB, o caso representou uma deterioração institucional no Maranhão e atingiu integrantes da própria base política, como os deputados Rubens Júnior (PT) e Márcio Jerry (PCdoB).

Relação com o grupo

Os investigadores também analisam a influência política exercida por integrantes do grupo investigado e possíveis conexões com autoridades de diferentes instituições.

O Brasilianista informou que a defesa de Carlos Brandão questiona a competência do STF para conduzir a investigação.

Os advogados sustentam que eventual investigação criminal contra um governador deveria tramitar sob supervisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsável pelo foro por prerrogativa de função de governadores em crimes comuns.

A defesa também afirma que não teve acesso integral aos autos do inquérito. Por isso, questiona medidas investigativas e decisões tomadas durante a apuração.

Brandão, por sua vez, afirmou que recebeu com indignação a acusação de que seria chefe de uma organização criminosa. O governador também relacionou o caso ao rompimento político ocorrido no Maranhão e disse que passou a enfrentar acusações depois do afastamento entre grupos que anteriormente eram aliados.

O que diz a defesa de Brandão?

Em manifestação pública, o governador negou envolvimento com corrupção e afirmou que não participou de qualquer organização criminosa.

“Eu não tenho nenhum envolvimento com crime, com corrupção, isso não existe. Isso é coisa factóide de época de eleição”, declarou Brandão.

O governador também criticou a divulgação de informações relacionadas à investigação e afirmou que sua defesa não teve acesso à totalidade dos documentos.

Brandão declarou ainda que construiu sua trajetória política ao longo de décadas e disse confiar que sua versão será confirmada no decorrer da investigação.

A investigação no STF

A apuração chegou ao Supremo Tribunal Federal depois que surgiram elementos envolvendo o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que possui foro na Corte.

A Polícia Federal analisou dados do celular do parlamentar e identificou comunicações com o ministro do STJ Humberto Martins. Os investigadores analisam se esses contatos tiveram relação com decisões tomadas durante a tramitação do caso.

Entre os episódios examinados está a transferência de Gilbson Cutrim do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, para uma unidade federal em Brasília.

Humberto Martins não é formalmente investigado. Weverton Rocha também nega que seus contatos com o magistrado tenham representado tentativa de interferência na investigação.

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