Em entrevista para o WW da CNN Brasil, nesta quarta-feira (29), o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou que a esquerda e a direita têm visões diferentes sobre a segurança pública.
Segundo a CNN, o secretário vai se afastar do cargo para reassumir seu mandato na Câmara dos Deputados e atuar como relator do projeto que classifica facções criminosas como organizações terroristas.
No início da entrevista, o secretário comentou que o estado do Rio de Janeiro foi corajoso ao realizar a megaoperação policial, que aconteceu na última terça-feira (28) e deixou mais de 100 mortos, incluindo policiais. Questionado sobre a ação ter sido bem sucedida, ele diz: “Toda vez que um policial morre no confronto, para mim, é uma operação que a gente não pode classificar como extremamente bem sucedida. A gente lamenta muito, são profissionais que ariscam suas vidas e perderam suas vidas em confrontos.” Entretanto, ele também afirmou que “não dá para a gente classificar esses narcoterrotistas que estavam com granadas, fuzis 762, como vítimas e coitadinhos.”
Quando o assunto é segurança pública na visão da esquerda e da direita, Derrite afirma que durante um assalto, o criminoso não pergunta para a vítima em quem ela votou: “Acontece que são visões de mundo completamente diferentes na área da segurança pública. Eu falo pra todo mundo que segurança pública deveria ser a pauta menos partidária possível. O criminoso que assalta uma vítima, coloca um revólver na cabeça da vítima, não pergunta se votou no Lula ou no Bolsonaro. Simplesmente ele pratica um ato delituoso com a finalidade de subtrair um pertence pra obter vantagem econômica”.
O secretário ainda afirmou que a esquerda tende a enxergar o traficante como um “coitadinho, vítima da sociedade.” Justificando seu argumento, Guilherme Derrite enfatizou uma fala recente do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), onde o líder afirmou que os traficantes de drogas “são vítimas de usuários.”
Após a declaração polêmica, Lula se manifestou e afirmou ter tido uma “fala mal colocada”.
Derrite ainda seguiu dizendo que: “Há pouquíssimo tempo atrás, ele disse que não aguentava mais ver os policiais oprimindo os jovens adolescentes que roubavam aparelho celular armado só pra tomar uma cervejinha.”
Ele ainda comentou sobre as punições aplicadas a criminosos. Defensor de “uma punição adequada”, ele conclui dizendo: “Se você me perguntar, eu sou contra a pena de morte, como católico cristão. Mas prisão perpétua é algo que deve ser discutido.”

