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Economia

Bancos e petrolíferas sentiram o peso da reeleição de Lula

O setor financeiro e companhias petrolíferas foram as que mais perderam valor de mercado no primeiro pregão após as eleições

Bolsa de valores
Os 20 setores com as maiores perdas acumularam uma desvalorização de aproximadamente R$ 689,9 bilhões (Foto: Magnific)

O pregão da última segunda-feira (26) foi marcado por uma expressiva redução do valor de mercado das empresas listadas na B3. A primeira sessão após as eleições marcou o primeiro circuit breaker da Bolsa de Valores do Brasil em seis anos. O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o pregão em queda de 13,88% aos 176.608,23.

Já o real desvalorizou frente ao dólar, que saltou 8,21% nesta segunda e fechou o dia cotado a R$ 5,402.

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Levantamento da Elos Ayta revela que os 20 setores com as maiores perdas acumularam uma desvalorização de aproximadamente R$ 689,9 bilhões, na comparação com o fechamento da última sexta-feira (23). O setor bancário liderou as perdas, com uma redução de R$ 240,1 bilhões entre 18 empresas.

Em seguida, as maiores perdas foram de energia elétrica, com R$ 92,8 bilhões entre 28 empresas, e exploração, refino e distribuição de petróleo, com R$ 80,5 bilhões entre oito empresas. Juntos, esses três setores responderam por R$ 413,5 bilhões, equivalentes a aproximadamente 59,9% das perdas registradas pelos 20 setores analisados.

A intensidade da desvalorização também atingiu outros segmentos relevantes da economia brasileira, como serviços financeiros diversos (-R$ 43 bilhões), serviços médico-hospitalares, análises e diagnósticos (-R$ 34,7 bilhões), e água e saneamento (-R$ 34,6 bilhões).

O setor de aluguel de carros apresentou uma das maiores retrações proporcionais, com queda de aproximadamente 43,4% em seu valor de mercado, passando de R$ 73,6 bilhões para R$ 41,7 bilhões. Já o segmento de incorporações imobiliárias, composto por 24 empresas, perdeu R$ 21,7 bilhões, o equivalente a 32,5% de seu valor de mercado anterior.

Setores que mais perderam valor de mercado no dia 26 de outubro em R$ milhões
Qdd empresasSetor23-out-2626-out-26Variação
18Bancos1.404.1231.163.998-240.125
28Energia elétrica665.417572.595-92.822
8Exploração refino e distribuição983.326902.798-80.528
2Serviços financeiros diversos118.95175.969-42.982
9Serviços médico-hospitalares análise174.284139.538-34.746
5Água e saneamento161.835127.259-34.576
3Aluguel de carros73.61541.677-31.937
24Incorporações66.81845.072-21.746
1Cervejas e refrigerantes257.753237.509-20.243
10Medicamentos e outros produtos68.05551.366-16.689
3Exploração de rodovias50.26733.691-16.576
9Exploração de imóveis49.91937.662-12.257
3Alimentos32.16520.093-12.072
7Tecidos vestuário e calçados30.63219.315-11.317
6Telecomunicações157.874147.844-10.031
9Serviços educacionais21.70014.469-7.231
4Eletrodomésticos17.64910.922-6.727
2Holdings diversificadas10.3734.068-6.305
2Transporte ferroviário48.20742.416-5.790
12Programas e serviços32.49427.055-5.439
Fonte: Elos Ayta

 

Segundo o estudo, os números mostram que o movimento não ficou restrito às empresas de maior capitalização, alcançando também setores tradicionalmente mais sensíveis às expectativas de juros e às condições de financiamento.

Os dez setores mais afetados concentraram aproximadamente R$ 615,4 bilhões, ou 89,2% das perdas dos 20 setores, enquanto os demais dez responderam por R$ 74,5 bilhões.

Entre os segmentos que também registraram retrações relevantes estão medicamentos e outros produtos, exploração de rodovias, exploração de imóveis, alimentos, tecidos, vestuário e calçados, telecomunicações e serviços educacionais.

Vale lembrar que a redução do valor de mercado representa a desvalorização das companhias em Bolsa, não significando uma saída efetiva de recursos financeiros equivalente ao montante apurado.

Cenário é reflexo de aposta do mercado

No último domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com mais de 51,7% dos votos válidos, contra as expectativas do mercado financeiro. 

Apesar dos movimentos bruscos, a queda da Bolsa não evidencia um problema crônico no mercado financeiro, apenas uma precificação das apostas dos investidores.

Especialista entrevistado por O Brasilianista indicou que essa é uma reavaliação das perspectivas de rentabilidade, crescimento do crédito, inadimplência e custo de capital.

Os bancos mais expostos ao crédito de pessoas físicas, pequenas empresas e financiamento de longo prazo tendem a enfrentar maior pressão caso os juros permaneçam elevados. Vale lembrar que a Selic, principal taxa de juros no país, opera a 13,75% ao ano.

Por outro lado, instituições com receitas diversificadas, gestão de recursos, operações de tesouraria e serviços financeiros menos dependentes do ciclo de crédito podem apresentar maior capacidade de adaptação.

A reação inicial, portanto, não deve ser confundida com uma tendência permanente. Movimentos intensos após eleições frequentemente incluem ajustes de posições financeiras, que podem ampliar temporariamente a volatilidade.

A estabilização dependerá principalmente das primeiras sinalizações do governo sobre a condução da política econômica, a composição da equipe ministerial, o Orçamento de 2027 e a trajetória da dívida pública.

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