A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ainda não definiu quando se encontrará com o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL).
Em declaração ao BNews durante o lançamento da candidatura de Izalci Lucas a deputado federal, em Brasília, Michelle afirmou que os dois ainda precisam conciliar as agendas.
“A gente ainda não conversou. Tem que ver a agenda dele para conciliar”, disse.
Nos bastidores, a previsão citada pelo veículo é de que ela participe de três eventos ao lado do senador durante a campanha, enquanto disputa uma vaga no Senado pelo Distrito Federal.
Participação eleitoral depende de uma nova articulação
A ausência de uma data para o encontro ocorre depois de meses de atritos entre os dois integrantes da família Bolsonaro. A relação ganhou dimensão política porque Michelle ocupa a presidência do PL Mulher e construiu atuação própria dentro do partido, enquanto Flávio concentra a estratégia para a disputa presidencial.
O novo episódio, portanto, envolve mais do que a organização de compromissos de campanha. Michelle terá uma candidatura própria ao Senado, o que exige conciliar sua agenda no Distrito Federal com as atividades nacionais de Flávio durante a corrida presidencial.
O Brasilianista registrou que a relação entre os dois havia se transformado em uma questão política para a candidatura do senador depois de Michelle expor publicamente seu descontentamento com a forma como vinha sendo tratada dentro do grupo.
Conflito anterior colocou apoio da ex-primeira-dama em disputa
O episódio começou depois de Michelle relatar que Flávio havia defendido seu afastamento das decisões internas do partido. A ex-primeira-dama afirmou que recebeu a orientação de permanecer fora das discussões políticas e interpretou a posição como uma rejeição à sua participação.
“Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, relatou Michelle naquele momento.
A declaração foi seguida por uma resposta pública do senador. Flávio procurou afastar a possibilidade de que o episódio representasse uma ruptura definitiva e reconheceu a atuação da ex-primeira-dama no PL Mulher.
“Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle”, afirmou o senador. Na mesma manifestação, ele declarou ter respeito pelo trabalho desenvolvido por ela no partido e pela posição que ocupa no grupo político.
A disputa também chegou à direção do PL. Valdemar Costa Neto, presidente nacional da legenda, participou das articulações para tentar administrar o conflito entre os dois.
Em uma declaração reproduzida pelo O Brasilianista, o dirigente resumiu a preocupação com os efeitos eleitorais da divisão: “Nós temos que acertar isso aí. Se a gente não acertar, nós vamos perder em casa”.
Relação política ganhou peso dentro do PL
A importância de Michelle para a campanha de Flávio está ligada também ao espaço que ela passou a ocupar na estrutura partidária.
Como presidente do PL Mulher, a ex-primeira-dama atua em uma frente voltada especificamente à participação feminina na política e mantém presença em atividades do partido.
Esse papel cria uma conexão entre sua atuação pessoal e a estratégia eleitoral da legenda. Ao mesmo tempo em que disputa uma cadeira no Senado, Michelle pode participar de eventos destinados a apresentar Flávio ao eleitorado em diferentes regiões.
A possibilidade de dividir palanques também permite que o partido organize atividades nas quais os dois tenham funções distintas. Flávio concentra a candidatura nacional, enquanto Michelle conduz sua própria campanha no Distrito Federal e preserva sua posição dentro do PL Mulher.
A declaração mais recente da ex-primeira-dama não estabeleceu, porém, uma data para essa aproximação. O encontro dependerá da conciliação dos compromissos eleitorais dos dois, segundo a própria Michelle.
Apoio feminino entra no cálculo eleitoral
A participação de Michelle também ganhou relevância porque Flávio enfrenta dificuldades entre as eleitoras. A ex-primeira-dama, por sua vez, possui forte associação política com o público feminino e com segmentos evangélicos.
Essa diferença de atuação faz com que sua presença seja considerada útil para a campanha do senador. O eventual apoio, contudo, precisará ocorrer dentro de uma relação política que ainda passa por ajustes depois dos atritos registrados nos meses anteriores.
A situação também envolve a necessidade de preservar a imagem pública do grupo. Uma aparição conjunta pode representar uma demonstração de unidade, mas a agenda precisa ser construída pelos próprios envolvidos, já que Michelle ainda não confirmou quando ocorrerá o próximo encontro.

