Para analisar a política sempre devemos distinguir entre os desejos pessoais e aquilo que faria com que um país seja elegível para investir.
Neste último terreno, é importante registrar o que aconteceu entre setembro e outubro de 2025 quando, depois de ter perdido por 14 pontos em setembro nas eleições bonaerenses, o oficialismo se impôs um mês e meio depois nesse mesmo distrito por um ponto e meio nas eleições nacionais.
A mensagem das urnas foi muito clara: as pessoas não estão bem, mas não querem voltar ao passado.
Poderia-se dizer que, quando votaram em Javier Milei em 2023 e ainda dois anos depois os argentinos decidiram votar a favor do equilíbrio fiscal - não gastar mais do que se ganha -, contra resolver os problemas com emissão monetária -entendeu isso da "maquininha" -, que não precisa de mais intermediário para ter acesso aos benefícios sociais - em referência aos gerentes da pobreza dos movimentos populares -, em rejeição de toda correção política que negue o senso comum - porque muitas vezes essas correções escondem golpes, como demonstrou a "batalha cultural" -, que o crescimento virá pelas mãos dos investimentos privados e começou a entender que o Estado não pode consertar nada sem um custo que será finalmente pago.
A esta altura dos acontecimentos, a quase um ano das eleições presidenciais, ainda NÃO TEMOS CRONOGRAMA NEM SISTEMA eleitoral, desde já que NÃO HÁ CANDIDATOS definidos, mas TAMPOUCO ALIANÇAS, e a dispersão política é total.
Por outro lado, parece que o Presidente está disposto a ceder em popularidade e votos antes de transigir com números insatisfatórios para o fim de 2027. Isso ratifica o que tantas vezes afirmamos: que não está disposto a buscar um segundo mandato tanto quanto a poder obter resultados para mostrar ao mundo a partir de 2028, brindando em conferências no exterior, mostrando o sucesso de um modelo cujo suposto garantidor seria a autonomia do Banco Central.
O peronismo examina seus candidatos bonaerenses e nacionais, mas com dificuldade diante de sua própria fragmentação e sem poder contar com aliados valiosos no interior. A esquerda cresce pelas mãos de Myriam Bregman em detrimento de Axel Kicillof.
À direita, o Presidente se assegurou de afastar candidaturas significativas dentro do oficialismo, com exceção de Patricia Bullrich, que é a única a quem permitiu expressões de independência. Mas, na direita, também estaria a Vice-Presidente, Victoria Villarruel, que se estima estar mais próxima da Província do que de disputar uma candidatura à Nação.
O que está vago é aquilo que as pesquisas refletem como o terço mais amplo, o daqueles que não querem votar no oficialismo nem no peronismo. Poucos candidatos soam com mais firmeza, tais como o empresário Jorge Brito, o jornalista Daniel Hadad e o pastor Dante Guebel, nessa ordem.
Mas ainda falta muito tempo e, talvez, mais candidaturas.
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