Os investimentos globais em data centers podem atingir US$ 31,6 trilhões (R$ 16,2 trilhões) até 2050, com um potencial de crescimento de quase US$ 50 trilhões caso a adoção da inteligência artificial (IA) se acelere.
É o que indica uma pesquisa da PwC encomendada à Oxford Economics. Diferentemente dos ciclos anteriores de gastos com infraestrutura, espera-se que o investimento em data centers continue aumentando até 2050, pois servidores, GPUs e outros equipamentos de TIC precisam ser atualizados a cada quatro a seis anos.
Embora a demanda por data centers seja forte globalmente, fatores como disponibilidade de energia, requisitos de soberania de dados e fluxos comerciais de chips determinarão quais regiões devem dominar essa estratégia.
O levantamento projetou um modelo de investimento em centros de dados em 46 países/territórios e cinco regiões — uma área que representa a maior parte da produção econômica global e dos gastos com infraestrutura digital.
Para construir a capacidade computacional necessária para suportar as ambições globais em IA, o cenário central mostrou um investimento médio de US$ 31,6 trilhões, que podem chegar até US$ 50 trilhões em pouco mais de 20 anos.
Além da escala, o que diferencia este ciclo de investimentos de capital é a aceleração dos gastos anuais ao longo do tempo, passando de aproximadamente US$ 800 bilhões em 2026 para US$ 1,1 trilhão em 2030 e US$ 1,8 trilhão em 2050. Isso porque a maior parte dos gastos não se destina à construção dos edifícios, mas aos servidores, sistemas de armazenamento, equipamentos de rede, unidades centrais de processamento (CPUs) e, especialmente, às unidades de processamento gráfico (GPUs) que fornecem poder computacional para a IA.
Vale destacar que as GPUs se tornam obsoletas em poucos anos e precisarão ser substituídas.
Além disso, o estudo indica que a trajetória de aumento no financiamento se mantém mesmo que as tensões geopolíticas restrinjam a oferta de chips avançados ou direcionem a demanda para cargas de trabalho atendidas localmente.
Quase metade está nas Américas
Dos US$ 31 trilhões esperados em financiamento dos centros de dados, somente as Américas devem gastar mais de US$ 16,4 trilhões até 2050 nessas estruturas.
O Brasil, por sua vez, terá um investimento de US$ 500 bilhões, se mantendo praticamente estável no cenário analisado.
Já os Estados Unidos, que concentra boa parte das big techs que desejam investir nessas estruturas, será o principal financiador das próximas duas décadas. O estudo projeta um gasto de US$ 15,07 trilhões para o país em IA.
Os problemas dos data centers
Uma das principais preocupações, no entanto, é a disponibilidade de energia. A demanda por IA está atingindo os limites das redes elétricas construídas décadas atrás, e a concretização da previsão depende da rapidez e da confiabilidade com que a eletricidade poderá alimentar os data centers.
Além disso, o investimento anual em bens de capital permanece elevado em todos os cenários analisados e continua a aumentar visto a estrutura de centro de dados. Por exemplo, conexões de serviços públicos e rotas de fibra óptica podem ter uma longa vida útil, mas a tecnologia interna não.
A IA é o que torna esse ciclo de equipamentos tão intensivo em capital. A infraestrutura de nuvem tradicional foi construída em grande parte em torno de unidades centrais de processamento (CPUs). As cargas de trabalho de IA, por outro lado, dependem de GPUs e aceleradores que são mais caros, consomem mais energia e seguem uma curva de inovação mais rápida. GPUs e servidores normalmente são substituídos a cada quatro a seis anos, o que significa que um único data center pode exigir de três a cinco rodadas de investimento em equipamentos ao longo de uma vida útil de 20 anos.
As dívidas ocultas das big techs
O Brasilianista mostrou que as grandes empresas de tecnologia, como Microsoft, Google, Meta e Amazon, juntamente com investidores privados devem injetar até US$ 7 trilhões no desenvolvimento de datacenters até 2030.
Ao contrário da primeira fase do boom de inteligência artificial (IA), que foi bancada prioritariamente pelo caixa das big techs, a fase atual depende massivamente de empréstimos bancários, títulos de dívida (bonds) e crédito privado.
Nesse cenário, o mercado já cobra juros mais altos devido aos riscos de inadimplência. Ainda, as companhias estão com uma espécie de "dívida oculta" que preocupa o mercado.
Big techs aumentaram suas dívidas “ocultas” para um valor estimado de US$ 1,65 trilhão (R$ 8,37 trilhões) somente no último trimestre. Um estudo do Nikkei Asia mostrou que esse montante já é maior do que a dívida registrada nos balanços das companhias de tecnologia dos Estados Unidos, de US$ 1,35 trilhão (R$ 6,85 trilhões).
Esse fator preocupa os investidores, visto que não conseguem ter uma avaliação de risco completa. A pesquisa analisou demonstrações financeiras recentes e outros documentos da Alphabet (Google), Microsoft, Amazon, Meta e Oracle.
A Meta, por exemplo, possui quase o triplo da dívida registrada fora do balanço. São cerca de US$ 420 bilhões (R$ 2,13 trilhões) em débitos não informados aos acionistas e ao mercado.
O estudo avalia que boa parte desses valores estão sendo aplicados na expansão dos data centers focados em melhorar o desenvolvimento dos modelos de IA das empresas. As big techs fariam isso firmando contratos de longo prazo para compra de GPUs e servidores.
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