André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), dobrou a aposta contra o também ministro da Corte Alexandre de Moraes e afastou Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal (PF), por entender que foi espionado pela corporação.
O caso foi levado para referendo pela Segunda Turma do STF, onde os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques votaram para manter o afastamento de Andrei. Porém, o julgamento foi suspenso por Gilmar Mendes, que quer mais tempo para analisar o caso.
O pedido de vista que suspendeu o julgamento poderia ter partido de Dias Toffoli, que também integra a Segunda Turma do STF. Mas o ministro tem evitado se aproximar do Caso Master após a relação de sua família com o Master ter sido exposta.
Os lados da briga
Luiz Fux é próximo do bolsonarismo, principalmente no Rio de Janeiro, estado onde nasceu. O ministro foi o único do STF a defender os bolsonaristas durante o julgamento na Corte sobre o golpe de Estado frustrado capitaneado por Jair Bolsonaro.
Nesse julgamento, Fux se investiu de um garantismo penal que não costuma aplicar na maioria de suas decisões. O ministro também é conhecido por ceder à pressão da opinião pública, principalmente a de seus amigos; foi assim na Lava Jato e no Impeachment de Dilma Rousseff.
Nunes Marques é ligado à parcela do Centrão que ocupou cargos importantes no governo Jair Bolsonaro. Seu principal apoiador na indicação para o STF, em 2020, foi Ciro Nogueira, ex-Casa Civil do ex-presidente e que é investigado no Caso Master porque teve despesas e viagens pagas por Daniel Vorcaro.
Gilmar Mendes jogou junto com Alexandre de Moraes, assim como Flávio Dino, em muitas ocasiões. A aproximação se deu por conta dos ataques bolsonaristas ao STF que foram investigados no Inquérito das Fake News, relatado por Moraes.
Porém, os atos recentes de Gilmar, como sugerir o fim das nomeações de integrantes da PF no Supremo e o pedido de vista no julgamento de Andrei Rodrigues, buscam baixar a fervura da crise que invadiu o Supremo.
Estratégia
A decisão de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues prejudica os planos de Luiz Edson Fachin, presidente do STF. Fachin reuniu em seu gabinete todos os desdobramentos jurídicos da crise entre Mendonça e Moraes e determinou que o caso seja investigado.
Como investigações demoram, a ideia era deixar o tempo acalmar a crise interna do STF e diluir a pressão pública sobre a Corte. Agora, Mendonça manteve o assunto em alta, o que renderá diversas notícias e análises na imprensa.
Parcial, eu?
A sanha para tirar Andrei Rodrigues da PF é resultado das suspeitas que pairam sobre o diretor-geral da Polícia Federal. Nos bastidores, Andrei é acusado de vazamentos seletivos para prejudicar a campanha de Flávio Bolsonaro e favorecer a caminhada de Lula para se manter no Palácio do Planalto.
As mesmas acusações de vazamento seletivo são direcionadas a André Mendonça, mas por outro grupo da Política. Há o entendimento de que os atos de Mendonça nas investigações do Caso Master e das fraudes em benefícios do INSS têm como objetivo ajudar Flávio e minar a campanha de Lula.
PF vê exagero
Integrantes da PF ouvidos pela reportagem afirmaram que a decisão de Mendonça foi exagerada e que Andrei Rodrigues foi punido por ser o lado mais fraco de uma "guerra de vaidades" entre ministros.
Segundo essas fontes da PF, não há crime na elaboração do relatório que cita Mendonça e Messias. O problema, dizem esses integrantes da corporação, está no uso por Moraes. "É a mesma coisa que punir um jurista por elaborar um parecer jurídico", disse um dos policiais federais ouvidos.
Receio do futuro
O efeito prático da briga entre Mendonça e Moraes é o receio que se criou dentro da PF em relação a investigações midiáticas que envolvem autoridades do topo da cadeia alimentar da República.
Daqui para frente, segundo policiais federais, será mais complicado encontrar pessoas dispostas a chefiar investigações que podem resultar no afastamento, ou perda, do cargo.
Valdemar e a OAB-SP
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) desconfiam que o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, tem voz ativa na OAB-SP. O último episódio que incomodou os ministros foi pressão da OAB-SP pela adesão do presidente da entidade, Leonardo Sica, aos pedidos de afastamento de Alexandre de Moraes.
O presidente do PL é tio de Sica e, nos bastidores, há menções de que ambos mantêm relação muito próxima. Mas interlocutores de Leonardo Sica afirmam que a relação dele com Valdemar é protocolar.


