O presidente dos EUA, Donald Trump, reagiu com fortes críticas às recentes restrições à exportação de terras raras impostas pela China, em publicação em sua rede social, Truth Social, nesta sexta-feira (10).
No post, Trump anunciou que estuda a aplicação de tarifas massivas sobre produtos chineses e questionou a validade de um encontro dos líderes na Cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), na Coreia do Sul. As informações foram repercutidas pelo G1.
Segundo o jornal, a medida tem potencial de reativar a guerra comercial entre Washington e Pequim.
A relação entre os líderes já vinham se estreitando há alguns dias. Na semana passada, o governo da chinês criticou a decisão do Departamento de Comércio dos Estados Unidos de ampliar as sanções aplicadas a empresas listadas na chamada “lista de entidades”.
Em sua postagem, Trump afirmou a decisão de Xi Jiping “congestionaria os mercados e tornaria a vida difícil para praticamente todos os países do mundo especialmente para a própria China”, segundo tradução feita pelo jornal.
Principais pontos da crise comercial
- A China anunciou na última quinta-feira (09), impor controles de exportação mais rígidos sobre elementos de terras raras, materiais essenciais para para a indústria e estão presentes em tecnologias como chips para celulares e computadores;
- O governo chinês também impôs o aumento da vigilância sobre usuários de semicondutores e passou a exigir que produtores estrangeiros de terras raras que utilizem materiais chineses cumpram as novas regras;
- A China é responsável pelo processamento de mais de 90% das terras raras e dos ímãs de terras raras no mundo;
- Trump categorizou o anúncio chinês como “monopolista” e “hostil”;
- Em postagem no Truth Social, Trump destacou em sua postagem que nos últimos seis meses, o relacionamento entre os países tem sido bom, mas que após o anúncio, os Estados Unidos estão estudando uma retaliação econômica ampla, com tarifas elevadas sobre produtos chineses, mas não especificou valores ou prazos;
- Ele afirmou também que há a possibilidade cancelar a reunião com Xi, marcada para ocorrer durante a cúpula da APEC, e diz “não haver motivo algum” ara manter a conversa diante das ações de Pequim.
Trump ainda declarou que as cartas chinesas vieram em momento inadequado. O anúncio foi feito no mesmo dia em que foi firmado o acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, mediado pelo presidente norte-americano.
Apesar do clima hostil, o republicano demonstra um certo pesar pelo fim das boas relações com o líder chinês.
“Nunca imaginei que chegaríamos a esse ponto, mas talvez, como em tudo na vida, tenha chegado a hora. No fim das contas — embora potencialmente doloroso — isso será algo muito bom para os EUA. Uma das políticas que estamos calculando neste momento é um aumento massivo nas tarifas sobre produtos chineses que entram nos Estados Unidos da América. Há muitas outras medidas de retaliação que também estão sendo seriamente consideradas.“
Impactos esperados e reações globais
A escalada de tensões entre as duas maiores economias do mundo reacende temores de uma nova guerra comercial. Mercados financeiros reagiram com cautela, com o índice de referência S&P 500 caindo 2% após sua publicação nas redes sociais.
Muitas cadeias de suprimento tecnológicos dependem de minerais de terras raras, controlados pela China. A disputa ainda pode afetar outros setores industriais, como energia limpa, defesa e automotiva.

