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Geopolítica

A inimizade entre Israel e Turquia

A sensação de um conflito armado no Oriente Médio aumenta

Bandeiras de Israel e Turquia
Entenda a tensão dos países desde a reconfiguração do poder na Síria (Foto: Magnific)

O foco nas tensões do Oriente Médio deixou de lado o conflito entre Irã e Estados Unidos por um breve momento, ao mesmo tempo em que a relação entre Israel e Turquia se deteriora.

Na última semana, o Estado judeu bombardeou uma base aérea na Síria, aliada da Turqia desde a queda do antigo regime sírio. O ataque aconteceu na instalação de Abu al-Duhur, que estava sendo preparada para receber um grupo de forças turcas.

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Alguns dias após o ataque, líderes geopolíticos de Israel e Turquia também trocaram acusações e ameaças veladas. Ancara emitiu um mandado de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, pelo bloqueio de ajuda humanitária à Gaza.

O governo em Tel Aviv reagiu dizendo que agirá contra as tentativas da Turquia de desestabilizar a região — que também foi usado como justificativa do bombardeio.

Entre o receio de Israel impor uma nova guerra com apoio dos EUA, a Turquia e outros países do Oriente Médio unem forças para combater uma nova empreitada de Washington na região.

Tensões entre Israel e Turquia

Uma aproximação entre Turquia e Síria deixou o governo israelense em alerta. O novo desenho político começou a ser traçado com a queda do regime de Bashar al-Assad na Síria.

A guerra civil síria iniciada em 2011 se mantinha com o apoio do Irã e da Rússia ao regime de Assad. No entanto, com o início dos ataques de Israel contra o Hamas em 7 de outubro de 2023 e a guerra na Ucrânia, esses aliados precisaram se afastar.

Com esses padrinhos distraídos, a Turquia aproveitou para dar mais força a um dos grupos rebeldes, o HTS, ligado à Al Qaeda, que acabou vencendo a guerra civil. Desde então, a Turquia tem influência direta dentro do novo governo sírio.

O líder, do HTS, Ahmed al-Sharaa, abandonou o nome de guerra islâmico que usava e virou presidente do país. Para Ancara, esse movimento foi essencial para evitar o fortalecimento dos curdos no norte da Síria, ligados ao Curdistão turco, que é motivo de conflito interno há décadas.

Israel se viu ameaçado com a nova configuração. Isso porque ocupa desde 1967 o território sírio das Colinas de Golã, e a nova liderança de Damasco causaria conflito aos seus interesses.

O bombardeio israelense aconteceu neste contexto, o que aumentou a percepção de que o Estado judeu teria poder superior para impor suas vontades, se necessário.

Otan islâmica

O cenário impulsionou uma aliança militar entre Turquia, Arábia Saudita e Paquistão, que está sendo aplidada de "Otan islâmica". Os países muçulmanos são de maioria sunita.

Vale lembrar que a Turquia faz parte da Otan e opera mísseis e centenas de aviões de combate de fabricação americana. O país também faz parte da seleta lista de regiões que armazenam armas nucleares do Pentágono. Alemanha,  Bélgica, Holanda, Itália e Reino Unido também compõem essa lista.

O Paquistão também é uma potência nuclear, o que pode ameaçar uma possível ofensiva de Israel contra qualquer um desses países, incluindo a Síria agora aliada turca. 

Netanyahu pode perder o cargo

Em Israel, o problema não é somente militar, mas eleitoral. O premiê enfrenta eleições parlamentares em outubro e as projeções indicam que ele possa ser retirado do cargo.

Dessa forma, Benjamin Netanyahu pode ficar exposto ao risco de prisão num processo de corrupção. O primeiro-ministro está perdendo votos de aliados em meio ao desgaste das longas guerras e recente escalada de conflitos com o Irã, que prejudicou todo o planeta.

As críticas diplomáticas relacionadas ao bloqueio de ajuda humanitária em Gaza também deterioram a visão de seu último mandato. Washington, por sua vez, fica de olho nas eleições de outubro enquanto corre o risco de perder influência sobre um grande aliado no Oriente Médio.

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