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Economia

A dívida pública americana em patamar histórico preocupa o mercado

Os investidores não querem mais comprar títulos públicos dos EUA

Dólares
O Tesouro irá comprar de volta sua própria dívida de longo prazo para segurar artificialmente os preços e conter os juros (Foto: Magnific)

A dívida pública total dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez e o Departamento do Tesouro americano pode ter agravado esse problema com o anúncio de intervenção na compra de títulos públicos.

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou nesta semana que vai dobrar o teto das operações de recompra de títulos longos (10 a 30 anos), de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação, a partir de 9 de setembro.

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Ou seja, o Tesouro irá comprar de volta sua própria dívida de longo prazo para segurar artificialmente os preços e conter os juros, porque o mercado — pela primeira vez de forma mais visível desde 2007 — está exigindo um "prêmio de risco" maior para financiar os déficits americanos.

A decisão pode agravar as análises do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) sobre o que fazer com a taxa de juros. A autarquia pondera se deve ou não aumentar os juros americanos em meio a uma inflação acelerada.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, pediu aos investidores para se basearem em dados econômicos e evitarem as projeções de taxas da própria autarquia.

Apesar do pessimismo que pairou no mercado após o anúncio, Bessent observou que parte da recompra tem um caráter de sinalização e disse que o mercado se precipitou com relação aos acontecimentos na seara fiscal.

As crises orçamentárias

O pico da dívida pública americana acontece próximo ao encerramento do primeiro ano fiscal sob comando do presidente Donald Trump. 

O Congresso dos EUA precisa aprovar anualmente 12 projetos de lei orçamentária para financiar o governo federal no ano fiscal, que vai de 1º de outubro a 30 de setembro. Quando essas leis não são aprovadas a tempo, os parlamentares costumam aprovar uma resolução de continuidade (CR) — um financiamento temporário que mantém o governo funcionando em nível de gastos atual, ganhando tempo para negociação.

O ano fiscal de 2026, por sua vez,começou com a paralisação mais longa da história moderna dos EUA, de 1º de outubro a 12 de novembro de 2025. O país teve ainda duas outras paralisações em 2026, ligadas a disputas sobre fiscalização de imigração: uma de quatro dias (31 de janeiro a 3 de fevereiro) e outra de 76 dias (14 de fevereiro a 30 de abril).

O aumento da dívida pública junto com o aumento da recompra de títulos pelo governo mostra indícios de um Tesouro que pode não ter caixa suficiente para pagar obrigações já assumidas. Essa possibilidade é potencialmente desastrosa.

Os credores estrangeiros

Em maioria, os credores da dívida pública americana são domésticos, como o Federal Reserve, investidores privados, fundos, bancos, seguradoras e governos estaduais. Juntos, somam cerca de 57% do total.

Já entre os estrangeiros, o Departamento do Tesouro americano mostra que o Japão lidera como maior credor fora dos EUA. Em junho deste ano, o país detinha com US$ 1,1 trilhão em títulos, seguido pelo Reino Unido, com US$ 939,9 bilhões.

A China, por sua vez, detinha US$ 633,4 bilhões em junho de 2026. Nesse contexto, a tensão com os EUA se agrava, visto que o país asiático pode pressionar uma das principais democracias das Américas.

Trump não se entende com o Fed

Os conflitos entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ex-presidente do Fed, Jerome Powell, se intensificaram desde o final do ano passado. O principal embate era em relação à redução da taxa de juros, que, na avaliação do líder norte-americano, deve ser mais agressiva para estimular a economia.

Por outro lado, Powell tentava impor uma redução mais tímida, com o intuito de conter a inflação do país. Em um de seus discursos, Trump chegou a chamar o presidente do Fed de incompetente, além de ameaçar a substituição do cargo.

Powell saiu do comando da autarquia em maio, quando foi substituído pelo indicado por Donald Trump, Kevin Warsh. O  novo presidente do Fed possui relações com aliados próximos do presidente e uma postura diferente de Powell na questão dos juros. 

De acordo com apuração de O Brasilianista, o economista empossado possui ligação familiar com Ronald Lauder, empresário próximo de grupos políticos ligados a Trump. Além disso, ele é apontado como alguém que defende a manutenção da taxa de juros baixa para o crescimento econômico. Ainda assim, sua primeira decisão foi manter a taxa no patamar de 3,50% a 3,75% ao ano.

Trump também não se entender com a diretora do Federal Reserve (Fed), Lisa Cook. O presidente dos EUA já havia declarado que tomaria medidas para garantir que a economista não tome decisões relativas ao bem-estar estadunidense — e tentou demití-la.

No entanto, a Suprema Corte barrou a tentativa, por 5 votos a 4. Em comunicado, a diretora afirmou que o parecer da Corte reconhece que a independência do Fed é importante para a manutenção do mandato do Congresso de estabilidade e de pleno emprego.

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