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Economia

Quais produtos escaparam do novo tarifaço dos EUA contra o Brasil?

A lista de exceções inclui itens como café, cereais, carnes e minerais estratégicos, incluindo terras raras

Quais produtos escaparam do novo tarifaço dos EUA contra o Brasil?

Os Estados Unidos divulgaram nesta quarta-feira (03) a lista de produtos que ficarão isentos da nova tarifa proposta contra o Brasil em uma investigação sobre trabalho forçado.

A medida prevê uma cobrança adicional de 12,5% sobre importações brasileiras e foi anunciada apenas um dia após Washington apresentar outra proposta tarifária de 25% baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

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A investigação envolvendo trabalho forçado analisou 60 países e concluiu que 54 economias, entre elas o Brasil, não teriam aplicado de forma efetiva mecanismos para impedir a entrada de produtos produzidos nessas condições. A recomendação ainda passará por consulta pública e audiência antes de uma decisão definitiva.

A lista de produtos isentos divulgada agora é a mesma apresentada anteriormente na investigação da Seção 301, preservando setores considerados estratégicos para os Estados Unidos e reduzindo parte do impacto imediato sobre segmentos relevantes da pauta exportadora brasileira.

Exceções reduzem alcance das medidas

O Brasilianista mostrou que diversos produtos brasileiros ficaram fora da tarifa de 25% anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Entre eles estão café, algumas carnes, frutas, cereais, fertilizantes, medicamentos, minerais estratégicos e parte dos produtos ligados ao setor aeroespacial.

As autoridades americanas optaram por preservar mercadorias consideradas importantes para o abastecimento doméstico ou para cadeias produtivas instaladas nos próprios Estados Unidos.

Mesmo com as exceções, máquinas, equipamentos industriais, produtos elétricos, manufaturados e parte do setor madeireiro aparecem entre os segmentos que podem enfrentar maiores dificuldades caso as tarifas sejam efetivamente implementadas.

A decisão ainda depende da conclusão do processo administrativo conduzido pelo governo americano, que prevê consultas públicas antes da adoção das medidas.

Exportações entram no radar do mercado

O Brasilianista informou que a proposta de tarifa de 25% acendeu um alerta entre exportadores brasileiros, especialmente empresas que dependem do mercado americano para uma parcela relevante de suas receitas.

O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisador associado do Centro de Estudos das Negociações Internacionais da USP (CAENI), Vinícius Guilherme Rodrigues Vieira, explicou que os maiores impactos tendem a ser sentidos pelos produtores brasileiros.

“O consumidor americano é relativamente protegido, porque eles já desenham exceções, tendo em vista até o que aconteceu no tarifaço”, afirmou ao O Brasilianista.

Uma eventual redução das exportações pode afetar investimentos, faturamento empresarial e geração de empregos em segmentos mais dependentes do comércio bilateral.

O Brasilianista também abordou os possíveis vencedores e perdedores da disputa comercial. Na avaliação de Vieira, a estrutura criada pelos Estados Unidos foi desenhada para minimizar efeitos internos, preservando produtos essenciais para consumidores americanos e setores considerados estratégicos para a economia do país.

Pix virou alvo da investigação americana

Além das tarifas, o relatório produzido pelo USTR trouxe críticas ao ambiente regulatório brasileiro em áreas consideradas sensíveis pelos Estados Unidos.

O Brasilianista mostrou que um dos principais pontos de conflito envolve o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central em 2020.

Segundo o documento americano, o modelo brasileiro teria criado vantagens competitivas para o Pix em relação a empresas privadas de pagamentos, incluindo grupos americanos que atuam globalmente no setor.

Washington considera problemático o fato de o Banco Central atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema, além de exigir que instituições financeiras deem destaque ao Pix em seus aplicativos.

O governo americano também demonstrou preocupação com a expansão internacional do sistema brasileiro, especialmente diante de discussões envolvendo a possível adoção da tecnologia em outros países latino-americanos.

Governo contesta acusações

O Brasilianista divulgou que durante entrevista coletiva, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a proposta americana como injusta e afirmou que o governo trabalhará para impedir sua implementação.

“O governo brasileiro recebe com indignação e entende ser extremamente injusta a recomendação”, declarou.

Na mesma ocasião, Alckmin defendeu o Pix e argumentou que o sistema beneficia consumidores, empresas e a economia nacional sem prejudicar a concorrência.

O vice-presidente também rebateu críticas relacionadas à propriedade intelectual, ao combate à corrupção, ao etanol e às políticas ambientais, afirmando que diversos argumentos apresentados pelos Estados Unidos não refletem os indicadores atuais do país.

Já nesta quarta-feira (03), o governo emitiu um comunicado: “O Governo brasileiro manifesta profunda discordância com a conclusão preliminar anunciada ontem (2/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 sobre proibições de importação relacionadas ao trabalho forçado penalizando indiscriminadamente 59 países e a União Europeia”.

“É um absurdo tentar associar a competividade da economia brasileira a insumos externos obtidos por meio de comércio que viole a dignidade humana”, completou e garantiu que irá recorrer aos instrumentos legais.

Tensão comercial ganhou componente político

O Brasilianista mostrou que o presidente Donald Trump elogiou publicamente o senador Flávio Bolsonaro após um encontro realizado na Casa Branca.

O gesto ocorreu em meio ao aumento das tensões comerciais entre os dois países e durante um período de desgaste político enfrentado tanto por Trump quanto pelo parlamentar brasileiro.

Enquanto as negociações continuam, o governo americano mantém abertas as consultas públicas sobre as duas investigações. Até a decisão final, permanecem em análise tanto a tarifa de 25% baseada na Seção 301 quanto a nova cobrança de 12,5% relacionada ao combate ao trabalho forçado.

O que ficou fora da nova cobrança americana

Entre os principais produtos que permaneceram fora da nova cobrança estão:

  • Café;
  • Algumas categorias de carne bovina;
  • Frutas;
  • Chá;
  • Cereais;
  • Sementes;
  • Frutos oleaginosos;
  • Plantas industriais e medicinais;
  • Palha e forragem;
  • Fertilizantes;
  • Medicamentos e produtos farmacêuticos;
  • Produtos químicos orgânicos;
  • Minerais estratégicos;
  • Terras raras;
  • Peças e componentes do setor aeronáutico;
  • Parte dos produtos ligados à indústria aeroespacial.

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