Uma decisão judicial de março de 2024, posteriormente superada pelo encerramento das acusações contra Jair Renan Bolsonaro (PL), foi apresentada como novidade pelo Correio Braziliense na quinta-feira (29).
A publicação afirmava que o vereador de Balneário Camboriú (SC), filho mais novo do ex-presidente Jair Bolsonaro, havia se tornado réu por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e uso de documento falso.
A informação foi reproduzida por outros portais, antes da divulgação de uma correção.
Embora Jair Renan tenha sido denunciado em 2024 por suspeitas relacionadas à obtenção de empréstimos bancários, as acusações foram posteriormente trancadas por decisões do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A defesa, representada pelo advogado Admar Gonzaga, publicou uma nota no perfil do parlamentar no Instagram contestando a divulgação de uma condição processual que já não existia.
Origem do processo
A investigação teve início após suspeitas de utilização de documentos com informações financeiras falsas para obter empréstimos em nome da empresa RB Eventos e Mídia, vinculada a Jair Renan.
Em agosto de 2023, a Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a Operação Nexum, que investigava possíveis crimes de estelionato, falsificação documental e lavagem de dinheiro. O vereador e o instrutor de tiro Maciel Alves de Carvalho figuraram entre os investigados.
Segundo a apuração policial divulgada à época, documentos apresentados a instituições financeiras indicavam que a empresa havia faturado R$ 4,6 milhões entre 2021 e 2022.
Os investigadores suspeitavam que os valores não correspondiam à realidade econômica da companhia.
A investigação examinou três empréstimos, de aproximadamente R$ 157 mil, R$ 251 mil e R$ 291 mil.
Em fevereiro de 2024, a Polícia Civil indiciou Jair Renan, e a denúncia apresentada pelo Ministério Público foi recebida pela Justiça em março daquele ano.
Acusações trancadas
O processo passou por mudanças após a apresentação de recursos da defesa. O TJDFT concluiu que não haviam sido demonstrados elementos mínimos suficientes para sustentar as acusações de falsidade ideológica e uso de documento falso.
Em fevereiro de 2026, o STJ determinou o trancamento da acusação remanescente de lavagem de dinheiro.
Segundo as informações reunidas em checagem da AFP, o tribunal considerou que a imputação havia perdido seu fundamento após o encerramento das acusações relacionadas aos supostos documentos falsos.
Dívida bancária
Paralelamente à investigação criminal, Jair Renan enfrentou uma cobrança judicial apresentada pelo Santander.
O banco buscava receber valores relacionados a um empréstimo de R$ 291 mil contratado em junho de 2023.
Com a incidência de juros e atrasos, a dívida havia chegado a aproximadamente R$ 433 mil no início de 2025.
Em março daquele ano, o vereador firmou um acordo para quitar R$ 409 mil. A Justiça encerrou a ação de cobrança em maio de 2025, após a regularização do débito.
Defesa critica divulgação
Após a circulação da reportagem de quinta-feira, a assessoria jurídica de Jair Renan divulgou uma manifestação assinada por Admar Gonzaga.
O advogado afirmou que a publicação original do Correio Braziliense, assinada pelo jornalista Renato Souza, apresentava uma informação falsa e havia sido reproduzida em portais e redes sociais.
Segundo a nota, o jornal publicou uma errata após a contestação da defesa. O comunicado também questionou a informação de que os representantes jurídicos do parlamentar teriam sido procurados antes da divulgação da reportagem.
A assessoria sustentou que a repercussão da notícia incorreta prejudicou a imagem e a reputação de Jair Renan, argumentando que uma correção posterior não alcança necessariamente todos os leitores que tiveram contato com a versão original.
O posicionamento também cobrou maior rigor na apuração de informações judiciais, especialmente quando uma reportagem atribui a uma pessoa a condição de réu em um processo que já teve seu prosseguimento encerrado.
Correção da informação
O Correio Braziliense havia publicado a reportagem com o título "Jair Renan vira réu por acusação de lavagem de dinheiro", atribuindo o recebimento da denúncia à segunda-feira (26).
A data, entretanto, não correspondia ao andamento do processo criminal citado. A acusação havia sido recebida em março de 2024, mais de dois anos antes da publicação.
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