A Polícia Federal indiciou 25 empresários e agentes públicos investigados na Operação Overclean, que apura suspeitas de corrupção, fraude em licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.
Entre os nomes estão o empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo” na Bahia, e os empresários Fábio Parente e Alex Parente.
A investigação aponta para contratos de pavimentação e limpeza urbana firmados com prefeituras e financiados, em parte, por recursos de órgãos federais.
Segundo a PF, o grupo investigado teria movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão em contratos fraudulentos e obras com suspeitas de superfaturamento.
Entre os indiciados também estão Lucas Maciel Lobão Vieira e Rafael Guimarães de Carvalho, ex-coordenadores do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) na Bahia.
Os demais 20 nomes ainda não haviam sido divulgados publicamente até a publicação das informações consultadas.
O indiciamento, porém, não representa condenação, o caso ainda será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá apresentar denúncia, pedir novas diligências ou solicitar o arquivamento.
Como funcionava o esquema investigado pela Polícia Federal?
A investigação aponta para uma estrutura que teria envolvido empresas interessadas em contratos públicos, agentes públicos e recursos provenientes de emendas parlamentares e de órgãos federais.
Segundo as suspeitas, empresas teriam conseguido contratos por meio de processos licitatórios fraudados e, posteriormente, parte dos recursos teria sido desviada.
Entre os serviços investigados estão obras de pavimentação e atividades de limpeza urbana realizadas em municípios.
O DNOCS e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) aparecem entre os órgãos relacionados à apuração.
A PF também investiga suspeitas de pagamento de propina para facilitar a obtenção dos contratos. A apuração também alcançou suspeitas de lavagem de dinheiro e utilização de empresas para movimentar recursos.
O “Rei do Lixo” e os outros empresários
José Marcos Moura é conhecido na Bahia pelo apelido de “Rei do Lixo” por sua atuação no setor de limpeza urbana. Ele aparece entre os principais empresários investigados pela Overclean.
Fábio e Alex Parente também aparecem na apuração. Alex, inclusive, foi preso na primeira fase da operação, em dezembro de 2024, quando a PF apreendeu R$ 1,5 milhão em espécie em um avião particular que seguia para Brasília.
Na época, o empresário disse aos investigadores que pretendia utilizar o dinheiro para comprar maquinário.
A PF apresentou outra interpretação para a origem e a finalidade do dinheiro e investigou a possibilidade de que os valores estivessem relacionados ao pagamento de propina.
A defesa de Alex afirmou que ainda não tinha acesso integral aos autos e que pretendia esclarecer os fatos durante a investigação.
Operação Overclean já teve nove fases
A primeira fase da Overclean ocorreu em dezembro de 2024. Na ocasião, a PF cumpriu mandados na Bahia, em São Paulo e em Goiás e prendeu empresários e agentes públicos.
A operação avançou nos meses seguintes e passou a investigar diferentes contratos, municípios e agentes políticos.
Entre os episódios que chamaram atenção estão a apreensão de dinheiro em espécie e a prisão de investigados relacionados à estrutura que a PF tentava desmontar.
Ao todo, a Overclean chegou a nove fases. A última ocorreu em janeiro de 2026, quando o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) foi alvo de mandados de busca e apreensão.
Deputados aparecem na investigação, mas não foram indiciados
A chegada da investigação ao Supremo Tribunal Federal ocorreu depois que surgiram elementos relacionados a pessoas com foro por prerrogativa de função. O caso passou a ser relatado pelo ministro Kassio Nunes Marques.
Entre os parlamentares citados na investigação estão Elmar Nascimento (União-BA), Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), Vicentinho Júnior (PP-TO) e Dal Barreto (União-BA).
No entanto, existe uma diferença importante, eles são investigados, mas não estão entre os 25 nomes indiciados pela PF nesta segunda-feira.
O histórico de José Marcos Moura
Moura, além de empresário do setor de coleta de lixo, mantém uma relação de proximidade com ACM Neto, vice-presidente do União Brasil.
Essa relação se fortaleceu durante o período em que Neto comandou a Prefeitura de Salvador.
Um contrato de R$ 174 milhões para serviços de limpeza urbana na capital baiana e afirmou que Moura emprestou um avião particular utilizado por Neto durante a campanha eleitoral de 2022.
Moura ficou nove dias preso em novembro de 2024, durante a Operação Overclean. Ele e outros investigados foram posteriormente libertados por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Segundo dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, o Banco Master teria pago R$ 1,43 milhão à MM Limpeza Urbana, empresa que tem José Marcos de Moura e Alexsandro Gonçalves de Moura como sócios.
O valor teria sido registrado como “rendimentos de capital”. A defesa de Moura afirmou que a empresa era cliente do banco e que o dinheiro correspondia ao resgate bruto de uma aplicação financeira, com desconto de Imposto de Renda. Portanto, a informação sobre o pagamento não significa, por si só, irregularidade.
O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todas os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.

