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Economia

Pressões externas e desafios fiscais dominam agenda econômica

Guerra no Oriente Médio, transição na Fazenda e avanço de investigações financeiras moldam o cenário econômico brasileiro

Pressões externas e desafios fiscais dominam agenda econômica

O noticiário econômico desta semana foi marcado por uma combinação de fatores internos e externos que elevam a incerteza e pressionam as contas públicas. Da escalada da guerra no Oriente Médio aos movimentos no comando da política econômica, passando por investigações no sistema financeiro, o ambiente exige respostas rápidas do governo e atenção redobrada do mercado.

A intensificação da guerra no Oriente Médio voltou a impactar fortemente os mercados globais e já gera reflexos diretos na economia brasileira. O petróleo chegou a se aproximar dos US$ 120, enquanto o gás natural disparou na Europa, elevando a volatilidade internacional. Medidas emergenciais foram anunciadas por Estados Unidos e países europeus para conter os preços, mas o cenário segue instável, segundo o Valor Econômico.

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No Brasil, os efeitos já são sentidos em cadeias produtivas estratégicas. Setores como o agronegócio e a proteína animal pressionam o governo por medidas emergenciais, incluindo redução de tributos e criação de linhas de crédito para exportação, conforme destacou a Folha de S.Paulo. A alta do petróleo também levou o governo a estudar novos cortes de impostos, inclusive sobre passagens aéreas, em tentativa de conter o repasse ao consumidor, de acordo com O Globo.

Ainda no campo dos combustíveis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que estados zerem o ICMS sobre o diesel importado, com compensação parcial da União. A proposta ocorre em meio à escalada de preços e teria impacto bilionário nas contas públicas, segundo a Folha. Paralelamente, o governo intensificou a fiscalização sobre distribuidoras, autuando empresas por supostos aumentos abusivos, informou o Estadão.

Haddad

No front fiscal, o principal movimento é a mudança no comando do Ministério da Fazenda. Dario Durigan assume o ministério com a missão de conter pressões por aumento de gastos em ano eleitoral e dar continuidade à agenda iniciada por Fernando Haddad. Segundo a Folha, Durigan já vinha atuando como peça-chave nas negociações com o Congresso, especialmente na aprovação do corte de benefícios fiscais, medida vista como decisiva para sua ascensão, de acordo com o Valor Econômico.

Apesar dos avanços, como a aprovação da reforma tributária sobre o consumo, considerada histórica, o desafio fiscal permanece elevado. O crescimento das despesas obrigatórias preocupa. O Benefício de Prestação Continuada (BPC), por exemplo, é o gasto que mais cresceu em termos reais na última década e pode alcançar até 1,4% do PIB até 2035, segundo relatório da IFI citado pelo Valor. Medidas recentes do governo foram consideradas insuficientes para conter essa trajetória.

13º salário

Em meio a esse cenário, o governo também anunciou a antecipação do 13º salário para beneficiários do INSS, medida que injeta recursos na economia no curto prazo, mas amplia a pressão sobre o orçamento, ainda conforme o Valor Econômico.

Master

Outro foco de atenção vem do sistema financeiro. O caso envolvendo o Banco Master ganhou novos desdobramentos, com o banqueiro Daniel Vorcaro iniciando negociações para um acordo de colaboração premiada, após assinatura de termo de confidencialidade, segundo a Folha. A crise também tem repercussões no Judiciário: decisões do ministro Gilmar Mendes suspenderam medidas investigativas relacionadas ao caso, enquanto o ministro André Mendonça autorizou mudanças no regime de detenção de Vorcaro, informou O Globo.

Por fim, no campo da infraestrutura, a falta de interesse de grandes operadores na PPP de saneamento de Goiás levanta dúvidas sobre a modelagem de projetos e a atratividade do setor. O risco de cancelamento do leilão evidencia dificuldades na agenda de concessões, segundo a Folha de S.Paulo.