A guerra comercial promovida pelo governo de Donald Trump ganhou mais um capítulo nesta terça-feira (25).
O Canadá anunciou tarifas retaliatórias sobre C$ 27,6 bilhões, cerca de US$ 19,94 bilhões (R$ 102,51 bilhões), em produtos dos Estados Unidos, em resposta à nova sobretaxa de 50% aplicada por Washington sobre cerca de US$ 20 bilhões (R$ 102,9 bilhões) em mercadorias canadenses.
As medidas canadenses entram em vigor em 8 de setembro e atingem aproximadamente 700 produtos, com alíquotas de 15%, 25% e 50%.
O movimento de Ottawa chama atenção porque o Canadá está entre os países das Américas que passaram a enfrentar barreiras comerciais do governo Trump desde o início do segundo mandato.
Além dele, Brasil, México, Argentina, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras e Trinidad e Tobago também aparecem entre os países americanos atingidos por medidas tarifárias dos Estados Unidos em diferentes frentes.
Canadá enfreta tarifa de até 50%
A nova ofensiva contra o Canadá começou a valer no último sábado. A Casa Branca estabeleceu uma tarifa adicional de 50% sobre determinados produtos canadenses, com exceções para mercadorias sujeitas a outras tarifas específicas.
A medida entrou em vigor em 19 de agosto e foi apresentada pelo governo Trump como resposta ao que Washington considera tratamento discriminatório contra produtos americanos.
A nova lista americana inclui mais de 550 produtos. Entre eles estão mel, bebidas alcoólicas, móveis, artigos esportivos, cosméticos, brinquedos, smartphones, consoles de videogame e diferentes produtos para construção e decoração.
O conjunto representa aproximadamente US$ 20 bilhões (R$ 102,8 bilhões) em mercadorias canadenses.
O Canadá decidiu responder na mesma proporção econômica. As tarifas anunciadas nesta terça-feira alcançam 700 produtos americanos, com três faixas de tributação.
A alíquota de 50% será aplicada a itens como aço, alumínio, móveis e vestuário. Queijos, eletrodomésticos e alguns frutos do mar terão tarifa de 25%. Já eletrônicos e ferramentas ficarão na faixa de 15%.
A reação canadense, entretanto, não começa do zero. O país já havia adotado medidas contra produtos americanos em 2025, depois das primeiras tarifas impostas por Trump.
Segundo o governo canadense, foram aplicadas tarifas de 25% sobre US$ 30 bilhões (R$ 154,29 bilhões) em produtos, além de medidas de 25% sobre aço, alumínio e veículos.
Em setembro daquele ano, Ottawa retirou grande parte das contramedidas sobre produtos americanos, mas manteve as tarifas sobre aço, alumínio e veículos.
Brasil recebeu tarifa adicional de 25% sobre produtos
O Brasil entrou na lista de países atingidos por uma medida específica dos Estados Unidos em 2026.
Washington estabeleceu uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.
A investigação analisou questões relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e outras políticas comerciais.
México acumula diferentes medidas comerciais
O México também foi alvo da política tarifária de Trump e aparece em mais de uma medida adotada pelo governo americano. As cobranças envolveram diferentes justificativas e categorias de produtos.
Além das tarifas relacionadas ao comércio entre os dois países, o México também foi incluído em uma medida de 2026 relacionada a produtos associados ao trabalho forçado.
Os Estados Unidos estabeleceram uma tarifa de 10% para os produtos abrangidos pela decisão.
Argentina e Honduras entram na tarifa de 10%
Argentina, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras e Trinidad e Tobago foram incluídos na mesma medida comercial dos Estados Unidos relacionada a produtos associados ao trabalho forçado.
Para esses países, a tarifa estabelecida é de 10% sobre as mercadorias abrangidas pela determinação americana.
A medida resulta de uma investigação comercial conduzida pelo governo de Donald Trump e mira políticas relacionadas à entrada, no mercado americano, de produtos fabricados com trabalho forçado.
Por isso, a cobrança não representa uma tarifa geral sobre todas as exportações desses países.
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