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Economia

Caso Master: Por que a PF está investigando São Roque?

Mais de 19 fundos de pensão públicos passaram a ser investigados no âmbito do caso

Caso Master: Por que a PF está investigando São Roque?
Ações ligadas a Vorcaro para a realização de aportes não envolviam avaliação prévia de riscos, etapa praxe antes de grandes investimentos (Polícia Federal/Divulgação)

A Polícia Federal (PF) cumpre nove mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Pernambuco no âmbito da Operação Entressafras, nesta terça-feira (27).

A investigação busca apurar crimes cometidos contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de São Roque (São Roque Prev), em São Paulo, entre os anos de 2022 e 2024.

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O que chama a atenção dos investigadores é a movimentação de R$ 80 milhões em Letras Financeiras, além de outros R$ 20 milhões destinados a um Fundo de Investimento Imobiliário.

De acordo com apuração divulgada pela CNN, a captação e o direcionamento dos valores foram articulados com a participação do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Atuação no São Roque Prev

A PF aponta que a decisão de investir foi conduzida de forma direcionada para determinados emissores de títulos ou ativos.

Os emissores teriam sido escolhidos antes de qualquer avaliação de risco para o negócio, o que contraria as práticas regulares do mercado financeiro.

O São Roque Prev teria sofrido um prejuízo estimado em aproximadamente R$ 121 milhões, valor que foi bloqueado por determinação judicial em decorrência das investigações.

Caso os crimes sejam comprovados, os investigados poderão responder por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e peculato.

Mapeamento dos fundos previdenciários

Como O Brasilianista já mostrou, foram identificados ao menos 19 casos com dinâmicas semelhantes. O mapeamento do esquema foi realizado pela PF no âmbito da Operação Off-Balance.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Federal identificaram o mesmo padrão de comportamento quando foram realizados aportes de quase R$ 90 milhões envolvendo o fundo de pensão do município de Cajamar (SP).

Além de Cajamar e São Roque, outros municípios paulistas registraram aportes sob investigação: Araras (SP), com R$ 29 milhões; Santo Antônio de Posse (SP), com R$ 13 milhões; e Santa Rita d’Oeste (SP), com R$ 2 milhões.

Aportes em outros estados

Fundos previdenciários municipais de diversos estados brasileiros também foram alvos das operações investigadas. Em Maceió (AL), os aportes somaram quase R$ 100 milhões. Em Itaguaí (RJ), os valores alcançaram R$ 59,6 milhões, enquanto em Aparecida de Goiânia (GO) foram registrados R$ 40 milhões.

Em Congonhas (MG), os aportes somaram R$ 14 milhões. No estado de Mato Grosso do Sul, foram identificadas operações em Campo Grande (MS), no valor de R$ 1,2 milhão; Fátima do Sul (MS), com R$ 7 milhões; São Gabriel do Oeste (MS), com R$ 3 milhões; Jateí (MS), com R$ 2,5 milhões; e Angélica (MS), com aproximadamente R$ 2 milhões.

Completam a lista os municípios de Imbituva (PR), com R$ 4 milhões, e Paulista (PE), com R$ 3 milhões.

No início do ano, a investigação identificou a realização de aportes que somam R$ 1,87 bilhão oriundos de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) em ao menos 19 entes públicos, entre estados e municípios.

Servidores Públicos

Vorcaro utilizou a estrutura do Banco Master para aportar quase R$ 1,9 bilhão provenientes de fundos de previdência pública ao longo de aproximadamente um ano. O estado mais impactado pelas operações foi o Rio de Janeiro, por meio do RioPrevidência.

O RioPrevidência, responsável pela gestão da previdência dos servidores fluminenses, aplicou cerca de R$ 970 milhões na instituição, mesmo com alertas sobre os problemas financeiros enfrentados pelo Banco Master. Como revelou O Brasilianista, a situação semelhante ocorreu no Norte do país com o Amazonprev, no Amazonas, que destinou R$ 50 milhões, e com a Amprev (Amapá Previdência), que registrou aportes de aproximadamente R$ 400 milhões.

Aporte por Estado
UFTotal Investido
RJ
R$ 970.000.000,00
AP
R$ 400.000.000,00
AL
R$ 97.000.000,00
SP
R$ 93.150.000,00
SP
R$ 87.000.000,00
RJ
R$ 59.600.000,00
AM
R$ 50.000.000,00
GO
R$ 40.000.000,00
SP
R$ 29.000.000,00
MG
R$ 14.000.000,00
MS
R$ 7.000.000,00
SP
R$ 7.000.000,00
PE
R$ 3.000.000,00
MS
R$ 3.000.000,00
MS
R$ 2.500.000,00
MS
R$ 2.000.000,00
SP
R$ 2.000.000,00
MS
R$ 1.200.000,00

Somente as operações envolvendo esses institutos estaduais somam R$ 1,4 bilhão em recursos movimentados. Em termos globais, a Polícia Federal (PF) já identificou mais de R$ 2,3 bilhões aplicados em Letras Financeiras (LF) ligadas ao esquema.

No setor privado, a atuação de Vorcaro também alcançou o Itaigara Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado, utilizado para a aquisição de carteiras de crédito bancário do Banco Master.

Desdobramentos da investigação na PF

As apurações sobre os aportes efetuados pelo RioPrevidência levaram à prisão de Deivis Marcon Antunes, ex-presidente da autarquia fluminense. De acordo com a PF, o ex-gestor tinha ciência das irregularidades desde 2024 e é apontado pelos investigadores como peça-chave para a ampliação da influência do banqueiro no estado.

Antunes havia sido alçado ao comando do RioPrevidência por indicação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.

Prejuízos na Cedae

Outra entidade envolvida em aplicações irregulares, conforme apontado pelas investigações da PF, foi a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). A estatal realizou a compra de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master, gerando uma exposição milionária.

A irregularidade foi constatada por meio de uma auditoria interna, que identificou que o Banco Master não preenchia os requisitos mínimos de elegibilidade previstos na política de investimentos da Cedae. Para viabilizar a operação, as normas internas de enquadramento da estatal teriam sido alteradas meses após o aporte inicial.

A Cedae tentou realizar o resgate antecipado dos papéis, mas os valores acabaram bloqueados. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Como os CDBs adquiridos pela Cedae ultrapassavam os limites de garantia e não contavam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a operação resultou em um prejuízo estimado em R$ 222 milhões para os cofres da companhia.

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