O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, será julgado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no processo que envolve operações supostamente fraudulentas por meio da negociação de cotas do fundo imobiliário Brazil Realty.
Outros membros da família, como o pai, Henrique Vorcaro, e seu primo, Felipe Cançado Vorcaro, também serão julgados pela CVM. Reportagem do BNews mostrou que o caso ocorreu em 2018, mas somente em outubro de 2021 o Master, Daniel Vorcaro e outros acusados procuraram a CVM para propor um termo de compromisso em que pagariam R$ 10,89 milhões para evitar o julgamento.
Porém, em 2025 o caso voltou à tona após o escândalo do caso Master, que acabou na liquidação da instituição financeira. Na ocasião, a CVM negou a proposta de acordo.
Sob relatoria do diretor João Accioly, o julgamento deve acontecer em 8 de setembro, mas o banco e o ex-dono não constituíram advogados para defendê-los diante do colegiado.
A descrição oficial do processo das acusações relacionadas à terceira emissão de cotas do Brazil Realty FII estão sob análise suspeitas de operação fraudulenta no mercado de capitais, violação de deveres fiduciários, violação de deveres de prestação de informações e embaraço à atividade de fiscalização da CVM.
Mais de 300 processos do Master na CVM
À Gazeta do Povo, a CVM verificou que foram instaurados 314 processos relativos ao Master desde 2017 até 2025 no Sistema Eletrônico de Informações (SEI). O volume aumentou no ano passado, com 131 ocorrências ao longo do período.
Desse total, 165 processos possuem origem em fontes externas, como denúncias de pessoas e empresas, B3, Banco Central e outras autoridades.
Além disso, até fevereiro deste ano, a CVM informou a existência de pelo menos 14 procedimentos administrativos relacionados a instituições dos Grupos Master e REAG, na qualidade de investidores, administradores ou gestores de fundos de investimento, e outras entidades conexas.
As vítimas do escândalo Master
O Banco Regional de Brasília (BRB) é uma das principais instituições que sofre com a crise do Banco Master, iniciada no final do ano passado. Ainda assim, outras companhias também foram atingidas pela fraude causada que gerou um rombo avaliado em pelo menos R$ 50 bilhões no Sistema Financeiro Nacional (SFN).
O problema é que o BRB está com uma suposta falta de liquidez diária. O Brasilianista mostrou como um bloqueio de R$ 9 bilhões no Orçamento do governo do Distrito Federal (DF) e pagamentos em atraso reforçam a possibilidade de uma liquidação da estatal. Dessa forma, o BRB estaria operando sem dinheiro em caixa e com patrimônio negativo.
Considerando a situação atual, são seis instituições do conglomerado Master que passaram por liquidação extrajudicial:
- Banco Master S.A.
- Banco Master de Investimento S.A.
- Banco Letsbank S.A.
- Master Corretora
- Will Financeira
- Banco Master Múltiplo S.A.
No entanto, nem todas as empresas que pertenciam ou eram controladas pelo Master foram liquidadas. Por exemplo, havia ativos e participações como Credcesta e Kovr, que poderiam ser vendidos durante o processo de liquidação, mas não foram automaticamente liquidados pelo BC.
Outras empresas como CBSF DTVM, Banco Pleno e Pleno DTVM também foram liquidadas, mas não faziam parte direta do conglomerado Master.
Entre as demais organizações financeiras impactadas pela crise do Master, estão 58 Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), somando cerca de R$ 3,9 bilhões em patrimônio líquido; o BRB, que tentou comprar o Master e agora enfrenta rombo bilionário; fundos de pensão, institutos de previdência e empresas que investiram acima de R$ 250 mil; e o próprio Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que terá de desembolsar mais de R$ 40 bilhões para pagar os credores.

