Protestos em vários países da Europa trazem um reflexo das indignações da população frente ao mal-estar causado pela economia e também uma crise social ampla.
França, Albânia, Itália, Reino Unido e mais regiões enfrentam uma série de protestos que, muitas vezes, acabam em repressão policial grave.
Os protestos estudantis na França são o principal destaque. Iniciados no final de setembro, alunos do ensino médio cobram mais investimentos em educação. Após quase três semanas em manifestações, outros setores devem entrar para o grupo, agora para exigir melhores condições de custo de vida e o preço dos combustíveis.
Em geral, as manifestações pela Europa possuem duas principais motivações: o baixo crescimento econômico e a deterioração das contas públicas.
Enquanto os mercados europeus pressionam para que os governos contenham o endividamento e tentem diminuir os déficits, a população exige mais investimentos em serviços públicos, melhores condições de aposentadoria e outros benefícios sociais, sem aumentos de impostos.
As manifestações da Europa
França
Manifestações estudantis iniciadas em setembro se espalharam pelo país. Os atos incluem bloqueios de escolas e confrontos com as forças de segurança. Os principais motivos são falta de professores, escolas deterioradas, salas superlotadas e críticas à falta de recursos para a educação.
Também há insatisfação com o custo de vida e mobilizações de agricultores contra a concorrência das importações e o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.
Cortes de gastos públicos, desigualdade entre regiões, custo de vida e pressão sobre o orçamento do Estado fazem parte das indignações de manifestantes.
Albânia
A crise política e protestos contra o governo da Albânia são causados por denúncias de corrupção, insatisfação com a educação pública e oposição a um projeto de resort de luxo em áreas costeiras.
Em 16 de outubro, estudantes e jovens protestavam pelo quarto dia consecutivo em Tirana, exigindo a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama. Os atos se espalharam para outras cidades e houve confrontos com a polícia.
Entre os principais desafios econômicos que o país enfrenta, estão corrupção, concentração de riqueza, desenvolvimento imobiliário e desconfiança nas instituições.
Espanha
Já a crise habitacional e o custo de vida são as principais preocupações dos espanhóis em protestos desde o início de outubro.
Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas em cerca de 50 cidades. Em Madri, manifestações ganharam força em torno do caso de uma idosa despejada, que se tornou símbolo da crise habitacional. Em Barcelona, houve confrontos durante atos por moradia.
Aluguéis elevados, despejos, especulação imobiliária, dificuldade de acesso à moradia, turismo de curta duração, salários que não acompanham os custos de moradia e dificuldade de independência financeira dos jovens são os motivos que levam a população às ruas.
Os produtores rurais da Espanha, por sua vez, contestam custos crescentes de combustíveis e fertilizantes, queda dos preços recebidos e concorrência das importações.
Bélgica
Na Bélgica, parte da população entrou em greves e oposição à austeridade causados por cortes orçamentários, reformas previdenciárias, mudanças no seguro-desemprego e aumento de impostos.
Em 9 de outubro, milhares de pessoas participaram de uma manifestação em Bruxelas contra as políticas socioeconômicas do governo de Bart De Wever.
Sindicatos, professores, estudantes, trabalhadores ferroviários e servidores públicos participaram. Houve interrupções no transporte e em voos, além de confrontos localizados.
Os manifestantes podem ajuste fiscal, controle da dívida pública, financiamento da previdência e distribuição do custo das reformas.
Itália
Estudantes italianos também participaram da onda de manifestações contra problemas de financiamento e condições das escolas.
O movimento se conecta à mobilização estudantil francesa, embora a intensidade e as reivindicações locais sejam diferentes.
Reino Unido e Alemanha
Diferentemente das demais manifestações pela Europa, o Reino Unido e Alemanha enfrentam uma mobilização política e humanitária sobre a situação em Gaza.
Em 10 de outubro, Londres recebeu uma grande marcha pró-Palestina, com reivindicações contra a venda de armas a Israel e pela adoção de sanções.
Berlim, por sua vez, registrou manifestações relacionadas ao terceiro aniversário dos ataques de 7 de outubro de 2023 e à guerra em Gaza. As mobilizações enfrentaram restrições e detenções.
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