Levantamento do PoderData, publicado em dezembro do ano passado, indica mudanças na percepção pública quanto à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os dados, 44% dos brasileiros avaliam o trabalho do STF como “ruim” ou “péssimo” e 14% avaliam como “ótimo” ou “bom”, enquanto 29% consideram a atuação “regular”.
Analistas da área política enxergam o momento como um sinalizador de um ambiente com opiniões marcadas por ceticismo e polarização, o que revela a percepção crítica em relação à Suprema Corte em comparação com levantamentos anteriores.
A pesquisa ouviu 2.500 pessoas em todo o país de 13 a 15 de dezembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.
Protagonismo institucional
Em pesquisa feita pela Quaest, no mesmo mês, os dados apresentaram crescimento em relação à percepção positiva das pessoas ao STF. Os registros identificaram que 36% dos entrevistados têm uma avaliação negativa, 33% têm opinião positiva e 24% possuem avaliação regular quanto às ações da Suprema Corte, entre o meio e o final de 2025.
O cenário pode ter sido influenciado principalmente pelo maior protagonismo institucional demonstrado cada vez mais em decisões de grande repercussão, como os julgamentos relacionados à tentativa de golpe de 2023 e seus desdobramentos jurídicos.
A diferença de 10 pontos percentuais entre uma pesquisa e outra é esperada em avaliações institucionais, diante da forte polarização que o pais vive atualmente, em que a interpretação pública sobre a atuação judicial tende a oscilar conforme o posicionamento ideológico dos entrevistados e a cobertura midiática de casos emblemáticos.
Especialistas apontam que essa volatilidade reflete, ao mesmo tempo, a centralidade da Corte em disputas simbólicas e materiais no debate nacional. Além disso, existe a tensão entre a defesa da independência judicial e as críticas que são dirigidas por diferentes espectros políticos.
Análise dos resultados
O quadro geral desses levantamentos associa uma fatia significativa de desaprovação à Corte com episódios específicos de repercussão política, como decisões envolvendo figuras e episódios de grande visibilidade. Apesar disso, é possível perceber que ao mesmo tempo, existe um grupo de opinião que reconhece a atuação institucional do STF como componente de estabilidade democrática diante dos atuais desafios.
Assim, pode ser necessário que os dados sejam interpretados à luz do calendário político de 2026, em que a avaliação de instituições constitucionais, inclusive do Judiciário, pode influenciar preferências eleitorais e calibrar debates sobre equilíbrio entre poderes, responsabilidade democrática e limites do ativismo judicial.
Mesmo com resultados instáveis, as duas avaliações populares, revelam como o STF tem não apenas o poder de atuar como guardião da Constituição, mas também como ator-chave em um cenário de intensa disputa sobre o significado e os contornos da própria democracia brasileira.


