A indústria petroquímica brasileira enfrenta uma grande dificuldade. Em 2024, o setor registrou o maior déficit da história, chegando a US$ 48,7 bilhões na balança comercial de produtos químicos. Além disso, as indústrias brasileiras estão operando com apenas 64% de sua capacidade total, também um recorde negativo.
Mais do que números alarmantes, a situação representa uma grave vulnerabilidade estratégica para o país em um cenário geopolítico cada vez mais instável, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).
A indústria química emprega mais de 2 milhões de brasileiros, e gera R$ 30 bilhões em receitas fiscais por ano, segundo a Abiquim. Além do peso econômico do setor, a petroquímica fornece insumos essenciais para agricultura, saúde, energia, defesa e tecnologia.
Outras grandes economias ampliam seus investimentos no setor químico enquanto a indústria brasileira tem enfrentado a queda de competitividade. Em 2024, os Estados Unidos aplicaram US$ 1,9 trilhão em subsídios, a União Europeia investiu US$ 1,7 trilhão e a produção chinesa cresceu 9,1%. As informações também são da Abiquim.
PRESIQ
Contudo, o cenário prevê que o Projeto de Lei 892/2025, apresentado pelo deputado Afonso Motta (PDT-RS), que desenvolve o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (PRESIQ), possa ser a reposta para os desafios enfrentados, já que a proposta combina competitividade econômica com metas ambiciosas de sustentabilidade.
No documento do PL 892/2025, quatro frentes estão destacadas, prevendo créditos financeiros para as empresas que investirem nessas áreas, são elas: expansão da produção nacional; uso de insumos de baixo impacto de carbono; biomassa e economia circular e modernização de processos produtivos.
Segundo a CNN Brasil, duas modalidades de incentivo estarão no programa: até 5% de crédito sobre a aquisição de insumos e até 3% para investimentos em expansão, necessitando de aprovação de projetos dentro das regras do PRESIQ, priorizando economia de energia e redução de carbono.
Conforme divulgado pela Abiquim, se aprovado, o PRESIQ pode gerar impactos significativos até 2029, conforme estimativas apresentadas pela Abiquim, chegando a RS 112 bilhões no PIB, além da criação de cerca de 1,7 milhão de empregos diretos e indiretos. Já em tributos, a arrecadação pode chegar à R$ 65,5 bilhões. A meta é elevar a capacidade instalada em operação dos atuais 64% para 95%, e reduzir as emissões de carbono por tonelada produzida em até 30%.
O projeto aguarda tramitação no Congresso Nacional. Enquanto isso, a indústria petroquímica brasileira segue operando abaixo de seu potencial, acumulando déficits e perdendo espaço para concorrentes internacionais subsidiados.

