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Justiça

Entenda por que coordenador da campanha de Gracinha Caiado é alvo de operação do MPGO

Ex-vice da Agehab foi submetido a busca e apreensão em apuração sobre contratos habitacionais e possível prejuízo de até R$ 80 milhões

Gracinha Caiado (União), ex-primeira-dama de Goiás
Ronaldo Caiado pediu a saída de Wendel Garcia da agência após a deflagração da Confrades, em março Foto: Alberto Maia/Câmara Municipal de Goiânia

Um dos principais coordenadores da campanha de Gracinha Caiado (União) ao Senado em Goiás é investigado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) em uma operação que apura suspeitas de irregularidades em contratos para construção de moradias populares.

Wendel Garcia da Silva, ex-vice-presidente da Agência Goiana de Habitação (Agehab), foi alvo de busca e apreensão durante a Operação Confrades, deflagrada em março deste ano.

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A investigação apura um possível esquema de manipulação de contratos, favorecimento de empresas e desvio de recursos públicos que pode ter provocado prejuízo de até R$ 80 milhões.

A informação de que Wendel atualmente integra a coordenação da candidatura de Gracinha foi publicada pelo Vero Notícias, que afirma que ele chegou à estrutura eleitoral por indicação da cúpula do PP em Goiás. Procurada pelo veículo, a campanha não se manifestou.

Gracinha disputa uma das vagas de Goiás no Senado e aparece na liderança de levantamentos eleitorais recentes.

Ela é esposa do ex-governador de Goiás e atual candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD).

Quem é Wendel

Wendel Garcia é formado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e em Direito pela Universidade Evangélica de Goiás.

Antes de chegar à Agehab, ocupou funções no governo estadual, entre elas as subsecretarias de Fomento e Competitividade e de Atração de Investimentos da Secretaria de Indústria e Comércio.

Também trabalhou como assessor especial da Prefeitura de Anápolis e na área de relações governamentais.

Posteriormente, assumiu a vice-presidência da Agehab, posição que o colocou entre os dirigentes responsáveis pela estrutura administrativa de uma das principais políticas habitacionais do governo de Goiás.

Foi nesse período que começaram os fatos hoje investigados pelo Ministério Público.

Operação Confrades

A Operação Confrades foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial do Patrimônio Público (GAEPP), do MPGO, em 18 de março de 2026.

Naquele dia, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Goiânia e Anápolis, inclusive na sede da Agehab.

Dois integrantes do corpo gestor da agência também foram afastados temporariamente por decisão da 5ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia.

Wendel estava entre os investigados e teve endereços relacionados a ele submetidos às buscas.

Outro dirigente atingido pela apuração foi o então superintendente de Projetos e Orçamentos Júlio Moraes Santos.

O Ministério Público afirma que a investigação começou ainda no primeiro semestre de 2025, depois de denúncias relacionadas às contratações do programa estadual Pra Ter Onde Morar.

O que apura

Segundo os promotores, foram encontrados indícios de um esquema estruturado para interferir na contratação de construtoras pela Agehab.

Uma das suspeitas envolve alterações em planilhas orçamentárias que teriam beneficiado determinadas empresas.

O MPGO também cita possível cooptação de setores técnicos, interferência em editais e mudanças em normas internas para favorecer interesses particulares.

A investigação encontrou ainda indícios de que uma empresa que enfrentava impedimentos para contratar teria recebido tratamento privilegiado e ampliado sua participação nos contratos a partir de 2024.

Também são apuradas possíveis represálias contra servidores técnicos que teriam resistido às mudanças, incluindo demissões consideradas arbitrárias pelos investigadores.

O MPGO faz uma ressalva: as suspeitas não são direcionadas ao objetivo do programa habitacional, mas às condutas de agentes responsáveis pelas contratações.

R$ 80 milhões

A estimativa de prejuízo chegou a aproximadamente R$ 80 milhões, considerando contratos executados principalmente em 2024 e 2025.

Segundo informações apresentadas pelo coordenador do GAEPP, promotor Augusto César Borges Souza, o valor corresponderia a cerca de 10% de aproximadamente R$ 800 milhões movimentados em contratos de construção e habitação analisados na investigação.

O número faz parte da apuração do Ministério Público e não representa uma condenação definitiva ou valor já reconhecido judicialmente como desviado.

A investigação permanece em andamento.

Empresa beneficiada

Uma das empresas que aparecem com maior destaque na apuração é a Excel Construtora e Incorporadora.

Segundo as investigações, mudanças realizadas dentro da Agehab teriam favorecido a companhia em contratos relacionados à construção de moradias.

A empresa tinha entre seus responsáveis o empresário André Luiz Hajjar, conhecido como Dedé Hajjar.

Investigadores identificaram ainda uma relação familiar entre ele e Wendel, que mantinha relacionamento com uma integrante da família do empresário no período investigado.

Documentos da investigação citados pela imprensa sustentam que Wendel e Júlio teriam utilizado seus cargos para favorecer a companhia desde o processo de contratação até a execução dos projetos. Essa é a tese dos investigadores, ainda sujeita à apuração e ao contraditório.

Contratos cresceram

Outro elemento analisado é a evolução dos contratos obtidos pela Excel. Levantamentos baseados no inquérito apontam crescimento das contratações da empresa depois da chegada de Wendel à vice-presidência da Agehab.

A investigação também analisa movimentações financeiras atribuídas ao ex-dirigente e se os valores seriam compatíveis com os rendimentos declarados por ele.

Esses elementos integram o conjunto de indícios reunidos pelo MPGO e ainda não constituem condenação.

Saída da Agehab

Após a operação, Ronaldo Caiado, que ainda comandava o governo de Goiás naquele momento, pediu a destituição de Wendel e de Júlio Moraes Santos das funções ocupadas na Agehab.

A agência informou na época que colaborava com a Justiça, havia disponibilizado os documentos e processos solicitados e que os servidores envolvidos haviam sido desligados.

A Agehab também ressaltou que, conforme o próprio Ministério Público, a investigação não questionava a política habitacional ou a gestão geral do programa, mas condutas individualizadas relacionadas às contratações.

Caso continuou

A Operação Confrades não terminou com as buscas de março.

Em junho, o MPGO obteve uma decisão judicial para suspender pagamentos a uma construtora e impedir a entrega de determinadas unidades habitacionais do programa Pra Ter Onde Morar, Casas a Custo Zero.

A medida surgiu de apurações relacionadas à Confrades e de um inquérito civil sobre suspeitas de fraude e irregularidades na construção.

O caso, portanto, continuou produzindo medidas judiciais depois da saída dos antigos dirigentes.

Da Agehab à campanha

Meses depois de deixar o governo, Wendel voltou a ocupar uma posição de articulação política.

Ele passou a integrar a campanha de Gracinha Caiado ao Senado por indicação de dirigentes do PP e hoje figura entre seus principais coordenadores.

A presença do ex-dirigente na estrutura eleitoral chama atenção porque ocorre enquanto a investigação sobre sua passagem pela Agehab ainda está em andamento.

Não há informação de que a Operação Confrades investigue a campanha de Gracinha ou que as suspeitas relacionadas aos contratos habitacionais tenham ligação com a candidatura.

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