Em apenas uma semana, a Bolsa brasileira perdeu em valor de mercado o equivalente a uma Petrobras inteira e mais R$ 299 bilhões nos cinco pregões seguintes à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As empresas brasileiras listadas na B3 perderam R$ 963 bilhões em valor de mercado na semana após o segundo turno das eleições presidenciais, segundo levantamento da Elos Ayta.
O valor de mercado consolidado das companhias recuou de R$ 5,684 trilhões, em 23 de outubro, para R$ 4,721 trilhões, em 30 de outubro, uma retração de 16,94%. Para fins de comparação, o montante equivale a 1,31 vez o valor de mercado da Petrobras, atualmente estimado em R$ 734 bilhões.
O movimento praticamente eliminou toda a valorização acumulada pelo mercado acionário brasileiro ao longo de 2026. Entre o encerramento de 2025 e 23 de outubro, o valor de mercado das empresas havia aumentado R$ 972 bilhões, passando de R$ 4,712 trilhões para R$ 5,684 trilhões. Desse montante, R$ 378 bilhões foram incorporados após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando o candidato Flávio Bolsonaro (PL) estava à frente.
Entretanto, a queda registrada na última semana consumiu 99,1% de toda a valorização acumulada até 23 de outubro. Com isso, o ganho de valor de mercado em 2026 ficou reduzido a apenas R$ 9 bilhões, evidenciando a intensidade da reversão observada após o segundo turno.
Expectativas frustradas do mercado
Apesar dos movimentos bruscos e baixas nas ações, a queda da Bolsa não evidencia um problema crônico no mercado financeiro, apenas uma precificação das apostas dos investidores.
Especialista entrevistado por O Brasilianista indicou que essa é uma reavaliação das perspectivas de rentabilidade, crescimento do crédito, inadimplência e custo de capital.
Isso porque o mercado apostava em uma vitória de Flávio Bolsonaro. A vitória histórica de Lula no segundo turno precificou as movimentações de cautela dos investidores.
Os bancos mais expostos ao crédito de pessoas físicas, pequenas empresas e financiamento de longo prazo tendem a enfrentar maior pressão caso os juros permaneçam elevados. Vale lembrar que a Selic, principal taxa de juros no país, opera a 13,75% ao ano.
Por outro lado, instituições com receitas diversificadas, gestão de recursos, operações de tesouraria e serviços financeiros menos dependentes do ciclo de crédito podem apresentar maior capacidade de adaptação.
A reação inicial, portanto, não deve ser confundida com uma tendência permanente. Movimentos intensos após eleições frequentemente incluem ajustes de posições financeiras, que podem ampliar temporariamente a volatilidade.
A estabilização dependerá principalmente das primeiras sinalizações do governo sobre a condução da política econômica, a composição da equipe ministerial, o Orçamento de 2027 e a trajetória da dívida pública.
A questão fiscal
A principal demanda do mercado financeiro de um quarto governo Lula será por previsibilidade fiscal e segurança jurídica.
O setor deseja compreender como o governo pretende financiar os compromissos assumidos durante a campanha sem comprometer a sustentabilidade da dívida pública.
Vale lembrar que a manutenção formal do arcabouço fiscal não será suficiente se não houver medidas capazes de enfrentar o crescimento das despesas obrigatórias. Será necessário apresentar prioridades claras, mecanismos de controle de gastos e uma trajetória fiscal compatível com a estabilização da dívida.
Outro ponto importante será preservar a autonomia técnica do Banco Central e a continuidade das agendas regulatórias. Também será necessário equilibrar a atuação dos bancos públicos com critérios técnicos de concessão de crédito, evitando que objetivos de estímulo econômico comprometam qualidade dos ativos e gestão de riscos.
A questão central não é a preferência política do mercado financeiro, mas a previsibilidade das decisões econômicas.
Acompanhe O Brasilianista nas redes sociais

