Vereadores da bancada da oposição à prefeitura de Salvador protocolaram um requerimento nesta terça-feira (27) para criar uma Comissão Interna de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal da capital baiana (CMS), solicitando a apuração da retenção de ônibus nas garagens e da redução da frota do transporte coletivo durante o segundo turno das eleições de 2026.
No último domingo (25), diversas reportagens e relatos de moradores de Salvador e da região metropolitana indicaram que as frotas de ônibus não estavam em operação total. Vale lembrar que o transporte público gratuito com frota de dia de semana é garantida por lei.
Centenas de ônibus ficaram nas garagens e eleitores esperaram horas nos pontos, dependendo de caronas para votar e houve casos em que eleitores precisaram voltar para casa sem comparecer às urnas.
O Procon-BA afirmou que 944 ônibus foram localizados em cinco garagens, sem rodar pela cidade. Reportagem do BNews mostra que a oposição justifica a abertura de uma CEI com base na denúncia levada à Justiça Eleitoral que apontou redução superior a 50% da frota em relação aos dias úteis, e uma inspeção de juiz auxiliar na sede do BRT teria confirmado frota inferior, por orientação da Secretaria de Mobilidade (Semob).
O texto também deseja apurar as responsabilidades do prefeito Bruno Reis (União Brasil), do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, e das concessionárias. Caso fiquem confirmadas as irregularidades, Bruno Reis pode sofrer um processo de impeachment e ser destituído do cargo.
Assinam o requerimento os vereadores Silvio Humberto (PSB), Marta Rodrigues (PT), Aladilce Souza (PCdoB), Eliete Paraguassu (PSol), Randerson Leal (Podemos), Hélio Ferreira (PCdoB), David Rios (MDB) e Hamilton Assis (PSol). Agora, o texto está nas mãos do presidente da Câmara Municipal, Carlos Muniz (PSDB).
O texto solicita, em caráter de urgência, a criação de uma CEI com prazo de 12 meses, prorrogável por igual período.
O Supremo Tribunal Federal (STF) também possui uma ação para apurar o caso. De acordo com os vereadores que pedem a comissão, a prefeitura alegou a retenção dos veículos por adesivos de campanha nos ônibus, o que "não se sustenta", visto que a propaganda irregular deve ser combatida na Justiça Eleitoral e não "às custas do eleitor".
Prefeitos das cidades atingidas são de oposição ao PT
As três cidades que registraram boa parte das reclamações, Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana, são administradas por prefeitos do União Brasil, partido de oposição ao PT na Bahia. Ao todo, os três municípios reúnem 2,5 milhões de eleitores.
Além disso, Bruno Reis, Débora Régis e José Ronaldo de Carvalho, os prefeitos das respectivas cidades, são aliados ao grupo político de ACM Neto.
O Brasilianista mostrou que o secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, teve a prisão em flagrante determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral do estado (TRE-BA). Durante o segundo turno, em que o transporte coletivo gratuito é garantido por lei à sociedade, o secretário estava em Paris, na França, em uma viagem institucional acompanhando a vice-prefeita Ana Paula Matos.
Em nota, a Secretaria de Mobilidade (Semob) de Salvador determinou que todos os ônibus fossem liberados das garagens, com a frota máxima.
Prorrogação das eleições
As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) pediram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a extensão do horário de votação em onze estados no último domingo (25).
O pedido da campanha de Lula se estendia da Bahia a determinados municípios do Piauí, da Paraíba, do Paraná, do Pará e do Rio de Janeiro, além de São Paulo, Alagoas, Pernambuco e Roraima por falta de transporte. São mais de 77,8 milhões de eleitores nesses dez estados.
Já a solicitação da campanha de Flávio é específica para 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, justificada pelas dificuldades de acesso aos locais de votação provocadas por chuvas, alagamentos e interdições.
O ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou a prorrogação da votação das 17h até 19h no domingo devido aos diversos problemas de transporte e climáticos em diferentes estados do país. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, afirmou posteriormente que a mudança foi correta e não afetou o resultado das eleições à favor de algum candidato.
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