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Hernán Maurette

Dança dos candidatos

Enquanto isso, o Governo Nacional e as províncias aproveitam para afinar suas demandas mútuas

Bandeira Argentina
As movimentações para as eleições já começaram na Argentina (Foto: Magnific)

Tal como advertimos desde março, passam os dias e a situação política se esclarece, mas muito lentamente, e nos encontramos agora no momento em que os diferentes setores políticos selecionam suas preferências para concorrer nas eleições de 2027.

Trata-se de uma série de castings que antes eram realizados em nível partidário e no âmbito das convenções partidárias. Agora são as pequenas facções ou espaços intra ou interpartidários alavancados em instrumentos de poder — partidário, financeiro, comunicacional, político — para se alinhar por trás de um candidato.

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Mas são poucos os que apareceram na passarela. De um lado temos o Presidente, que manifestou sua vontade de ser reeleito. Nesse mesmo espaço percebe-se uma ambição presidencial em sua principal espada parlamentar, a senadora Patricia Bullrich, e em Mauricio Macri, que sustenta seu ex-ministro da Economia, Hernán Lacunza. Poderia-se dizer que as chances se distribuem nessa mesma ordem, de acordo com suas possibilidades. Um pouco mais à direita encontra-se a atual Vice-Presidente, Victoria Villarruel, que não manifestou nada no sentido eleitoral, mas que se movimenta com muita desenvoltura na vitrine.

Do outro está o peronismo. De um setor mais radicalmente populista, com o atual governador bonaerense Axel Kiciloff à frente; seguido por um kirchnerismo que não se atreve a se pronunciar por nenhum candidato, e seguido pelo último ex-candidato presidencial, Sergio Massa, que se oferece como peça de unidade. Também nessa ordem. No entanto, fora desse espaço, mas mais à esquerda, está a esquerdista que bate sem luvas, Myriam Bregman, que dispersa parte desse voto.

Esses são os dois setores que não conseguem convencer os moderados, que não querem pertencer a nenhum dos dois lados. Mas que, em sua maioria, têm certeza de não querer voltar para trás. Ao passado populista. Por isso é que rejeitou as propostas muito opositoras a Milei. Mas os candidatos que poderiam seduzi-los ainda se movimentam timidamente. Daniel Hadad, por exemplo, fez um ato com cheiro de campanha, mas com muito de sua própria empresa, com o que não se poderia dizer que aqueles que o acompanharam apoiem um projeto político. O pastor Dante Guebel, que apareceu muito há alguns meses, desapareceu de cena. O único que soa com certa firmeza é Jorge Brito, embora continue sem dar sinais claros de ser candidato no próximo ano.

Enquanto isso, o Governo Nacional e as províncias aproveitam para afinar suas demandas mútuas em negociações que vão sendo saldadas em cuidadosos projetos no Congresso, onde as espetacularidades não funcionam. E assim seguirá durante setembro e outubro, porque após essa primeira leva de leis será preciso votar o Orçamento.

Todos concordam que será preciso esperar até novembro para que comece a se saber o que pode acontecer em 2027.

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