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Justiça

Kassab cada vez mais próximo de Vorcaro

O ex-dono do Banco Master afirmou que o presidente do PSD recebia comissões da instituição financeira

Kassab
Kassab nega qualquer relação com Vorcaro (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, supostamente recebeu pagamentos de comissões pelo Banco Master em operações envolvendo investimentos de fundos previdenciários de estados e municípios ligados ao partido.

É o que indica um relato atribuído ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, durante uma tentativa de acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). É importante destacar que, até o momento, as propostas de delação premiada do banqueiro foram recusadas.

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Reportagem do BNews mostrou que, de acordo com a declaração de Vorcaro, Kassab se comprometeu a incentivar prefeituras administradas pelo PSD ou por grupos aliados a investir recursos de fundos previdenciários em letras financeiras do banco. Vale lembrar que o Master operava com ativos sem lastro real.

Em troca, o banco liquidado pagaria comissões pela captação dos investimentos. Os pagamentos seriam realizados em dinheiro a consultores e agentes públicos, incluindo Kassab.

O presidente do PSD negou as acusações e classificou o relato como “absolutamente fantasioso”. Em nota enviada ao BNews, ele disse que nunca atuou para direcionar investimentos de fundos previdenciários ao banco ou qualquer outra instituição financeira.

Kassab também negou ter recebido valores em espécie, participado de doações relacionadas a Vorcaro ou autorizado terceiros a negociar em seu nome. Por fim, ainda declarou que nunca teve contato pessoal ou telefônico com o empresário.

Doações de campanha em 2022

Essa não foi a única menção de Kassab por Vorcaro.

O Brasilianista noticiou outra declaração de Daniel Vorcaro em delação premiada, que indicava que doações feitas às campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL) em 2022 teriam funcionado como contrapartida de um suposto acordo articulado por Gilberto Kassab.

Os pagamentos citados pelo banqueiro preso incluem R$ 5 milhões em doações eleitorais oficiais realizadas em 2022 por Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro e investigado na Operação Compliance Zero.

Registros das eleições daquele ano mostram que Zettel destinou R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Bolsonaro e R$ 2 milhões para a candidatura de Tarcísio ao governo paulista, tornando-se o maior doador individual dos dois.

Na versão apresentada às autoridades, Vorcaro descreveu esses repasses como “contrapartidas financeiras” ligadas à continuidade do Credcesta no governo que assumiria São Paulo em 2023.

Vorcaro atribuiu a negociação a Augusto Lima, seu ex-sócio e responsável pela expansão do Credcesta dentro do grupo. Com a perspectiva de vitória de Tarcísio em 2022, Lima teria buscado assegurar que o negócio permanecesse operando depois da troca de governo em São Paulo.

Kassab, apoiador da candidatura de Tarcísio naquele momento e posteriormente secretário estadual de Governo, teria participado dessa articulação.

O suposto acordo envolveria o pagamento de 5% do resultado líquido das operações do Credcesta em São Paulo, além de contribuições eleitorais. O pagamento relacionado às campanhas teria sido planejado inicialmente para ocorrer integralmente em dinheiro.

Na época, Vorcaro afirmou ainda que Kassab ou interlocutores ligados a ele teriam comunicado a Augusto Lima que partidos políticos parceiros aceitariam apenas doações eleitorais oficiais.

O presidente do PSD rejeitou integralmente a versão e afirmou não manter relação com Vorcaro. Reconheceu conhecer Augusto Lima e Thiago Botelho, mas negou ter discutido com eles o Credcesta ou doações eleitorais.

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