Publicidade
Geopolítica

Análise aponta limites do bloco liderado por Trump e amplia margem de negociação do Brasil

Especialista avalia riscos, prazos longos e espaço estratégico para o país em meio à disputa global por minerais

Análise aponta limites do bloco liderado por Trump e amplia margem de negociação do Brasil

O convite dos Estados Unidos para que o Brasil integre uma zona comercial de minerais críticos expõe tanto as ambições do bloco liderado pelo ex-presidente Donald Trump quanto suas fragilidades. Em entrevista à CNN Brasil, Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice International, analisou o alcance real da iniciativa e destacou como o Brasil pode sair fortalecido das negociações.

Segundo ele, o projeto americano não avança no curto prazo e enfrenta obstáculos estruturais: “A maioria desses minerais, é, são promessas de exploração, né? Você tem que montar toda uma infraestrutura”, afirmou. O analista lembrou que, em alguns países, mudanças legais seriam inevitáveis. “Você não pode, você poderia, no Brasil, por exemplo, cê teria que mudar a, a regra, a lei das licitações, pra, de fato, impedir que determinados países que não fazem parte desta aliança, não pudessem, de fato, explorar minerais no Brasil”.

Publicidade

Na avaliação de Aragão, o ponto mais sensível da proposta está na dependência global da China, principal alvo estratégico de Washington. “Agora, um ponto muito importante disso, é que, em tese, isso só vai adiante, enquanto a China quiser que isso vá adiante.” Ele detalhou a dificuldade americana em substituir Pequim no fornecimento de insumos essenciais: “Grafite, disprósio, térbio, que são minerais raros, que são absolutamente críticos pra indústria militar americana, hoje, você só consegue dos, é, da China, né? A China, ela é a grande produtora disso”, explica.

O especialista ressaltou que qualquer alternativa levaria anos para se consolidar: “Então, até esse resultado da aliança, dar um resu, é, é, é, oferecer uma alternativa onde os Estados Unidos não precisariam mais da China, isso levaria muitos anos e daria tempo de sobra pra China retaliar.” Para ele, a reação chinesa será determinante: “Então, o mais importante agora é ver qual vai ser o passo tomado da China, porque a China ela tem como pressionar metade dos países que fazem parte dessa aliança, a segurar um pouco a sua produção, por conta da dependência que esses países têm na China, em outras áreas”.

Nesse cenário, o Brasil aparece como peça-chave. Aragão contestou leituras otimistas publicadas na imprensa internacional sobre uma adesão automática do país. “Bom, é mais ou menos, né? Não é bem assim.” Ele avaliou que o peso brasileiro no arranjo é maior do que em outros fóruns. “Primeiro, o governo brasileiro tem uma oportunidade muito grande, porque esse, essa aliança toda não funciona se não tiver o Brasil. Eu acho que isso é uma das alianças potenciais, onde o papel do Brasil é mais desproporcional em relação a outros grupos que o Brasil faz parte”, esclarece.

Com isso, o país ganharia poder de negociação direto com Washington: “Então, isso dá um poder enorme pro Brasil, se o Brasil tiver afim de jogar bola com os Estados Unidos em relação a isso.” O analista foi além ao apontar uma possível exigência imediata. “A primeira coisa, o Brasil pode condicionar a participação dele, às tarifas serem retiradas integralmente, imediatamente, agora.” Na visão dele, a proposta seria bem recebida. “E isso é o tipo de coisa que eu tenho certeza que os Estados Unidos vai topar, porque a, as tarifas já estão sendo consideradas sem sentido e a participação do Brasil é absolutamente crítica pro sucesso disso”.

Siga O Brasilianista