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Justiça

Veja os documentos da CVM que conectam Daniel Vorcaro à Forbes Brasil

Registros financeiros apontam R$ 113,7 milhões em ações da empresa controladora da marca brasileira em poder do Eagle Eye Investments

Veja os documentos da CVM que conectam Daniel Vorcaro à Forbes Brasil

A Forbes Brasil passou a operar uma rádio em São Paulo em fevereiro de 2026, depois de aproximadamente um ano de testes. A nova frente de negócios surgiu no mesmo período em que documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passaram a chamar atenção para a estrutura societária da empresa responsável pela marca no país, a FRBS Participações.

Registros apresentados à autarquia relacionam a companhia ao fundo Eagle Eye Investments, que aparece em investigações ligadas ao caso Banco Master.

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A FRBS é controlada, por Antonio Camarotti e Katarina Camarotti. Antonio se apresenta como fundador e publisher da Forbes Brasil, enquanto Katarina ocupa o cargo de diretora-executiva da empresa.

A controvérsia surgiu porque os documentos entregues à CVM apresentam uma versão diferente sobre a composição acionária. No balanço do Eagle Eye referente a novembro de 2024, o fundo declarou possuir 100% das 225.349 ações da FRBS, avaliadas em R$ 113,7 milhões.

O que aparece nos documentos da CVM

Outro documento recebido pela CVM em abril de 2025 reforça a relação. Naquele registro, o Eagle Eye apresentava patrimônio líquido de R$ 123,3 milhões, sendo R$ 113,79 milhões, ou 92,87% do total, concentrados nas ações da FRBS.

Além da participação acionária declarada, os documentos também registram um mútuo conversível de R$ 100 milhões. O instrumento previa o empréstimo de recursos à Forbes Brasil e a possibilidade de quitação mediante emissão de novas ações da companhia. O documento também mencionava uma previsão de compra de ações de Antonio Camarotti.

A existência desses registros, porém, não significa que a participação do fundo esteja reconhecida pela empresa. Katarina Camarotti afirmou à Folha que desconhecia o Eagle Eye e declarou que o fundo “não é nem nunca foi acionista/sócio da FRBS/Forbes BR”.

A empresária também afirmou que não houve um mútuo de R$ 100 milhões contabilizado pela Forbes Brasil nem conversão desse instrumento em ações.

Existe, portanto, uma divergência entre documentos apresentados à CVM e os registros societários. Enquanto os documentos do Eagle Eye apontam para a propriedade de 100% das ações da FRBS, os registros da Junta Comercial apresentam Antonio e Katarina Camarotti como titulares da companhia.

Qual é a relação com o caso Master?

O Eagle Eye fazia parte da estrutura conhecida como Astralo 95. O Astralo 95 era o único cotista do Eagle Eye, que por sua vez mantinha a participação declarada na FRBS. A estrutura passou a ser investigada no contexto das apurações relacionadas ao Banco Master.

O Eagle Eye também tinha administração da Reag Investimentos. A gestora foi posteriormente atingida por investigações da Polícia Federal relacionadas à Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro. Em janeiro de 2026, o Banco Central determinou a liquidação da Reag.

A relação documental não permite, por si só, afirmar que Daniel Vorcaro era sócio da Forbes Brasil. O que os registros mostram é uma ligação documental entre a FRBS e o Eagle Eye, fundo inserido em uma estrutura investigada no caso Master. A própria Forbes Brasil nega que o Banco Master ou qualquer estrutura ligada ao grupo tenha participação na empresa.

Forbes Brasil e Daniel Vorcaro já estiveram em eventos

Em 2022, o banqueiro participou de uma festa de gala organizada pela Forbes em Nova York, evento que reuniu empresários brasileiros.

Dois anos depois, em maio de 2024, Vorcaro promoveu um evento paralelo durante a semana do Summit Valor Econômico Brazil-USA, período em que o Banco Master figurava como patrocinador do encontro oficial.

Segundo documentos da Polícia Federal, Vorcaro teria desembolsado pelo menos R$ 11,9 milhões em eventos destinados a autoridades e políticos brasileiros durante aquela semana em Nova York. A informação, contudo, diz respeito aos gastos atribuídos ao banqueiro e não comprova pagamento à Forbes Brasil.

A nova rádio da Forbes Brasil

Foi nesse cenário que a Forbes Brasil colocou em funcionamento, em fevereiro de 2026, uma operação de rádio em São Paulo. O projeto vinha sendo desenvolvido experimentalmente havia aproximadamente um ano e envolveu investimento milionário..

A discussão sobre a Forbes também ganhou outro capítulo no exterior. Randall Lane, então diretor de conteúdo da Forbes, deixou a publicação depois que a empresa tomou conhecimento de um pagamento de aproximadamente US$ 6 milhões (R$ 31,25 milhões) feito por RJ Shook, fundador da Shook Research. A empresa mantém parceria com a Forbes para a produção de rankings de consultores de patrimônio.

Lane considerava o valor um presente pessoal em razão dos conselhos que havia dado a Shook ao longo dos anos. Depois que o pagamento veio à tona, o executivo reconheceu que deveria ter informado a Forbes sobre o recebimento. A publicação confirmou sua saída.

O Brasilianista procurou a FRBS Participações e a defesa dos empresários Antonio e Katarina Camarotti para esclarecer os registros envolvendo o Eagle Eye Investments e os investimentos relacionados ao projeto de rádio, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.

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