Taiwan e Coreia do Sul se apresentam como os primeiros grandes laboratórios da transformação do boom de inteligência artificial (IA). Para além da movimentação de empresas como Nvidia, Microsoft, Alphabet ou empresas especializadas em modelos generativos, o volume de dinheiro destinado a chips, servidores e data centers começou a atravessar outras partes da economia.
O avanço rápido dos negócios desse setor e semicondutores está fortalecendo as moedas desses países, que possuem grande força nessas áreas.
De salários e consumo doméstico a arrecadação tributária e investimentos industriais, O Brasilianista mostrou que já existe uma análise de “economia do gotejamento” do avanço da IA.
A Coreia do Sul registrou em junho o crescimento mais forte de suas exportações desde 1978, alta de 70,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, para US$ 102,25 bilhões, cerca de R$ 527 bilhões pela cotação atual. Somente as vendas externas de semicondutores saltaram quase 200%, para US$ 44,8 bilhões, aproximadamente R$ 231 bilhões.
Em Taiwan, por sua vez, o Banco Central revisou nesta semana sua projeção de crescimento econômico de 2026 para 11,48%, impulsionado principalmente pela demanda internacional por chips e equipamentos ligados à IA.
Boa parte desse efeito é resultado de uma compra massiva de processadores, chips de memória, servidores, sistemas de armazenamento e equipamentos de rede para que empresas como OpenAI, Google, Microsoft, Meta, Amazon, entre outras ampliem sua capacidade computacional para treinar e operar seus modelos.
Nesse cenário, poucas economias possuem empresas capazes de atender essa demanda na escala necessária. Taiwan abriga a TSMC, principal fabricante mundial de semicondutores avançados.
Já a Coreia do Sul possui Samsung Electronics e SK Hynix, líderes em chips de memória e especialmente em HBM, tecnologia fundamental para aceleradores utilizados em inteligência artificial.
Expansão de datacenters
O Brasilianista também noticiou uma projeção de investimentos de até US$ 7 trilhões das empresas do setor e investidores privados no desenvolvimento de datacenters até 2030.
Ao contrário da primeira fase do boom de inteligência artificial (IA), que foi bancada prioritariamente pelo caixa das big techs, a fase atual depende massivamente de empréstimos bancários, títulos de dívida (bonds) e crédito privado.
Assim, diversas companhias de tecnologia costumam firmar contratos com operadores de centros de dados, permitindo utilizar as instalações sem gastar diretamente com o terreno, edifícios e infraestrutura elétrica.
A premissa é que os lucros futuros superarão as dívidas com os contratos de longo prazo com essas operadoras. Por outro lado, já há uma parte do mercado que está cética sobre esse retorno, o que encarece os juros das dívidas.
Para não acumularem todo o risco de crédito em seus balanços, grandes bancos e gestoras estão securitizando essas dívidas e transferindo os riscos para seguradoras, fundos de pensão e investidores do mercado de varejo.
Esses arranjos equivalem ao que os analistas de mercado chamam de “shadow borrowing”, ou empréstimos paralelos. São obrigações economicamente semelhantes a dívidas, mas que, em grande parte, ficam fora dos balanços corporativos.
Isso porque existe um temor real de que o retorno financeiro com aplicações de IA demore mais do que o previsto para se concretizar ou que os equipamentos, como chips e servidores, se tornem obsoletos antes mesmo que os datacenters consigam amortizar suas dívidas.
Além do risco financeiro, a pressão sobre as redes elétricas e as isenções fiscais concedidas a esses empreendimentos podem sobrecarregar finanças públicas locais e se traduzir em aumento na conta de luz dos consumidores.
IA é o novo petróleo na valorização de moedas?
Apesar do dólar ser a principal moeda de referência no mundo, a divisa dos Estados Unidos não é a mais forte. O euro também não ocupa esse lugar.
Das 163 moedas no mundo, de acordo com o Banco Central do Brasil (BC), dos 193 Estados reconhecidos pelas Nações Unidas (ONU), as mais fortes se destacam por superarem o valor do dólar, especialmente em regiões atreladas ao comércio de commodities, como o petróleo.
Segundo a Nomad, a moeda mais valorizada do mundo atualmente é o Dinar do Kuwait. Entre os motivos que podem influenciar a variação de uma divisa, é possível destacar:
- liquidez (quanto de dinheiro há disponível no mercado)
- balança comercial (importações e exportações)
- risco-país (estabilidade econômica)
- preço das commodities
- taxa de câmbio
- economia mundial
- política exterior
O aumento da IA, por sua vez, ainda não caracteriza as moedas da Coreia do Sul e Taiwan como as mais fortes do mundo, visto que ainda é cedo para essa análise. Mas a expectativa é válida.
No entanto, a tecnologia — ainda — não se tornou uma espécie de commodity para o mundo como o petróleo representa. As regiões com moedas mais valorizadas do globo atualmente possuem exploração dessa e outras commodities, que são essenciais inclusive para a produção de semicondutores utilizados na indústria de IA.
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