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Justiça

A delação que pode unir o Caso Master, a Carbono Oculto e o Escândalo do INSS

Fundador da Reag estaria negociando colaboração com as autoridades

João Carlos Mansur
Eventual acordo pode levar investigadores a novos nomes ligados às apurações Foto: reprodução/Linkedin

João Carlos Mansur, fundador da Reag, estaria negociando uma possível delação com as autoridades.

A informação sobre uma possível colaboração de João Carlos Mansur foi antecipada pelo BNews em 26 de agosto de 2026, na coluna de Farinha Lima.

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A publicação apontou que o fundador da Reag estaria em tratativas para uma delação e que, caso decidisse colaborar, poderia trazer novos personagens para as investigações que envolvem o Banco Master e fundos de investimento.

Segundo a coluna, o eventual acordo poderia ampliar o alcance das apurações, com a possibilidade de surgirem referências a empresários, políticos, advogados e outras pessoas que tiveram contato com as operações investigadas.

Até o momento, porém, não há confirmação pública de que Mansur tenha fechado uma colaboração premiada, e o conteúdo da eventual negociação não foi divulgado.

Quem é João Carlos Mansur

Como mostrou O Brasilianista Mansur construiu sua trajetória no mercado financeiro como fundador da Reag, gestora que administrava diferentes fundos de investimento. 

Ele deixou o cargo de CEO da companhia e permaneceu como presidente do conselho de administração até outubro de 2025.

Além da atividade financeira, o empresário também mantém negócios em outras áreas.

Mansur é conselheiro do Palmeiras e participou da criação da Revee, empresa voltada à administração de espaços para eventos.

A Reag entrou em uma nova etapa após o Banco Central decretar sua liquidação extrajudicial em janeiro de 2026.

A medida também determinou a indisponibilidade de bens de controladores e ex-administradores enquanto as responsabilidades são apuradas.

Empresário é citado em diferentes investigações

O nome de Mansur apareceu na Operação Carbono Oculto, investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao setor de combustíveis.

Em 2025, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário.

Mansur também passou a ser investigado na segunda fase da Operação Compliance Zero.

A apuração envolve suspeitas de emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras e possíveis irregularidades no sistema financeiro.

Reag e os consignados do Master

As investigações também alcançaram relações entre a Reag e o Banco Master. Segundo O Brasilianista, a Polícia Federal apura se Mansur teria participado de operações destinadas a inflar o balanço do banco.

A instituição administrava fundos que abrigavam estruturas ligadas ao Credcesta, cartão consignado oferecido a servidores públicos e beneficiários do INSS

A Polícia Federal apura possíveis irregularidades envolvendo carteiras de crédito do Master, enquanto o INSS identificou problemas em uma parcela expressiva dos contratos analisados.

Além disso, uma estrutura envolvendo a PKL One, empresa ligada à venda e cobrança do Credcesta, chegou aos fundos administrados pela Reag.

Ao menos três fundos participaram dessa estrutura e movimentaram R$ 193 milhões na PKL One, que chegou a distribuir R$ 32 milhões em lucros em um único período.

A Reag também é investigada por suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro, acusações que a gestora nega.

Patrimônio de Mansur chegou a R$ 1,49 bilhão

O patrimônio declarado por João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, passou de R$ 748,7 milhões em 2023 para R$ 1,49 bilhão em 2024, segundo declarações de Imposto de Renda.

A principal parcela está ligada à Lurix Participações: as ações da empresa foram declaradas por R$ 696,8 milhões em 2023 e chegaram a R$ 1,46 bilhão no ano seguinte.

A evolução também aparece nos rendimentos informados à Receita Federal. Em 2020, Mansur declarou R$ 31,1 milhões em lucros e dividendos recebidos de três empresas.

Quatro anos depois, o montante informado chegou a R$ 773,8 milhões. A Lurix, constituída em 2023, tem entre suas atividades a participação como holding de instituições financeiras e possuía capital social informado de R$ 1,58 bilhão.

Mansur também afirmou aos senadores que a gestora foi penalizada por ser uma companhia “grande e independente”.

Segundo o empresário, a estrutura contava com 800 funcionários e quase 700 fundos, além de 12 profissionais no departamento de compliance e 18 na área jurídica.

“Nosso departamento de compliance era muito forte, tinha 12 pessoas, o que não é normal numa companhia do mesmo segmento, e 18 pessoas no departamento jurídico”, declarou.

O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todas os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.

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