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Justiça

Quem ganha e quem perde no STF com o favoritismo de Flávio Bolsonaro?

Bolsonarismo vai se vingar do Supremo que barra seus objetivos desde 2019

Senador expõe que Alexandre de Moraes e governo Lula fizeram acordo para o PL da Dosimetria; entenda
Moraes será o primeiro da lista de impeachment elaborada pelos bolsonaristas

A vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições, no domingo (4), acendeu um sinal de alerta no Supremo Tribunal Federal, enquanto a eleição de maioria bolsonarista no Senado a partir de 2027 deixa a Corte numa situação extremamente delicada.

O ministro Alexandre de Moraes será a primeira vítima dos bolsonaristas. Algoz de Jair Bolsonaro ao condená-lo por tentar um Golpe de Estado, Moraes terá de usar todo seu capital político, já bastante estressado por conta do Caso Master, para continuar usando a toga da Corte Constitucional.

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Flávio Dino também deve passar por apuros. Ministro responsável por emparedar o Congresso Nacional ao investigar as emendas parlamentares, Dino não terá apoio no Senado — nem clemência na Câmara dos Deputados — quando a vingança bolsonarista começar.

Cármen Lúcia é outra integrante do STF que deve sofrer muita pressão bolsonarista, mas não a ponto de sofrer um impeachment. Uma das principais críticas às políticas de Jair Bolsonaro, a ministra ajudou a barrar o afrouxamento da fiscalização ambiental.

O mesmo vale para o atual presidente do STF, Luiz Edson Fachin, que votou juntamente com Cármen Lúcia para impedir o desmonte da fiscalização ambiental pretendida pelo bolsonarismo desde 2019. Pesa ainda contra Fachin a decisão que tirou Lula da cadeia e permitiu ao petista disputar as eleições de 2022 justamente contra Jair Bolsonaro.

Salvos

Morning Call: CPMI do INSS é prorrogada por determinação de André Mendonça

Cristiano Zanin, devido à sua postura discreta, deve ser poupado. Mesmo tendo sido indicado por Lula, Zanin tem ótima interlocução com políticos e advogados conservadores.

José Antônio Dias Toffoli é outro que deverá escapar da sanha bolsonarista contra o STF a partir do ano que vem, mesmo tendo sido ele o presidente do Supremo que abriu o inquérito das Fake News.

Toffoli manteve boa interlocução com o bolsonarismo e até relativou o Golpe de 1964, chamando o golpismo do passado de Movimento de 64. O ministro também votou para anular as investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre as rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Gilmar Mendes também deve continuar no STF, mesmo com um Brasil sob a gestão bolsonarista. A força do decano do Supremo na Política e no Judiciário garantem a blindagem. 

Além disso, Gilmar, assim como Toffoli, foi um dos ministros que votou contra recursos do MPRJ para manter as investigações do MPRJ sobre as rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Os vencedores

TSE deverá analisar decisão de Kassio Nunes sobre pesquisa nesta terça-feira (09)

Se Flávio Bolsonaro vencer Lula no segundo turno eleitoral, no próximo dia 25, Kassio Nunes Marques se tornará o ministro mais forte do STF. Atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio presidirá o Supremo a partir de setembro de 2029, ou até antes, caso Moraes seja expulso da Corte.

Kassio Nunes Marques terá também a seu favor a boa relação com Flávio, que foi um dos entusiastas de sua nomeação para o STF, e de integrantes do Centrão próximos do bolsonarismo, como Ciro Nogueira, padrinho político de Kassio que é considerado o "vice dos sonhos" do filho mais velho de Jair Bolsonaro.

Kassio já havia mostrado sua força ao vencer Gilmar, Moraes e Dino na última eleição para ministro do Superior Tribunal de Justiça. Enquanto o trio apoiou o desembargador Ney Bello, Nunes Marques emplacou Carlos Brandão no STJ.

André Mendonça será outro ministro "ungido" pelas lideranças conservadoras que assumirão o comando do país em 2027. Foi uma decisão de Mendonça que expôs a proximidade de Moraes com Daniel Vorcaro, que pagava honorários de centena de milhão de reais à Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre.

Mendonça também conta com apoio da bancada evangélica, principalmente de Michelle Bolsonaro, eleita senadora pelo Distrito Federal no domingo 4. Foi a ex-primeira-dama a responsável por colocar André Mendonça no STF.

Assim como Mendonça e Kassio, Luiz Fux será agraciado pelo bolsonarismo. Fux defendeu até o fim a inocência dos acusados pelo 8 de janeiro e usou todas as cartas jurídicas que tinha para impedir a condenação de Jair Bolsonaro e dos aliados do ex-presidente.